Em apenas três meses, Brasil sobe para 12º lugar no ranking global de estudos clínicos com seres humanos
Salto pode ser consequência da movimentação que ocorreu nos últimos anos, em especial o Decreto nº 12.651/2025, que regulamentou a Lei da Pesquisa Clínica com Seres Humanos (Lei nº 14.874/2024) em outubro do ano passado
De acordo com uma pesquisa publicada pela Interfarma, o Brasil saltou da 18ª para a 12ª posição no ranking global de estudos clínicos iniciados. Entre 2020 e 2025, o Brasil avançou três casas no ranking global, chegando à 18ª posição no final de 2025. No primeiro trimestre de 2026, o país alcançou a 12ª posição, com 51 estudos registrados e 2,9% de participação. Ou seja, o país levou cinco anos para subir três posições e agora conseguiu avançar cinco posições em apenas três meses. E esse salto pode ser consequência da movimentação que ocorreu nos últimos anos, em especial o Decreto nº 12.651/2025, que regulamentou a Lei da Pesquisa Clínica com Seres Humanos (Lei nº 14.874/2024) em outubro do ano passado.
“Não há dúvidas de que o principal fator por trás das mudanças que o setor vive hoje é a chegada do marco regulatório da pesquisa clínica com seres humanos e sua regulamentação. O trabalho e a liderança da SCTIE/MS [Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, do Ministério da Saúde] e da INAEP [Instância Nacional de Ética em Pesquisa] têm sido fundamentais para esse avanço”, afirma Fernando de Rezende Francisco, Diretor Executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO).
Através de um trabalho conjunto entre poder público, comunidade científica, instituições de pesquisa e setor produtivo, importantes medidas foram conquistadas nos últimos tempos e contribuíram para tornar o ambiente regulatório mais eficiente e competitivo. Entre elas, destacam-se a implementação do Marco Legal da Pesquisa Clínica, a redução do tempo médio de avaliação ética dos estudos e a eliminação do passivo regulatório para ensaios clínicos na Anvisa.
“Antes da lei existir, as normatizações estavam em resoluções e não em uma lei, e isso gerava insegurança jurídica para pesquisadores e patrocinadores, além de prazos de aprovação longos que prejudicavam a competitividade internacional do Brasil. Agora, com uma política de estado para a pesquisa clínica e com a composição de um colegiado técnico cuidando da regulamentação da ética em pesquisa (INAEP), há maior previsibilidade nos processos e segurança para todos os envolvidos, especialmente para os participantes de pesquisa”, pontua Fernando.
Além de possibilitar a melhora da qualidade de vida dos pacientes e ampliar as opções de tratamentos para diferentes condições, a pesquisa clínica pode contribuir para a redução das filas do Sistema Único de Saúde (SUS), gerar novos empregos, impulsionar o desenvolvimento econômico e atrair novos investimentos estratégicos para o país. Atualmente, mais de 40 mil pessoas participam anualmente de ensaios clínicos no Brasil, um número que pode dobrar se os investimentos em pesquisa clínica avançarem no país.
“O Ministério da Saúde tem investido de forma consistente em pesquisa clínica, pois compreende todos os benefícios que o setor gera: econômicos, sociais, de inovação e de saúde. É preciso ainda reconhecer o trabalho das empresas do setor, que atuaram para que o Brasil pudesse ter uma lei que o tornasse mais competitivo e agora acompanham de perto as mudanças, para que, na prática, toda a sociedade brasileira possa colher esses frutos e o país ganhe mais destaque no cenário mundial”, ressalta Francisco.
A expectativa para os próximos anos é colocar o Brasil no Top 10 do ranking mundial de estudos clínicos iniciados. “O país possui cientistas extremamente competentes, ampla diversidade genética, e agora com uma lei e regras mais claras, o Brasil tem tudo para se tornar referência em pesquisa clínica, conseguir mais investimentos e mudar a vida de pacientes que encontram nos estudos clínicos uma esperança de melhorar sua saúde”, finaliza Francisco.
Sobre a ABRACRO
A Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica é responsável pela grande mudança na reputação dessa área tão importante para a saúde no Brasil. Desde 2005, ela representa as ORPCs (Organizações Representativas de Pesquisa Clínica) e contribui para a melhoria dos processos e atividades do setor. Hoje, são fonte para os órgãos reguladores do setor que, pela rigidez dos processos e questões éticas, muitas vezes a consulta antes da publicação de uma nova norma. A ABRACRO também realiza eventos e workshops para aproximar o paciente e o público leigo dos profissionais da área.
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