💣 Explosivos 💣 Quando o treinamento dá certo, ninguém percebe o perigo
Como cães são preparados para detectar explosivos com precisão e controle absoluto
Em países que lidam diariamente com grandes eventos, transporte de massa e alta circulação de pessoas, o trabalho de prevenção começa muito antes de qualquer emergência. Um dos pilares desse sistema é o treinamento de cães de detecção de explosivos, uma atividade que exige método rigoroso, validação constante e controle emocional extremo, tanto do animal quanto do condutor.
A eficácia desse tipo de atuação é reconhecida por padrões técnicos internacionais. De acordo com protocolos de certificação utilizados por órgãos científicos e de segurança nos Estados Unidos e na Europa, equipes formadas por cão e condutor precisam demonstrar taxas de acerto superiores a 90% em exercícios padronizados, com baixa incidência de falsos alertas, para serem consideradas aptas a operar profissionalmente. Esses critérios são adotados por instâncias como a Organization of Scientific Area Committees for Forensic Science e refletem o nível de exigência aplicado a operações de alto risco.
Diferente da imagem popular do cão que reage de forma instintiva ao encontrar algo suspeito, o treinamento voltado para explosivos segue uma lógica oposta. O objetivo não é provocar resposta, mas silêncio. O cão aprende a identificar o odor específico e a marcar de forma passiva, sem tocar, arranhar ou latir. Em vez de excitação, o que se busca é precisão, em vez de impulso, estabilidade.
“Um cão de explosivos não pode reagir como em outras especialidades. Ele precisa identificar e parar. O controle é parte do treinamento desde o primeiro dia, porque qualquer movimento errado pode representar risco”, explica Sebastien Florens, especialista internacional em detecção de explosivos com cães, com atuação em operações de alta complexidade na Europa.
O processo começa na seleção do perfil do animal e avança por etapas de associação, repetição e ambientação. Cada exercício é reproduzido em contextos diferentes até que o comportamento se mantenha consistente, mesmo em ambientes com ruído, fluxo intenso de pessoas e estímulos variados.
O treinamento funciona como um jogo técnico, com regras claras e reforço positivo, mas sem margem para improviso. “O que parece instinto, na verdade, é método. O cão aprende a reconhecer um odor específico e a responder sempre da mesma forma, independentemente do local. Não existe espaço para improvisação nesse tipo de trabalho”, afirma Sebastien.
Na detecção de explosivos, a especialização é decisiva. Embora seja possível formar cães para múltiplas funções, misturar finalidades compromete a precisão. Quanto mais específico o treinamento, mais confiável tende a ser a resposta do animal em campo. Estudos científicos publicados em periódicos internacionais de medicina veterinária e comportamento animal indicam que a consistência da resposta está diretamente ligada à repetição controlada e à validação contínua do treinamento.
“Explosivo exige uma abordagem própria. O comportamento esperado é diferente, o tempo de resposta é diferente e o nível de controle também. Por isso, quanto mais específico o treinamento, mais seguro ele se torna”, diz o especialista.
Outro ponto central é a validação contínua. Em equipes privadas homologadas na Europa, cães e condutores passam por testes periódicos diante de avaliadores independentes. Não basta um histórico positivo. É preciso comprovar, repetidamente, que o animal segue apto a operar. “O cão é testado constantemente, se ele falhar, não trabalha. A exigência é alta porque a responsabilidade também é. Quem é avaliado não é só o profissional, mas a dupla como um todo”, explica Sebastien.
Essa lógica ajuda a entender por que o sucesso desse trabalho raramente é visível. Quando a prevenção funciona, não há alarme, não há interrupção e não há notícia. O metrô segue operando, o evento acontece, a cidade continua em movimento. O risco foi neutralizado antes de se tornar um problema público. “Quando tudo funciona, ninguém percebe. E esse é o sinal de que o trabalho foi bem feito”, conclui o especialista.
SOBRE
Sebastien Florens é especialista internacional em detecção de explosivos com cães, com mais de 25 anos de experiência em segurança preventiva. De origem francesa, atuou em empresas privadas homologadas pelo Estado em ambientes de alta complexidade na Europa. Hoje, dedica-se à formação de cães de trabalho e à transmissão de conhecimento técnico, com foco em precisão, controle e validação contínua.
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