História

Árvores que contam histórias

Na chegada da primavera, projeto convida moradores a conhecer histórias de árvores de Sarzedo e seus cuidadores

Para comemorar o Dia da Árvore e dar as boas-vindas à primavera, o Projeto Vem Viver convida moradores de Sarzedo para uma caminhada diferente: um percurso para conhecer árvores da cidade e as histórias dos seus cuidadores.

As Caminhadas Ambientais do Projeto Vem Viver propõem percorrer a cidade em grupo a fim de conhecer praças, parques, hortos e outras áreas verdes que resistem no espaço urbano. Nesses lugares, é possível observar plantas e bichos, cursos d’água e nascentes e conversar com as pessoas que ajudam a preservá-los.

Na Caminhada Ambiental de Sarzedo, os participantes vão conhecer a história do flamboyant em frente ao Cartório, no centro da cidade, das árvores do Horto Florestal, no bairro Liberdade, e do sistema agroflorestal do Centro de Educação Ambiental Vem Viver, no bairro Aleixa Ferreira. Em cada parada, o grupo será recebido por pessoas que cuidam desses espaços. 

O último dos flamboyants 

Dona Gilma Batista, tabeliã, relembra a história do flamboyant em frente à sua casa, que é também o Cartório no centro da cidade de Sarzedo. Foi sua mãe, Nair Teixeira Batista, que encomendou o plantio de algumas árvores na sua rua, em 1988, entre elas três mudas de flamboyant, para ajudar a controlar a poeira que vinha da rua. Quem colocou a mão na terra naquele ano foi seu filho Amaral e dois amigos da família, Kennedy e José Narciso.

Sarzedo cresceu ao redor da sua estação ferroviária, inaugurada em 1917, onde hoje funciona o Museu da Estação, que atualmente está em reforma. Na rua de cima da estação, fica a casa de dona Gilma e o único pé de flamboyant que restou daqueles três, testemunha solitária de muitas transformações pelas quais a cidade passou, várias das quais levaram embora suas árvores.

Aos 38 anos, o flamboyant é hoje o único sobrevivente daquele plantio. No dia 19 de setembro, vamos nos reunir aos pés dele para ouvir Dona Gilma, que ainda luta pela sua preservação, e começar a caminhada.

Preservar, replantar e ensinar

O Horto Florestal de Sarzedo foi inaugurado em 2006 com o propósito de preservar uma área de mata no bairro Liberdade. Luciano Elias Benício, funcionário público do município, começou a trabalhar no local antes mesmo da sua inauguração, ajudando a limpar e estruturar a área.

Marlete Antônia de Souza começou sua história com as plantas em 1993, em uma floricultura. Em 2006, passou a trabalhar no Horto Florestal com a produção de mudas e manutenção do espaço. “Amo o que faço porque esse trabalho é vida”, ela diz. Já Rosilene da Conceição Moreira chegou na equipe há oito anos e diz aprender um pouco mais sobre o trabalho a cada dia.

No Horto, são produzidas mudas de plantas ornamentais, medicinais e árvores destinadas à arborização e jardinagem da cidade. Dali, elas seguem para prédios públicos, escolas, praças, áreas degradadas e, eventualmente, também são doadas à população. 

Ao longo dos anos, Luciano acompanhou visitas de estudantes de escolas públicas ao Horto. Para muitas crianças, foi a primeira vez que viram de perto uma nascente d’água, por exemplo. “O meu sonho é que esse espaço vire um parque ecológico”, ele diz. O espaço recebe grupos para visitas guiadas que devem ser agendadas com antecedência.

Na Caminhada Ambiental de Sarzedo, seremos recebidos pelo Luciano e pela Rosilene no Horto Florestal. São eles que vão nos guiar pelo local e contar algumas histórias das muitas árvores que vivem ali.

Em uma floresta, ninguém cresce sozinho

Essa é a ideia por trás do Sistema Agroflorestal (SAF) no Centro de Educação Ambiental Vem Viver, em Sarzedo. Ali, árvores frutíferas como goiaba, laranja, mamão, acerola e banana crescem lado a lado com outras espécies, como o milho, formando um sistema diverso que imita a dinâmica de uma floresta.

Essa lógica de cooperação também está presente no trabalho das pessoas que vêm transformando o CEA Vem Viver. Desde 2025, o Projeto Vem Viver trabalha para recuperar áreas degradadas e promover a agroecologia nos municípios de Sarzedo, Ibirité e Betim. Uma das ações é a reestruturação do CEA Vem Viver, que está se tornando um espaço de educação ambiental.

Além da agrofloresta, o espaço já ganhou um viveiro de mudas, uma horta, um tanque para tratamento ecológico de esgoto e uma cisterna para captação de água da chuva. São tecnologias sociais: soluções simples e de baixo custo que ajudam a melhorar a vida das pessoas e do meio ambiente.

Quem acompanha de perto essa transformação são Deucilene da Silva e Nilce Nicácio, do coletivo Marias Vão Com As Outras Sim!, grupo de mulheres que trabalha com agroecologia, costura criativa e artesanato sustentável. São elas que coordenam o CEA Vem Viver e vão colher os frutos do SAF, que já começa a produzir alimentos e gerar renda para o coletivo.

Na terceira e última parada da Caminhada Ambiental de Sarzedo, os participantes poderão conhecer o SAF Vem Viver, observar suas árvores que estão começando a crescer e conversar com as Marias sobre as mudanças no espaço.

Caminhar é mobilizar

Por trás de cada árvore, mata, nascente preservada dentro das cidades, existem pessoas, grupos e instituições que trabalham para isso. Com as caminhadas ambientais, buscamos conhecer essas histórias de uma forma diferente. A ideia é experimentar e estimular novas formas de participação cidadã na defesa do patrimônio socioambiental local.

Depois de passar por Ibirité, a série chega a Sarzedo e, em outubro, segue para Betim. 

Serviço:

Data: sábado, 19 de setembro de 2026

Horário: 8h às 12h30

Percurso: Flamboyant em frente ao Cartório > Horto Florestal > Centro de Educação Ambiental Vem Viver

Inscrições: https://forms.gle/Jx2ognNBQpZS1XxZ7

Atividade gratuita

Mais informações: www.instagram.com/projetovemviver

Sobre o Projeto Vem Viver

O Projeto Vem Viver atua para transformar as condições socioambientais da região do entorno da Lagoa de Ibirité, em Minas Gerais, promovendo agroecologia, mobilização comunitária e educação ambiental nos municípios de Sarzedo, Ibirité e Betim.

O Projeto Vem Viver é realizado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE), com apoio do coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim! e parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Imagens relacionadas


Deucilene da Silva em mutirão de plantio do SAF Vem Viver
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Gilma Batista em frente ao flamboyant
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Visita de escola ao Horto Florestal de Sarzedo – foto antiga
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Flamboyant em frente ao Cartório de Sarzedo
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