Saúde

Jornada digital do paciente avança como aliada da humanização em saúde

A tendência da digitalização em tornar a experiência do paciente mais segura e acolhedora

São Paulo, abril de 2026 – Um dos maiores desafios da jornada do paciente é garantir a continuidade e a integração do cuidado, evitando a fragmentação entre profissionais, serviços e etapas do atendimento. Para que o paciente não se perca no sistema, receba informações consistentes e tenha acompanhamento adequado, a adoção de estratégias de saúde digital aliada à humanização dos ambientes vem ganhando espaço para tornar essa jornada mais assertiva, segura e confortável. 

Estudos recentes indicam que a melhoria da jornada do paciente depende da combinação entre processos assistenciais bem coordenados, comunicação clara e empática e uso de tecnologias digitais como apoio ao cuidado [1]. O olhar sobre a qualidade em saúde deixou de se restringir exclusivamente ao desfecho clínico e passou a incorporar também a experiência do paciente, a segurança, a coordenação do cuidado e sua participação ativa nas decisões. 

Nesse cenário, a inteligência artificial tende a ganhar espaço como aliada de profissionais e instituições, ao apoiar fluxos, documentação, comunicação e personalização do atendimento, sempre com transparência, consentimento e supervisão humana. Ainda assim, mesmo diante dos avanços da IA, o olhar médico segue essencial para reduzir a desinformação, garantindo que o paciente compreenda, confie e se sinta seguro por meio de linguagem simples, acolhimento e escuta. “Quando o paciente se sente ouvido e respeitado, ele tende a buscar menos informações externas confusas e aderir melhor ao que foi orientado”, afirma Dr. Harley De Nicola, médico radiologista e superintendente da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI)

Apesar dos avanços tecnológicos, um dos maiores dilemas na área hospitalar continua sendo o tempo. A IA trouxe mais agilidade para processos burocráticos, mas, especialmente nos hospitais públicos, o tempo ainda é um grande desafio. Por isso, cabe ao profissional gerir esse recurso com atitudes de alto impacto, como comunicação objetiva e empática, fluxos organizados, trabalho em equipe e padronização de processos. 

Entre os pilares da humanização hospitalar está a preservação da experiência, da segurança e da adesão ao tratamento, com prioridade para uma conduta correta em todas as etapas do cuidado. Isso significa garantir que o paciente compreenda seu diagnóstico e seu plano terapêutico, com expectativas alinhadas, condutas individualizadas e coordenação contínua do atendimento. O objetivo é oferecer acolhimento, segurança e orientação ao longo de toda a jornada. 

Nesse contexto, integrar conhecimento técnico com sensibilidade e empatia é indispensável para conduzir decisões seguras e individualizadas. O médico não apenas diagnostica e trata, mas também ajuda a direcionar a jornada do paciente ao se comunicar com clareza, alinhar expectativas e garantir continuidade ao cuidado. Dessa forma, torna-se um dos principais responsáveis por dar sentido, direção e segurança à experiência do paciente dentro do sistema de saúde. Também cabe ao médico atuar como um filtro qualificado, acolhendo o que o paciente traz, sem julgamento, e transformando informações superficiais ou falsas em conhecimento seguro e confiável.  

Outro ponto essencial é simplificar o acesso, adaptar a comunicação e reduzir barreiras práticas. Isso inclui o uso de linguagem clara, materiais visuais e reforço das orientações, além da consideração de limitações cognitivas, sensoriais e do letramento em saúde. Também é fundamental facilitar o fluxo do atendimento, com menos etapas, e considerar fatores sociais, como transporte, custo e apoio familiar. 

Combinar qualidade técnica com cuidado humanizado é, portanto, decisivo para a percepção do paciente e para a confiança no serviço. Isso envolve acolher bem desde a chegada, manter comunicação clara e empática e garantir que cada etapa do cuidado seja compreendida. Reduzir esperas desnecessárias e assegurar respeito e atenção às necessidades individuais fazem diferença concreta na experiência do paciente. 

Ao longo dos anos, a humanização e a jornada do paciente evoluíram de um modelo centrado apenas na doença para um cuidado centrado na pessoa e em sua experiência. “O paciente deixou de ocupar um papel passivo e passou a participar mais ativamente das decisões, enquanto o médico assumiu uma função mais comunicadora e integradora do cuidado. Nesse processo, a tecnologia passou a apoiar o atendimento, sem substituir o valor essencial da relação humana”, completa Dr. Harley De Nicola. 

Referencias: 

  1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS).Integrated people-centred care. Genebra: World Health Organization, [2025?]. Disponível no portal da OMS.  
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Frameworkon integrated, people-centred health services: report by the Secretariat. Genebra: WHO, 2016. Disponível no portal da OMS. 
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION.Patient-reported experiences in primary care: metrics and assessment tool, rapid version. Genebra: WHO, 2025. Disponível no repositório IRIS/WHO.  

Sobre a FIDI 

Fundada em 1986 por médicos professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina – atual Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) –, a FIDI é uma Fundação privada sem fins lucrativos que reinveste 100% de seus recursos em assistência médica à população brasileira, por meio do desenvolvimento de soluções de diagnóstico por imagem, realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão médico-científica, ações sociais e filantrópicas. Com mais de 2.100 colaboradores e um corpo técnico formado por mais de 500 médicos parceiros, a FIDI está presente em 100 unidades de saúde nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás. É a maior empresa especializada em diagnóstico por imagem do Brasil. Em 2025, foram 4,8 milhões de exames realizados – um crescimento de 11% em relação a 2024, entre ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia, raios-X e densitometria óssea. Com soluções customizadas em diagnóstico por imagem, a FIDI oferece serviços de Telerradiologia, Gestão Completa, Consultoria, Educação Médica e Inteligência Artificial.  

A Fundação também trabalha na proposição de soluções inovadoras para a saúde pública, como sistema de análise de imagens de tomografia computadorizada por inteligência artificial e participou da primeira Parceria Público-Privada de diagnóstico por imagem na Bahia. Por duas vezes, a FIDI recebeu o prêmio Referências da Saúde 2019 e 2020, na categoria Qualidade Assistencial, e por três vezes foi medalhista em desafios internacionais de aplicação de inteligência artificial no diagnóstico por imagem, propostos na conferência anual da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, considerado o maior congresso do setor no mundo. Ao final de 2020, a Central de Laudos da FIDI obteve a certificação ISO 9001:2015 de Gestão da Qualidade e em 2023 renovou a certificação, pela International Organization for Standardization e, em 2021, recebeu o selo de “Excelente Empresa Para se Trabalhar” (GPTW). 

Desde 2014 a FIDI atua no projeto da carreta-móvel ‘Mulheres de Peito’, parceria com o Estado de São Paulo, que oferece exames gratuitos de mamografia. Já são mais de 300 municípios atingidos, cerca de 300 mil mamografias, 7 mil ultrassons, 700 biópsias, e mais de 3 mil mulheres encaminhadas. 

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