Deepfakes e uso de IA ampliam debate sobre desinformação nas eleições
Especialista da UNIASSELVI aponta que regulamentação adequada e educação digital são instrumentos importantes para o combate na proliferação de conteúdos falsos nas redes sociais
O avanço da inteligência artificial generativa e a popularização de tecnologias capazes de produzir vídeos, imagens e áudios hiper-realistas colocaram a desinformação em um novo patamar no debate público. Em períodos eleitorais, especialistas alertam que as deepfakes podem ampliar a circulação de conteúdos manipulados e influenciar a percepção do eleitorado sobre candidatos e acontecimentos políticos.
Para Rafael Adilio Silveira dos Santos, professor de Ciência Política da UNIASSELVI, a própria lógica das plataformas digitais contribui para a amplificação desse fenômeno. “Precisamos considerar que um algoritmo de rede social não é neutro; ele é programado para atender a determinados objetivos. Se o intuito é manter o indivíduo o máximo de tempo possível diante da tela e isso é alcançado entregando-lhe o que deseja, as notícias falsas acabam entrando nesse radar”, afirma.
Relatórios recentes do World Economic Forum apontam a desinformação digital como um dos principais riscos globais de curto prazo, especialmente em ambientes de alta polarização política. A combinação entre algoritmos das redes sociais e tecnologias capazes de simular discursos ou situações inexistentes cria um cenário mais complexo para o funcionamento das democracias.
Efeitos da manipulação digital
Em democracias emergentes, onde instituições e cultura política ainda estão em processo de consolidação, os efeitos da manipulação digital podem ser ainda mais sensíveis. “É difícil afirmar com precisão, mas considerando que suas instituições podem ser mais frágeis para frear a disseminação de informações infundadas e que uma cultura política — valores democráticos consolidados na população — ainda está se enraizando, é provável que esses países enfrentem mais problemas e consequências danosas vindas da manipulação digital”, afirma Santos.
No Brasil, o tema já mobiliza autoridades eleitorais. Nos últimos anos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a adotar medidas para enfrentar a desinformação, como parcerias com plataformas digitais e iniciativas voltadas à checagem de informações durante os períodos de campanha. . “As instituições brasileiras, especialmente o TSE, têm demonstrado preocupação em lidar com o impacto das tecnologias digitais nas eleições e, na medida do possível, em regulamentar o processo. Contudo, é difícil prever os resultados com exatidão, pois esta será a primeira eleição presidencial com uma presença tão forte da IA”, explica o professor da UNIASSELVI.
Verdadeiro ou falso: como diferenciar conteúdos
Outro ponto de preocupação é a dificuldade da população em diferenciar conteúdos autênticos de materiais manipulados por inteligência artificial. Segundo Santos, a maioria das pessoas tende a confiar nas informações que consome online. “A maioria das pessoas tende a acreditar no que lê, assiste ou ouve, sendo difícil diferenciar o real do artificial. Seja porque a correria da rotina dificulta um acompanhamento atento, seja pela falta de educação digital ou porque a farsa, nas montagens, está cada vez mais próxima da realidade”, diz.
Especialistas defendem que o enfrentamento da desinformação exige uma combinação de regulação institucional e educação digital. Portanto, é preciso encontrar formas de regular a disseminação dessas informações, seja responsabilizando quem as compartilha ou obrigando as corporações a criarem mecanismos de alerta “Acredito que este seja um tema a ser incluído nas escolas, promovendo o letramento digital de crianças para que aprendam a analisar conteúdos de forma crítica. É fundamental, também, investir em campanhas públicas que alertem a população e orientem sobre o uso de ferramentas de checagem de fatos”, conclui o professor da UNIASSELVI.
Sobre a UNIASSELVI
A UNIASSELVI é uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, com mais de 500 cursos entre Graduação, Pós-Graduação, Técnicos e Profissionalizantes, ofertados nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD). Presente em todos os estados brasileiros, conta com mais de 1,3 mil polos e 16 unidades presenciais. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional com nota máxima no Recredenciamento Institucional concedido pelo Ministério da Educação (MEC).
Imagem Pixabay

