Millennials e Geração Z têm questionado a necessidade de seguir os modelos tradicionais de amor romântico
Ideia de relacionamento passou por uma revolução silenciosa nas últimas décadas
Nos últimos anos, o ceticismo em relação às narrativas clássicas do amor romântico vem ganhando força entre as gerações mais jovens. A ideia de “alma gêmea”, “felizes para sempre” e compromissos perenes impulsionados por paixão intensa e sacrifício pessoal tem passado por uma crise, e muitos jovens se mostram mais inclinados a reinventar o afeto do seu jeito.
Um dos modelos que têm sido cada vez mais discutido é a hipergamia, estilo de vida que busca relação com um parceiro, o Sugar Daddy, em posição social, cultural ou econômica maior que a da parceira, a Sugar Baby. Para muitos jovens, esse arranjo não é necessariamente mercantil ou superficial: ele pode expressar desejo por segurança, status ou valorização mútua.
Em levantamento feito pela plataforma MeuPatrocinio em parceria com o Instituto Qualibest, 30% desses jovens entre 18 e 29 anos afirmam ter interesse em vivenciar uma relação hipergâmica.
Caio Bitrencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio explica que essa geração tem mais consciência e preocupação com a saúde mental e também com a responsabilidade emocional, optando por um modelo de relacionamento mais prático e descomplicado. “A hipergamia é um modelo de relacionamento com homens mais maduros, que não ficam com joguinhos e mentiras cansativas. Esses homens também já passaram por relações complicadas e agora buscam leveza e praticidade na companhia de mulheres incríveis”, destaca.
Ao mesmo tempo, o modelo divide espaço com outras lógicas relacionais, como a agamia, tipo de relacionamento que não há parceiro fixo, porque não existe a intenção de firmar laços afetivos. O fenômeno se reflete nos números: segundo o IBGE, o Brasil tem 81 milhões de pessoas solteiras e 63 milhões casadas. Outro modelo é o LAT, nessa modalidade, o casal mantém um relacionamento íntimo e estável, mas mora em residências diferentes, seja no mesmo bairro, cidade ou até país.
Ainda nessa linha de outras lógicas de relacionamentos modernos tem o Tolyamor, mistura tolerância e poliamor, mas sem um diálogo e definição de limites claros entre as partes, como o que ocorre na hipergamia, por exemplo. O termo descreve casais que ignoram traições ou relações paralelas para preservar o vínculo principal. Sobre esse modelo de relacionamento, Caio alerta: “Quando o relacionamento começa a enfrentar dificuldades, a primeira coisa que precisa acontecer é uma conversa sincera entre o casal. Ambos precisam se comprometer”.
Os Millennials e Geração Z mostram que o importante não é o formato, e sim a autenticidade das conexões. Seja por meio da hipergamia, da agamia, do LAT ou até do Tolyamor, essas novas formas de se relacionar refletem uma geração que busca liberdade, propósito e coerência emocional.

