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Com aumento da demanda por atendimentos, ONGs brasileiras enfrentam desafios para se estruturar

O terceiro setor brasileiro vive um momento de expansão, mas acompanhar esse movimento exige mais do que ampliar projetos. Uma pesquisa realizada pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) em parceria com a CAF (Charities Aid Foundation), mostra que financiamento, gestão de pessoas, transparência e capacidade de comprovar resultados estão entre os principais desafios para quem quer ampliar a atuação. A pesquisa intitulada  World Giving Report: Charity Insights entrevistou a nível global 3.115 organizações em 27 países. No Brasil, 170 instituições responderam à pesquisa que ganhou um capítulo sobre esta visão a nível nacional:  “Panorama das ONGs: capítulo Brasil”.

O levantamento mostra um setor diante de um paradoxo: as lideranças demonstram confiança na capacidade de atender ao aumento da demanda, mas encontram obstáculos para sustentar esse crescimento. A sustentabilidade financeira é apontada como o principal desafio por 66% das organizações brasileiras. Também aparecem entre os pontos de atenção a atração e retenção de profissionais qualificados, o bem-estar das equipes e a mensuração e comunicação do impacto.

A pesquisa identifica seis dimensões consideradas fundamentais para a resiliência das organizações: propósito, saúde financeira e operacional, evidências de impacto, pessoas e cultura, parcerias e contexto. No campo da reputação, o estudo aponta ainda a profissionalização da gestão, a transparência, o uso de tecnologia e uma comunicação mais eficiente dos resultados como estratégias para ampliar a confiança de doadores, parceiros e da sociedade. Para isto, é preciso fortalecer a gestão.  

Entre as organizações que vêm apostando no fortalecimento dessas estruturas está o Instituto Ramacrisna, localizado em Betim. Com 67 anos de atuação em Minas Gerais, a Instituição incorporou práticas de ESG à gestão e, desde 2024, é signatária do Pacto Global da ONU, iniciativa que reúne compromissos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Na prática, a busca por uma gestão mais sustentável também passa por medidas de governança, integridade e transparência, aspectos que ganharam peso diante dos desafios apontados pela pesquisa.

A preparação de quem conduz a organização também ganhou espaço nessa estratégia. Os líderes estão passando por um processo de desenvolvimento baseado no Mapeamento de Perfil (MAPER), que trabalha aspectos como autoconhecimento, inteligência emocional, comunicação, tomada de decisão, gestão de conflitos e capacidade de conduzir equipes. A proposta é prepara-los não apenas para os desafios de gestão da própria organização, mas também para criar ambientes de trabalho mais colaborativos, desenvolver talentos e potencializar o desempenho das equipes. O investimento em qualificação se estende aos demais colaboradores, que têm acesso a cursos e capacitações direcionados às competências necessárias para suas funções e para seu desenvolvimento profissional.

Certificações nacionais e internacionais refletem os resultados

Essa combinação de impacto, gestão e governança também está entre os critérios considerados para certificações como a The Dot Good, plataforma internacional que avalia organizações sociais em diferentes países. Em 2026, o Instituto Ramacrisna alcançou a 18ª posição no ranking entre as melhores organizações sociais brasileiras e a 196ª colocação a nível mundial.

Mas os resultados não se resumem apenas à gestão. O cuidado com as pessoas e com o ambiente de trabalho também tem ganhado cada vez mais espaço na organização. Recentemente, o Ramacrisna recebeu a certificação FIB/GNH (Felicidade Interna Bruta), concedida pelo Governo do Butão, tornando-se a primeira organização social das Américas a conquistar o reconhecimento. A avaliação considera dimensões como bem-estar psicológico, relações interpessoais, governança, propósito e qualidade de vida. O Instituto recebeu três estrelas, em uma escala de uma a cinco.

Para a vice-presidente do Instituto Ramacrisna, Solange Bottaro, os reconhecimentos refletem uma visão de crescimento que vai além da ampliação das ações. “Quando uma organização social cresce, ela precisa crescer também na sua capacidade de gestão, de cuidar das pessoas, de prestar contas e de mostrar o impacto que produz. Não basta fazer mais; é preciso fazer bem, com responsabilidade e sustentabilidade. ”, enfatiza.

Treinamento com lideranças tem ajudado a impulsionar a gestão
Colaboradores também recebem capacitação
Reconhecimento sela metodologia de gestão

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