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O novo calendário da fertilidade: mulheres escolhem congelar óvulos cada vez mais cedo

Dados do SisEmbrio mostram alta de 136% em seis anos — e uma mudança de mentalidade: preservar óvulos deixou de ser plano B para virar decisão antecipada

Os dados mais recentes sobre congelamento de óvulos confirmam que a técnica deixou de ser exceção para se tornar peça central do planejamento reprodutivo das brasileiras. Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), os procedimentos saltaram de 7.872 para 18.631 entre 2020 e 2025 — crescimento de 136%. No período, o país somou 79.360 ciclos de congelamento.

Não é sobre ganhar tempo. É sobre ganhar escolha.
Para a ginecologista e obstetra da Clínica Origen BH, Dra. Janice Dolabela, os números refletem uma virada de mentalidade. “O planejamento da fertilidade consiste na organização consciente da capacidade reprodutiva como parte de um projeto de vida mais amplo. Hoje, muitas mulheres entendem que preservar a fertilidade não significa adiar a maternidade por medo, mas sim ganhar a liberdade de decidir o momento certo”, explica a médica.

A fertilidade, segundo ela, não é mais pautada pela urgência — é pautada por planejamento, conhecimento e autonomia. Preservar óvulos passou a ser tratado como parte do autocuidado e da previdência de longo prazo, um seguro biológico que garante previsibilidade sobre o próprio corpo.

A tendência de 2026: congelar mais cedo
Uma das mudanças mais nítidas observadas neste ano, revela a Dra. Janice, é a antecipação da idade em que as mulheres decidem congelar os óvulos — buscando o período de maior qualidade ovariana. “Essa decisão não é necessariamente impulsionada por uma condição médica, mas por uma estratégia preventiva. Preservar óvulos mais jovens aumenta as chances de sucesso no futuro e proporciona tranquilidade a longo prazo”, afirma.

O que é o congelamento de óvulos?
É a técnica de medicina reprodutiva que permite coletar e armazenar os gametas femininos em laboratório, em temperaturas extremamente baixas, por tempo indeterminado. Esses óvulos podem ser usados futuramente em um tratamento de fertilização in vitro (FIV) — com boas chances de sucesso, especialmente quando congelados em idade mais jovem, já que isso preserva sua qualidade.

Congelar os óvulos é hoje uma estratégia moderna, segura e eficiente de preservação da fertilidade — especialmente relevante em um cenário em que cada vez mais mulheres decidem adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou de saúde.

Quando o congelamento de óvulos pode ser indicado

  • Preservação social da fertilidade — para mulheres que desejam adiar os planos de gravidez para depois dos 35 anos (pode ser feito em idades mais avançadas, ajustando o número mínimo de óvulos a serem congelados)
  • Preservação oncológica ou terapêutica — para pacientes que precisam de tratamentos que colocam em risco a função ovariana, como terapias contra o câncer, cirurgias por endometriose ovariana (endometrioma), ou remoção de tumores benignos do ovário — como teratomas (cistos dermoides) e outras massas anexiais que exigem intervenção cirúrgica
  • Baixa reserva ovariana — histórico familiar de menopausa precoce ou risco de falência ovariana prematura por alterações genéticas
  • Transição de gênero — antes do início de hormonioterapia ou cirurgia em processos de transição para o gênero masculino

O procedimento é feito após estimulação ovariana e coleta dos óvulos, que passam pela técnica de vitrificação e são armazenados em tanques de nitrogênio, sem danos à integridade celular. Antes de qualquer etapa, porém, é fundamental avaliar a reserva ovariana da paciente.

Imagem Pixabay