Combinação de exames ajuda a identificar riscos de infarto antes dos sintomas
Combinação de exames ajuda a identificar riscos de infarto antes dos sintomas
Análise mais completa do sangue permite prever riscos cardíacos mesmo em quem tem exames de rotina normais
O infarto agudo do miocárdio, que ocorre quando o sangue deixa de chegar ao coração, continua sendo a principal causa de mortes no Brasil. Estima-se que o país registre entre 300 mil e 400 mil casos por ano e que haja um óbito a cada cinco a sete ocorrências, segundo o Ministério da Saúde. Especialistas reforçam que, além de manter hábitos saudáveis e realizar check-ups de rotina, é fundamental avaliar a necessidade de exames específicos para prevenir complicações cardiovasculares.
Os exames mais comuns para avaliar a saúde do coração são os que medem os níveis de colesterol (total e frações), a glicemia (taxa de açúcar no sangue) e a pressão arterial. Apesar de importantes, esses testes nem sempre conseguem mostrar com clareza quem está, de fato, em risco. Estudos recentes mostram que parte da população pode apresentar problemas no coração mesmo com resultados considerados normais nesses exames básicos.
“Algumas pessoas desenvolvem doenças nas artérias por mecanismos menos óbvios, como inflamação crônica, alterações genéticas ou acúmulo silencioso de placas ao longo de muitos anos”, explica o cardiologista Leonardo Abreu, da Amparo Saúde, empresa do Grupo Sabin focada em atenção primária.
Pesquisas apontam que uma avaliação mais ampla pode identificar riscos antes que apareçam sintomas. Exames como o da lipoproteína(a), uma partícula do sangue associada a maior risco de infarto e derrame; o da proteína C reativa ultrassensível, que detecta inflamações silenciosas nos vasos; e o do colesterol não-HDL, que considera todas as frações prejudiciais, ajudam a entender melhor o quadro de cada paciente. Quando analisados em conjunto, esses exames oferecem uma visão mais precisa do risco cardiovascular.
Um estudo recente, publicado na revista científica PLOS One, apontou que 18% dos brasileiros avaliados apresentaram níveis elevados de lipoproteína(a), mesmo sem outros fatores de risco tradicionais. O dado alerta para a importância de incluir novos marcadores nos check-ups, especialmente em pessoas que aparentam estar saudáveis, mas têm histórico familiar ou outros sinais de risco.
Exames específicos
Leonardo Abreu explica que a lipoproteína(a) está ligada ao acúmulo de gordura nas artérias, a inflamações e à formação de coágulos, aumentando as chances de infarto e derrame. Exames específicos são especialmente indicados quando há histórico de problemas cardíacos na família, episódios de infarto em pessoas jovens, colesterol aparentemente normal, mas com presença de outros fatores de risco como tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e estresse. “Também pode ser o caso quando o médico percebe que o risco real de doenças cardiovasculares não está bem explicado pelos exames básicos”, afirma.
Além dos exames laboratoriais, o cardiologista ressalta que, dependendo do caso, o médico pode recomendar exames de imagem ou outros testes complementares. E lembra que a prevenção não se limita ao diagnóstico: “É importante manter uma alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, do sono e do estresse. A prevenção cardiovascular precisa ser personalizada”.

