
ONG brasileira leva cirurgias reconstrutivas gratuitas a crianças com sequelas de queimaduras em Angola
Missão da Kids Salvation acontece em setembro, em Lubango, com 28 profissionais de saúde
Para algumas crianças em Angola, uma queimadura pode deixar marcas que vão muito além da pele. Sequelas podem comprometer movimentos, autonomia e autoestima, especialmente quando o acesso a cirurgias reparadoras e acompanhamento especializado é limitado. É para atender parte dessas crianças que a ONG brasileira Kids Salvation prepara uma nova missão humanitária em Lubango, entre os dias 11 e 20 de setembro.
A missão reunirá 28 profissionais voluntários da área da saúde, que arcam com os próprios custos de passagem e hospedagem. A equipe oferecerá atendimento médico e odontológico, cirurgias reconstrutivas, suporte a casos complexos e capacitação de profissionais de saúde angolanos. Os procedimentos serão realizados no Hospital Central de Lubango, parceiro da organização no país.
Entre os principais públicos atendidos pela Kids Salvation estão crianças que convivem com sequelas provocadas por queimaduras domésticas. Segundo a organização, em algumas regiões de Angola, a falta de infraestrutura pode aumentar a exposição a situações de risco. Refeições são preparadas em fogueiras dentro de casa e, em locais sem fornecimento regular de energia elétrica, velas são utilizadas dentro das residências, inclusive durante a noite, ampliando a incidência de incêndios.
A dimensão do problema também aparece em estudos realizados no país. Uma pesquisa publicada em 2025, com pacientes de 0 a 5 anos atendidos no Hospital Especializado Neves Bendinha, em Angola, apontou que essa faixa etária representou 64% dos casos de queimaduras analisados no período estudado. Entre as crianças, os pacientes de 1 ano foram os mais afetados, correspondendo a 26% dos casos. O levantamento também identificou predominância de queimaduras térmicas e de segundo grau, evidenciando a vulnerabilidade das crianças pequenas a acidentes domésticos.
A atuação da Kids Salvation, porém, vai além da realização das cirurgias. Desde o início do projeto, a organização contabiliza mais de 700 atendimentos odontológicos, mais de 100 atendimentos pediátricos, mais de 40 atendimentos dermatológicos, 300 atendimentos clínicos e 85 cirurgias realizadas com sucesso.
A triagem dos pacientes que serão encaminhados para os procedimentos é feita pela empresa angolana Viva Seguros, que avalia a gravidade dos casos inscritos e valida a participação na missão. A iniciativa também busca atender pacientes com outras condições que demandam procedimentos reparadores, incluindo casos de tumores.
Um cuidado que continua após a missão
Um dos pilares da Kids Salvation é garantir que o trabalho não termine quando a equipe brasileira retorna ao país. Durante as expedições, médicos e outros especialistas brasileiros capacitam profissionais de saúde angolanos para que possam acompanhar os pacientes no período pós-operatório e lidar com diferentes desafios da rotina clínica.
Até o momento, mais de 50 médicos e 200 enfermeiros angolanos já participaram dos treinamentos promovidos pela ONG. A organização também deixa no hospital medicamentos, curativos, anestésicos, próteses e equipamentos cirúrgicos para contribuir com a continuidade dos cuidados.
Para pacientes albinos, a iniciativa disponibiliza ainda itens como blusas, chapéus e óculos, ampliando o atendimento para além do ambiente hospitalar.
Uma missão que nasceu de uma experiência pessoal
Fundada em 2020 pelo cirurgião plástico mineiro Dr. Leandro Gontijo e sua esposa, a enfermeira Pollyana Gontijo, a Kids Salvation nasceu de uma trajetória diretamente ligada à causa. Leandro sofreu uma grave queimadura na infância e, anos mais tarde, tornou-se cirurgião plástico especializado em procedimentos reparadores, incluindo casos de queimaduras.
O casal, que também é responsável pelo Instituto Mineiro de Cirurgia Plástica (IMCP), em Minas Gerais, se conheceu durante uma missão social na Bahia. A experiência contribuiu para aproximá-los do trabalho voluntário e, posteriormente, para a criação da organização.
Cada missão tem um custo estimado em R$ 200 mil, valor destinado à estrutura necessária para a realização dos atendimentos e cirurgias. Com a próxima expedição já prevista para setembro, a Kids Salvation busca novos apoiadores para alcançar a meta e garantir a continuidade do projeto.
“É mais do que realizar procedimentos cirúrgicos: fundamos a Kids Salvation para construir uma rede de cuidado que permaneça mesmo após o retorno dos voluntários brasileiros. Ao unir cirurgia reparadora, atendimento multidisciplinar, fornecimento de insumos e capacitação profissional, a ONG busca transformar não apenas a condição clínica das crianças atendidas, mas também suas possibilidades de movimento, autonomia, autoestima e futuro”, conta Leandro Gontijo, fundador da ONG.
Além da atuação em Angola, a organização planeja expandir o projeto para outros países. Após consolidar o trabalho no continente africano, a Kids Salvation pretende realizar sua primeira missão no Camboja, com previsão para 2027.
Os interessados em conhecer os projetos da ONG podem acessar o link https://kidssalvation.com/ , assim como ajudar com doações através da página https://kidssalvation.com/#ajudar. Para participar da Vakinha que está arrecadando doações para a missão humanitária 2026, que acontecerá em setembro, está disponível o link Vakinha: ID:6241828 / 6241828@vakinha.com.br.




