LÚPUS APARECE EM MAIS DE 11,7 MIL PACIENTES EM BASE NACIONAL E PACIENTES APRESENTAM DIAGNÓSTICOS COEXISTENTES COMO HIPERTENSÃO, ANEMIA E DOENÇA RENAL CRÔNICA
Levantamento da iHealth Clinical Insights mostra predominância em mulheres e
concentração de registros entre pacientes de 40 a 59 anos
Junho 2026 – Um levantamento da iHealth Clinical Insights dimensiona a presença do lúpus
na rede hospitalar brasileira. A análise, realizada em uma base de aproximadamente 3,1
milhões de pacientes atendidos em 52 instituições de saúde de 15 estados, nas cinco
regiões do país, aponta que 11.757 pacientes apresentam relato clínico de lúpus presente,
histórico ou em investigação, o equivalente a 0,38% da base analisada.
Doença autoimune, inflamatória e de manifestação sistêmica, o lúpus pode atingir diferentes
órgãos e apresentar quadros clínicos variados ao longo da jornada do paciente. Entre os
registros avaliados, o edema aparece como o sintoma mais recorrente, mencionado em
42,1% dos casos. Também são frequentes relatos de cefaleia (28,8%), dispneia (28,4%),
diarreia (23,7%) e hipotensão (22,3%), além de prurido, perda de peso e hematúria.
A análise mostra predominância da condição entre mulheres, que representam 74,1% dos
pacientes identificados, enquanto os homens correspondem a 25,7%. Em relação à faixa
etária, a maior frequência está entre pacientes de 40 a 59 anos, que representam 37,2%
dos registros. Na sequência aparecem os grupos de 60 a 79 anos (27,6%) e de 18 a 39
anos (24,8%). Pacientes de 0 a 17 anos correspondem a 5,8% na base analisada, enquanto
aqueles com 80 anos ou mais representam 4,6%.
Outro ponto de destaque está na presença de outros diagnósticos de saúde mencionados
em paralelo na jornada dos pacientes. Entre os pacientes com relato de lúpus, 52,3%
apresentam hipertensão arterial sistêmica, 26,1% anemia e 24% diabetes mellitus. A
doença renal crônica aparece em 19,8% dos registros, enquanto a nefrite lúpica, uma das
complicações diretamente associadas ao lúpus, foi identificada em 10% dos casos
analisados. Também aparecem menções a tabagismo (21,4%), coronariopatia (17,3%),
infecção do trato urinário (17,1%), infarto agudo do miocárdio (16,8%), trombose (9%) e
acidente vascular cerebral (6,9%).
Os resultados também apresentam os procedimentos realizados ao longo do
acompanhamento nas instituições. Entre os pacientes analisados, 30,8% passaram por
eletrocardiograma, 25,3% por hemodiálise, 23,4% por raio-X de tórax, 18,9% por biópsia e
18,4% por ultrassonografia. Procedimentos como transplante (15,1%), ecocardiograma
transtorácico (15%) e pulsoterapia (12,6%) também aparecem na base, indicando a
complexidade do cuidado exigido por parte desses pacientes.
Em relação aos exames laboratoriais, os mais frequentes foram FAN, ou fator antinuclear,
marcador de autoimunidade, presente em 22,4% dos registros; VHS, marcador inflamatório,
em 22,1%; e urocultura, em 20,4%. Entre os medicamentos mencionados, aparecem
prednisona (21,5%), furosemida (16,4%), heparina (15,9%) e hidroxicloroquina (12,4%).
A análise também mostra que o atendimento ocorre em diferentes perfis de instituições. Do
total de pacientes identificados, 49,2% estão em instituições que combinam atendimento
público, convênio ou particular. Outros 28,3% estão em unidades 100% públicas e 21,7%
em instituições que atendem apenas convênio ou particular.
Com uma média mensal de aproximadamente 1.325 pacientes com registros de
atendimento de saúde entre 2021 e 2025 nas instituições da Rede iHealth, os resultados
reforçam que o lúpus exige acompanhamento contínuo, especialmente pela possibilidade
de manifestações clínicas diversas e associação com condições cardiovasculares, renais e
hematológicas.
Para Karlyse C. Belli, Diretora de Dados da iHealth, a leitura dos resultados reforça a
importância do uso de dados de mundo real (RWD) em escala para compreender melhor a
jornada clínica dos pacientes. “Quando analisamos uma base de dados de mundo real a
nível nacional, conseguimos observar padrões que ajudam a dimensionar não apenas a
presença da doença, mas também as condições que ocorrem em paralelo com essa
doença, os sintomas mais recorrentes e os procedimentos que aparecem ao longo da
jornada dos pacientes. No caso do lúpus, a presença paralela de hipertensão, anemia,
diabetes e doença renal crônica mostra a importância de um acompanhamento integrado,
capaz de olhar para o paciente de forma ampla e contínua”, afirma.
Para especialistas, o lúpus ainda representa um desafio importante para o sistema de
saúde justamente por sua apresentação variável. Sintomas inespecíficos, períodos de
atividade e remissão da doença e acometimento de diferentes órgãos podem dificultar o
diagnóstico e atrasar o início do tratamento e acompanhamento adequado. Nesse contexto,
a análise de dados de mundo real brasileiros pode contribuir para identificar perfis, mapear
associações e apoiar estratégias de cuidado mais estruturadas.
Sobre iHealth
A iHealth atua na transformação de dados clínicos em inteligência aplicada à saúde. A
empresa utiliza inteligência artificial para processar grandes volumes de informações
assistenciais, estruturando dados e gerando relatórios que apoiam hospitais, indústria
farmacêutica e centros de pesquisa em ações estratégicas relacionadas à gestão do
cuidado, geração de evidências, identificação de perfis clínicos e desenvolvimento de
soluções analíticas para o setor.

