Economia

Por que empresas brasileiras estão crescendo dentro e fora do país ao mesmo tempo

Enquanto o Brasil atrai investimento estrangeiro, empresários transformam a expansão internacional em estratégia de crescimento

O Brasil vive um movimento que, à primeira vista, parece contraditório. Ao mesmo tempo em que atrai volumes recordes de investimento estrangeiro, cresce o número de empresários brasileiros que expandem suas operações para outros países.

Em 2025, o país recebeu US$77 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED), alta de 23% em relação ao ano anterior, consolidando-se como o terceiro maior destino mundial desse tipo de capital, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Paralelamente, empresas brasileiras ampliam sua presença em mercados como Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes Unidos.

Longe de representar uma perda de confiança na economia nacional, os dois movimentos refletem uma mudança na forma de crescer. Se antes a expansão internacional era consequência de um negócio consolidado, hoje ela integra o planejamento de longo prazo. Em vez de escolher entre Brasil e exterior, empresários buscam diversificar mercados, ampliar receitas e reduzir riscos.

Para Marcos Koenigkan, empresário multissetorial e especialista em estratégia de negócios, a principal transformação é de mentalidade. “Existe uma leitura simplificada de que investir fora significa perder a confiança no Brasil. Na prática, o empresariado busca construir operações mais sólidas. Internacionalizar deixou de ser um ponto de chegada e passou a ser uma ferramenta estratégica de crescimento”.

Essa mudança ocorre em um ambiente de negócios mais desafiador. Juros elevados, alta carga tributária, insegurança regulatória e volatilidade cambial aumentam a complexidade do planejamento. Ao mesmo tempo, o Brasil continua oferecendo um dos maiores mercados consumidores do mundo e oportunidades relevantes em setores como agronegócio, energia, tecnologia e serviços.

Segundo Paulo Motta, empresário e investidor, é justamente essa combinação que impulsiona esse movimento. “O Brasil continua sendo um mercado estratégico. Mas depender exclusivamente dele tornou-se uma decisão mais arriscada. Empresas competitivas aprendem a crescer em diferentes geografias porque isso amplia oportunidades e reduz vulnerabilidades”.

Além de diversificar receitas, a presença internacional fortalece as operações mantidas no país. O contato com outros mercados acelera a incorporação de tecnologias, práticas de gestão e modelos de negócios que aumentam a competitividade das empresas brasileiras.

Motta faz, porém, uma ressalva. “Internacionalizar não corrige problemas de gestão. Expandir uma empresa sem estrutura apenas amplia suas fragilidades. Crescer fora exige planejamento, governança e capacidade de adaptação”.

Mais do que uma tendência, o avanço das operações internacionais reflete uma mudança estrutural no ambiente de negócios. Em um mercado suscetível a transformações geopolíticas, inovação tecnológica e cadeias globais mais conectadas, competitividade passou a significar presença em diferentes mercados, e não apenas liderança no mercado doméstico.

Sendo assim, o desafio do Brasil não é impedir que empresas cruzem fronteiras, mas criar condições para que continuem investindo no país.

“A expansão internacional não representa uma saída do Brasil. Cada vez mais, ela faz parte da decisão de empresas que querem crescer globalmente sem deixar de enxergar o mercado brasileiro como um dos pilares do seu futuro”, conclui Koenigkan.

Sobre Marcos Koenigkan

Marcos Koenigkan é empresário, fundador da MK Participações e do Catálogo das Artes, além de sócio de negócios como LK Engenharia, Show Self Storage e Mercado & Opinião, além de responder pela operação do Clube de Permutas em São Paulo, uma plataforma de economia colaborativa multilateral. Atua no mercado imobiliário e de investimentos com foco em análise de viabilidade, inovação e networking corporativo de alto impacto.

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Marcos Koenigkan (esquerda) e Paulo Motta (direita)
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