
Setembro Verde: diálogo familiar é o passo decisivo para ampliar a doação de órgãos no Brasil
Campanha de conscientização nacional reforça a necessidade de avisar os parentes sobre o desejo de ser doador, único meio legal de autorizar o procedimento após a morte
Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Verde mobiliza a sociedade brasileira para conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. O foco central do movimento é incentivar as conversas sobre o tema dentro de casa, uma vez que, pela legislação vigente no país, a doação de órgãos de doadores falecidos depende exclusivamente da autorização da família.
A recusa familiar ainda é um dos maiores obstáculos para a realização de transplantes no Brasil. Muitas vezes, a negativa ocorre por desconhecimento da vontade do parente ou por dúvidas no momento do luto. No entanto, um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de mais de oito pessoas, beneficiando pacientes que aguardam por órgãos como rins, fígado, coração e pulmões, além de tecidos como córneas e ossos.
Para que o processo de doação ocorra, as instituições de saúde seguem protocolos rigorosos previstos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para a determinação de morte encefálica. A confirmação do diagnóstico envolve exames clínicos e complementares feitos por médicos diferentes, garantindo segurança e transparência em todas as etapas antes da abordagem familiar e da notificação à central de transplantes do estado.
“Informar a família em vida é a atitude mais eficaz para que a doação se concretize. Não há necessidade de registro em cartório ou documento formal; o consentimento dos parentes é o fator determinante. O papel das equipes de saúde é conduzir o processo com total rigor técnico e acolher os familiares em uma decisão que pode salvar vidas”, explica Paula Conceição Mesquita Silva Souza, Enfermeira da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT).
“O transplante representa esperança, recomeço e a oportunidade de transformar vidas. Por trás de cada procedimento, existe uma história de amor, solidariedade e generosidade, tornada possível pelo gesto da doação de órgãos e tecidos. Falar sobre transplante é também conscientizar a sociedade sobre a importância de dizer “sim” à doação e compartilhar esse desejo com a família”, reforça a Antônia Rozângela Souza de Oliveira, Enfermeira, mestre em Transplante e responsável pelo serviço de transplante do Oto Aldeota.
Ao longo do mês, iniciativas de conscientização em saúde buscam desmistificar o assunto e alertar para a relevância de abordar o tema de forma aberta, contribuindo para a redução do tempo de espera das milhares de pessoas que aguardam por um transplante no país.
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