Aliança Empreendedora lança estudo sobre o ecossistema empreendedor, na abertura do Summit
Solenidade de abertura em Brasília reuniu quatro representantes do Governo Federal, além do Sebrae; ainda durante a apresentação, estudo inédito mostrou o impacto da formalização na redução da pobreza

Brasília, 10 de junho de 2026 – A cerimônia de abertura do Summit Aliança Empreendedora 2026 reuniu, na noite de ontem (9), no Teatro dos Bancários, representantes do primeiro escalão do governo federal, a liderança do Sebrae e mais de 300 representantes do ecossistema de apoio à economia popular, entre empreendedores, institutos, fundações e organizações sociais. O encontro, que abriga o Fórum Brasileiro do Microempreendedorismo e o Encontro Nacional de Microempreendedores, deu início aos três dias de programações voltadas a impulsionar os pequenos negócios da base da pirâmide.

A mesa de honra institucional contou com a participação da presidente da Aliança Empreendedora, Cristina Filizzola, do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, e de representantes dos ministérios de Desenvolvimento Social, das Mulheres e da Integração e Desenvolvimento Regional, além da direção do Sebrae Nacional. Na ocasião, o ministro Paulo Pereira des
tacou que “O Brasil melhorou muito nas últimas décadas e uma das grandes conquistas é ter construído uma sociedade civil, forte, potente, atuante, crítica – às vezes crítica demais, mas isso é bom – que tem permitido que a sociedade avance e que o governo se obrigue a estar à altura da sociedade, recebendo agendas e sofisticando as suas plataformas e políticas. Se o Estado brasileiro fez muito nas últimas décadas, e acho que fez, parte importante disso vem do trabalho da Aliança e de outras iniciativas da sociedade civil.”
Para Lina Maria Useche, cofundadora e head de relações institucionais da Aliança Empreendedora, a forte articulação política do evento reflete a urgência de colocar o empreendedorismo digno no centro das propostas eleitorais de outubro. “Conectar as potências das periferias diretamente com os tomadores de decisão dos ministérios é o caminho definitivo para estruturarmos políticas públicas transversais de inclusão produtiva e geração de renda real”, apontou.
Estudo revela o “CNPJ como escudo social”
O grande destaque técnico da noite foi o lançamento da segunda edição do estudo “Todos Podem Empreender”, apresentado por Mariana Rodrigues, Líder de Advocacy e Relações Governamentais.
O mapeamento evidenciou que a formalização dos negócios, com a obtenção de um CNPJ, funciona como um verdadeiro escudo social no Brasil, aumentando em 20,4 pontos percentuais a probabilidade de um microempreendedor de baixa renda superar a linha da pobreza (na faixa de corte de até US$ 3,65 por dia) no período de um ano após a formalização. O estudo também revela que a renda do empreendedor formalizado é quase três vezes superior à de quem segue na informalidade, que por sua vez tem mais dificuldades de se recuperar das instabilidades econômicas ou situações adversas, como a pandemia da COVID-19.
Outro achado sobre o segmento, entre 2016 e 2025, é o início do processo de transição demográfica: embora a base siga masculina (65,6%) e branca (44,5%), o setor registrou um expressivo salto na escolaridade, com a fatia de empreendedores com ensino superior saltando de 12% para mais de 20% no período. Desenvolvido a partir de um modelo econométrico inédito que monitorou os microdados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de forma contínua ao longo de uma década, o relatório trouxe dados relevantes sobre o impacto da regularização no país.
Para Mariana Rodrigues “a formalização é um dos principais combustíveis do motor da economia, pois fortalece a base produtiva e amplia a capacidade de crescimento dos empreendedores, mas formalização sozinha não é suficiente. Ela só gera impacto em renda e estabilidade se acompanhada de estrutura, capacitação e orientação”. Segundo ela, os microempreendedores individuais, as microempresas e as trabalhadores informais movimentaram aproximadamente R$ 43 bilhões em 2025.
Eleições e a “Análise Verde” nas periferias
Após o lançamento dos dados, a noite foi encerrada com dois painéis de debate estratégico mediados por Mônica Picavea, diretora-presidente do Instituto Artesano. A primeira mesa, focada nas interseccionalidades de raça e gênero, contou com as participações de Andreia Souza (HUB Valentes) e Camile Sahb (MDS).
Logo em seguida, o painel focado em “Análise Verde” reuniu o ambientalista Caetano Scannavino (ONG Projeto Saúde & Alegria), Jana Borghi (Impact Hub Belém) e a ativista de moda justa Carol Rosignoli para debater o papel do empreendedorismo digno nas eleições deste ano.
A agenda do Summit 2026 segue nesta quarta-feira (10) em duas frentes: no campo prático, os microempreendedores participam de oficinas integradas de gestão, inteligência artificial e liderança comunitária, no Teatro dos Bancários; no campo político, delegações nacionais, formadas por representantes do ecossistema de apoio ao empreendedor, como lideranças, gestores, organizações e empresas, além de empreendedores, realizam visitas técnicas a projetos sociais do Distrito Federal, e atividades de trabalho colaborativo e debates qualificados nos ministérios do Desenvolvimento Social (MDS), do Empreendedorismo (MEMP), dos Povos Indígenas (MPI) e do Trabalho e Emprego (MTE), dentro das temáticas de acesso à crédito para empreendedores negros e indígenas, os impactos da reforma tributária sobre a base da pirâmide, circuito de oportunidade para a inclusão produtiva das juventudes, entre outros.
O Summit é uma realização da Aliança Empreendedora com o Programa Empreender 360, e conta com o patrocínio do Bank of America, Fundação Arymax, Instituto Assaí, Fundação Grupo Volkswagen, Suzano, Sebrae, Instituto Aegea, Instituto Lojas Renner e Cielo. As inscrições para o último dia do evento estão abertas, e podem ser feitas por meio do site do evento.
Sobre a Aliança Empreendedora
A Aliança Empreendedora acredita que todos e todas os brasileiros podem empreender de forma digna e justa, e impulsiona o empreendedorismo na base da pirâmide como caminho para transformar o Brasil. Em 20 anos já apoiou mais de 400 mil microempreendedores, recebendo em 2023 o Prêmio de Melhor ONG de Geração de Renda do Brasil. Neste sentido, capacita e apoia gratuitamente microempreendedores formais e informais em comunidades e periferias de todo o país, gerando inclusão e desenvolvimento econômico social, em parceria com empresas, governos, organizações sociais e interessados na causa. Saiba mais no site da organização.

