Saúde ocupacional deixa de ser custo e se consolida como estratégia de gestão nas empresas
Engenheira Priscilla Araújo defende a prevenção e o bem-estar como pilares para produtividade, redução de afastamentos e sustentabilidade dos negócios
A saúde ocupacional deixou de ocupar um papel meramente burocrático dentro das organizações e passou a ser um dos principais pilares estratégicos para a sustentabilidade das empresas.
Dados de pesquisas e levantamentos técnicos sobre segurança e saúde no trabalho mostram que, com a atualização da NR-01, que trata das Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o cumprimento da norma deixou de ser apenas uma recomendação e passou a exigir uma postura ativa das empresas na gestão de riscos ocupacionais.
A partir de maio, a NR-01 torna-se obrigatória, reforçando a exigência legal do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e da elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) em todas as organizações.
Segundo a engenheira química e ambiental Priscilla Araújo, atualmente não é mais possível falar em competitividade sem considerar a saúde física e mental dos colaboradores. “Hoje, a saúde ocupacional é parte central da estratégia de gestão. Empresas saudáveis têm equipes mais produtivas, menos afastamentos, maior engajamento e melhor reputação. Cuidar da saúde do trabalhador é cuidar da continuidade e da competitividade da empresa”, afirma.
Entre as ações práticas mais eficazes, a especialista destaca a ginástica laboral, que atua diretamente na prevenção de doenças musculoesqueléticas, como LER/DORT, além de reduzir fadiga, dores e tensões acumuladas pela rotina de trabalho. “Na prática, ela melhora a disposição, a concentração e o bem-estar físico e mental do colaborador. É uma pausa estratégica que impacta positivamente o desempenho ao longo do dia”, explica.
Outro ponto que ainda gera resistência em muitas empresas é a ergonomia, frequentemente encarada como custo. Para Priscilla, essa visão precisa ser revista. “A ergonomia previne problemas que custam muito mais caro quando não tratados, como afastamentos, processos trabalhistas, perda de produtividade e rotatividade. Quando bem aplicada, ela melhora o conforto, reduz riscos e aumenta a eficiência operacional. Ergonomia é investimento em pessoas”, destaca.
De acordo com Priscilla Araújo, a obrigatoriedade da NR-01 representa um avanço importante na cultura de prevenção dentro das organizações. “A norma trouxe um olhar mais estratégico para a gestão de riscos. Ela incentiva o envolvimento das lideranças e dos colaboradores, fortalece a cultura de segurança e tira a empresa de uma atuação reativa”, explica.
Na avaliação da engenheira, um dos erros mais comuns cometidos pelas empresas ao implantar programas de saúde ocupacional é tratar o tema apenas como exigência legal. Também são frequentes a adoção de programas padronizados, sem considerar a realidade da empresa, e a falta de envolvimento da liderança. Além disso, muitas organizações ainda focam apenas na saúde física, deixando de lado a saúde mental e organizacional.
“Quando bem estruturados, os resultados desses programas podem ser claramente mensurados. Indicadores como redução do absenteísmo, diminuição de afastamentos pelo INSS, queda no número de atestados médicos, aumento da produtividade e melhoria do clima organizacional demonstram o retorno financeiro e operacional das ações. Além da redução de custos indiretos, há um fortalecimento significativo da imagem da empresa”, pontua.
Para Priscilla, a integração entre saúde física, mental e ambiente de trabalho é determinante para reduzir faltas e afastamentos. “Quando o colaborador se sente cuidado de forma integral, o impacto é direto no engajamento, na permanência e no desempenho dentro da empresa”, afirma.
Setores como o industrial, o logístico e empresas que já possuem uma cultura consolidada de QSMS (Qualidade, Saúde, Meio Ambiente Segurança) têm avançado mais rapidamente nesse tema.
“O diferencial está na integração da saúde ocupacional à estratégia da liderança, no uso de dados para tomada de decisão e na adoção de ações contínuas, como ergonomia, ginástica laboral, treinamentos e programas de bem-estar”, afirma.
A especialista também já levou esse debate para eventos de alcance nacional, como uma palestra realizada em Fernando de Noronha, onde abordou a saúde ocupacional como estratégia de gestão e reforçou que prevenir é mais eficiente do que remediar. “A mensagem central é clara: empresas que cuidam das pessoas constroem resultados sustentáveis. Saúde ocupacional não é custo, é inteligência empresarial”, afirma.
À frente da empresa Universo LP, Priscilla Araújo desenvolve projetos de bem-estar dentro das empresas, com foco na saúde mental de empresários e colaboradores. “Cuidar da saúde mental das lideranças e mostrar como elas podem cuidar de suas equipes é essencial para construir organizações mais humanas, produtivas e duradouras”, conclui.
Texto: LD Comunicação


