Carnaval é tempo de aumentar a proteção de crianças e adolescentes nas ruas e na internet


Carnaval é tempo de aumentar a proteção de crianças e adolescentes nas ruas e na internet
ECA Digital entra em vigor em março, mas famílias devem permanecer sempre atentas a proteção de crianças
Em alguns dias, começa o Carnaval. Um dos períodos mais animados e coloridos do ano também é marcado por maiores riscos para crianças e adolescentes. Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, as denúncias feitas pelo Disque 100 cresceram 38% no Carnaval de 2024, e mais de 26 mil violações registradas envolveram crianças e adolescentes. A época dessas festividades requer atenção redobrada com crianças e adolescentes, pois muitos fatores de risco são potencializados na época do Carnaval. Além dos perigos presenciais, o ambiente virtual também deve ser monitorado por pais e responsáveis.
O uso excessivo de telas, por si só, pode trazer malefícios relacionados a atrasos no desenvolvimento, ansiedade, isolamento e problemas de saúde mental, mas a exposição no ambiente digital também representa um risco. Diversos aplicativos são tidos como prejudiciais para esse público, desde o acesso a vídeos curtos e viciantes, até a comunicação com desconhecidos em chats de voz e vídeo.
“Durante o Carnaval, os pais e responsáveis devem se atentar a não compartilhar conteúdos que exponham seus filhos, mas também ter maior controle aos aplicativos que as crianças e adolescentes acessam. Muitos criminosos buscam agir em momentos em que os adultos estejam descuidados devido às festas”, destaca Maurico Cunha, presidente executivo do ChildFund, organização que há quase 60 anos atua na defesa de crianças e adolescentes no Brasil.
Dicas para cuidar de crianças e adolescentes durante o Carnaval
Confira algumas orientações que podem auxiliar pais e responsáveis durante o Carnaval e ao longo do ano:
- Evite compartilhar fotos e vídeos de crianças e adolescentes: é comum que os responsáveis queiram compartilhar os momentos com família e amigos, mas caso as imagens cheguem a criminosos, uma simples foto com fantasia pode passar a ter outro teor;
- Fique de olho em jogos: muitos crimes nesse ambiente acontecem porque criminosos mentem sobre quem são. Idade falsa, nome trocado e referências a cidades conhecidas permitem que adultos se passem por crianças ou adolescentes e, em poucas interações, conquistem a confiança;
- Músicas e conteúdos impróprios: diversas canções, filmes, programas de televisão, influencers e canais em redes sociais não são destinados a crianças por conta de imagens, vídeos e linguagem imprópria para a idade. Fique atento aos conteúdos consumidos;
- Não compartilhar fotos, vídeos e/ou stories que tenham imagens da criança em localizações públicas em tempo real, especialmente perfis de adultos que não são privados;
- Supervisão parental: com a nova Lei que implantará o ECA Digital, menores de 16 anos deverão, obrigatoriamente, ter suas contas vinculadas com a de seus pais. A medida visa trazer segurança e um monitoramento mais próximo em relação a aplicativos baixados e transações realizadas;
- Verificação de idade: recentemente, o jogo Roblox implantou a verificação de idade para seus usuários. Desde então, usuários menores de 13 anos deixaram de ter acesso ao chat. A medida fez com que os jovens passassem a pedir para que um adulto realizasse a verificação. Caso seu filho solicite, não verifique, pois é uma maneira de separar o público por idade e garantir maior segurança.
Legislação vai fortalecer a proteção digital
O ECA Digital surge como instrumento de apoio para famílias, escolas — que já atuam na proteção digital com a proibição do uso de celulares —, organizações e para o próprio poder público. Com ele, os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente são reforçados e ampliados para a dinâmica das redes sociais e da internet. O estabelecimento dessas diretrizes contribui para a segurança, a privacidade e a proteção da imagem de crianças e adolescentes no ambiente digital.
“A implementação do ECA Digital é um avanço na proteção infantil pelo qual o ChildFund e outras organizações lutam há tanto tempo. Em um mapeamento feito por nós, foi possível identificar que mais da metade dos adolescentes brasileiros já sofreram algum tipo de violência on-line. É um número muito alto, que revela um ambiente com baixa segurança e uma necessidade de maior letramento digital, como o ChildFund defende e vem incidindo politicamente”, complementa Mauricio.
A legislação entrará em vigor no dia 18 de março de 2026, mas o debate sobre o uso responsável das tecnologias acontece há anos. A atenção de pais e responsáveis, aliada à informação e ao acompanhamento do uso das plataformas digitais, segue sendo aliadas para reduzir riscos e fortalecer a proteção de crianças e adolescentes.
Sobre o ChildFund
O ChildFund é uma organização que atua no desenvolvimento integral e na promoção e defesa dos direitos da criança, do adolescente e do jovem, criando futuros com mais oportunidades, para que tenham seus direitos considerados e alcancem seu potencial.
Por meio de programas desenvolvidos no Brasil em 2024, seu trabalho alcançou cerca de 1,3 milhão de pessoas no país. Para realizá-lo, a organização conta com a contribuição de pessoas físicas, por meio do programa de apadrinhamento de crianças e de doações para a causa, como o Guardião da Infância, além de parcerias com empresas, institutos e fundações que apoiam os projetos desenvolvidos.
A organização faz parte de uma rede internacional associada ao ChildFund International, presente em mais de 60 países e que gera impacto positivo na vida de mais de 24,3 milhões de crianças e suas famílias no mundo.
O ChildFund foi premiado internacionalmente em 2025 e está entre as 20 melhores organizações no ranking brasileiro emitido pela The Dot Good, uma certificadora de projetos sociais com sede na Suíça que avalia os impactos locais e globais de ONGs em todo o mundo. No Brasil, o ChildFund já foi eleito, também, a melhor ONG de assistência social do país em 2022 e a melhor ONG para crianças e adolescentes do Brasil por três anos (2018, 2019 e 2021) pelo Prêmio Melhores ONGs, que também a elegeu entre as 100 melhores ONGs do país por oito anos. Mais informações em www.childfundbrasil.org.br.
Imagens relacionadas
Pixabay baixar em alta resolução |

