Saúde

Cardiologista esclarece nova classificação global do infarto do miocárdio e os impactos na prática médica

Especialista explica o fim dos códigos numéricos, a divisão das causas clínicas em três origens e os avanços na comunicação e no diagnóstico do ataque cardíaco

A publicação da Quinta Definição Universal de Infarto do Miocárdio marca uma virada histórica na forma como a principal causa de morte no mundo é compreendida e diagnosticada pela medicina. Elaborado em conjunto pelas quatro maiores entidades de cardiologia do planeta, a Sociedade Europeia de Cardiologia, o Colégio Americano de Cardiologia, a Associação Americana do Coração e a Federação Mundial do Coração, o novo consenso substitui os antigos rótulos numéricos por uma abordagem inteiramente focada nas origens clínicas do problema.

O infarto do miocárdio, nome técnico para o popular ataque cardíaco, ocorre quando parte do músculo do coração deixa de receber irrigação sanguínea e oxigênio de forma adequada, iniciando um processo de morte celular. A condição afeta cerca de 3,8% das pessoas com menos de 60 anos e atinge 9,5% da população acima dessa faixa etária. Por quase duas décadas, os episódios eram categorizados por uma sequência complexa de números e letras, como tipo 1, tipo 2 ou tipo 4c, que descreviam mecanismos específicos, mas pouco diziam aos pacientes no cotidiano dos consultórios.

O cirurgião cardíaco da Rede Oto, Dr. Milanez, explica que a simplificação representa um ganho direto para a relação médico-paciente e para a precisão do acompanhamento. “Por muito tempo, o paciente recebia uma codificação técnica que gerava mais dúvidas do que respostas sobre sua própria saúde. A nova classificação aproxima a medicina da linguagem prática. Ao explicar com clareza se o evento foi causado por uma placa obstruindo um vaso sanguíneo do coração, por uma alteração em decorrência de uma doença não cardíaca ou decorreu como consequência de um procedimento terapêutico, nós possibilitamos que o paciente entenda a origem da doença e ajude a aderir de forma muito mais consciente ao tratamento escolhido de acordo com o tipo de infarto”, ressalta o médico.

Sobre as mudanças: 

Com a atualização, todo infarto passa a ser enquadrado em uma de três grandes origens clínicas. A primeira é o infarto primário, que surge de forma espontânea devido a um evento agudo em uma artéria coronária, como a ruptura de uma placa de gordura, um coágulo, um espasmo ou a dissecção espontânea da parede do vaso. A segunda categoria é o infarto secundário, provocado por um desequilíbrio indireto entre a oferta e a demanda de oxigênio no músculo cardíaco, decorrente de condições como crises hipertensivas severas, hipotensão grave ou arritmias. Por fim, o infarto relacionado a procedimento compreende os casos registrados em até 30 dias após intervenções como o cateterismo com stent ou cirurgias de cardíacas.

Outro aspecto de grande relevância no novo consenso é o destaque dado à dissecção espontânea de artéria coronária dentro da categoria de infarto primário. Caracterizado por um rasgo na parede do vaso, esse tipo de infarto atinge predominantemente mulheres e é historicamente subdiagnosticado na medicina de emergência. A inclusão expressa da condição nas diretrizes e na Classificação Internacional de Doenças deve impulsionar pesquisas mais abrangentes e acelerar a identificação do problema.

Embora a nova classificação não altere as condutas de urgência no primeiro atendimento no pronto-socorro, que seguem os protocolos imediatos de desobstrução e estabilização, ela transforma o acompanhamento de pós-emergência, o registro epidemiológico global e o planejamento dos sistemas de saúde.

“A padronização global e a integração com os registros da Organização Mundial da Saúde permitirão mapear o comportamento das doenças cardiovasculares com extrema fidelidade. Na Rede Oto, essa clareza diagnóstica fortalece nossa capacidade de estruturar rotinas de prevenção secundária altamente personalizadas para evitar novos eventos”, conclui o especialista da Rede Oto.

Sobre a Rede Oto

A Rede Oto é referência em atendimento médico de excelência e alta complexidade em Fortaleza, dispondo de moderna infraestrutura tecnológica, centro completo de diagnóstico cardiovascular de alta precisão,  cirurgia cardíaca robótica, corpo clínico especializado no manejo, tratamento e prevenção de doenças cardíacas graves e complexas.

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