
ARTICULAÇÃO ESTRATÉGICA ENTRE EIXOS DO ECOSSISTEMA AUDIOVISUAL É TEMA DE DEBATES SOBRE FINANCIAMENTO NA CINEBH
17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução
22 a 27 de setembro de 2026
20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte
Insegurança econômica, avanço do conservadorismo político, mas também urgências criativas, instigam debates sobre vias alternativas de financiamento para os cinemas latino-americanos independentes, da produção a formação, distribuição, exibição e preservação.
O Seminário Entre Imagens chegou ao seu terceiro dia nesta sexta-feira, dia 25 de setembro, priorizando questões sobre as possibilidades de financiamento dos cinemas latino-americanos em contexto de insegurança e instabilidade econômica, com a crise do modelo neoliberal e a iminência de uma guinada à extrema-direita, que ameaça a permanência de políticas e mecanismos públicos de fomento. A mesa Além dos fundos: novos ecossistemas de financiamento para o cinema independente buscou explorar caminhos para uma sustentabilidade estratégica, que, considerando as constantes inovações tecnológicas que também perturbam lógicas e paradigmas, consiga garantir continuidades na cadeia produtiva mesmo diante de cenários políticos e sociais adversos à cultura.
Lia Bahia, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense e mediadora do debate, alertou que precisamos refletir sobre as transformações nas arquiteturas de financiamento tanto na dimensão da internacionalização, quanto no mercado doméstico. Ainda, sublinhou que devemos pensar no ecossistema audiovisual em suas diferentes – e complementares – instâncias, não somente no eixo da produção: é preciso refletir sobre as necessidades de investimento em formação, distribuição, exibição e preservação – esta última instância, fundamental em um país, como o Brasil, que enfrenta desafios históricos na manutenção de sua memória cinematográfica. “Uma arquitetura de financiamento tem que ser pensada de diversas formas e com inventividade”, provocou.
Em concordância, Isona Admetlla, consultora criativa internacional e colaboradora do Brasil CineMundi, ponderou que devemos construir “ferramentas comunicativas” para negociar com outros agentes financiadores, capazes de alimentar a cadeia sistêmica do audiovisual de forma integrada. “Há dinheiro, há instituições privadas, há fundações, a questão é: como nos comunicamos com este setor?” Se, como pontua Leo Ordóñez, especialista em políticas públicas de economia criativa, organismos civis também são protagonistas ativos na elaboração de políticas públicas, torna-se ainda mais fundamental romper com certos preconceitos e buscar alianças táticas.
Mário Borgneth, coordenador Executivo da unidade técnica Brasil do programa CPLP, essa capacidade de negociação depende da construção de outros tipos de indicadores quantitativos, que, no Brasil, ainda deixam de expressar a realidade de um ecossistema muito diverso em suas frentes: como mensurar os números e resultados do cinema independente, dos circuitos de exibição não comerciais, das trocas que acontecem em espaços formativos, para evidenciar seus impactos econômicos e sensibilizar, “falando a linguagem do capitalismo”, investidores potenciais? “Há um grande mercado fora do mainstream, é um imenso campo de negócio, de soft power”. E acrescenta: “precisamos olhar mais para o Sul Global quando pensamos em internacionalização”.
Neste sentido, a mesa Coprodução internacional: entre parceria, financiamento e criação retomou e alinhavou questões sobre coproduções e os caminhos para ampliar as conexões e parcerias dentro da própria América Latina, grande foco desta edição do Seminário Internacional. A partir de sua prática como produtora num país expressivo em coproduções minoritárias com países latinos, Juliette Lepoutre pensa que “não é só sobre dinheiro, há uma relação humana e criativa que tem que continuar. Não somos apenas agentes financeiros, estamos de fato comprometidos com os filmes”.
A República Dominicana é um país que recentemente se abriu para essas possibilidades de cooperação francesa. Lei González, produtora da Media Jibara, relatou que, atualmente, seu país mantém relações apenas com Uruguai, Itália e Espanha, já que, segundo ela, é relativamente fácil financiar um filme na ilha caribenha por meio de incentivo fiscal, muito desenhado para a indústria local. Contudo, ela revelou que os dominicanos já estão trabalhando para abrir mais as fronteiras. “Essa maneira de trabalhar juntos, de criar comunidade e de sair da insularidade é fundamental”.
De certa forma, González antecipa uma possível resposta à indagação inicial de Renata Pelizon, Secretária de Financiamento Adjunta da ANCINE: por que coproduzir? “Para mim também tem a ver com o aspecto humano, e também com o perfil da produtora, com os sócios da produtora, é preciso ter certo pendor para entrar em contato com outras culturas”.
Segundo Pelizon, o plano de metas da Ancine para o audiovisual, que começa a valer ainda em 2026, prioriza, justamente, a internacionalização por meio de negociações de acordos de coprodução que promovam modelos de negócios mais flexíveis e condições jurídicas favoráveis. Ela revelou, ainda, duas novidades: um novo acordo com a França, que já é um dos maiores parceiros do Brasil, que engloba uma nova cooperação para televisão, recém aprovada no Congresso Nacional.
Pelizon mencionou, ainda, um inédito acordo entre Brasil e China, a ser promulgado pelo Poder Executivo, e outros esforços para ampliar a gama de convênios com países como Turquia, Líbano, Geórgia e México, além de estreitar laços mais tradicionais com Portugal, Argentina e Uruguai. Em breve, o comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual deverá lançar novo edital com 50 milhões de reais para coproduções, com ressalvas sobre os desafios, concretos, em relação à previsibilidade de tais mecanismos, um antigo e persistente calcanhar de Aquiles da Ancine.
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A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).
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SERVIÇO
20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO
22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA
Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE
Patrocínio Master: PETROBRAS
Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE
Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV
Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL
Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO
MINISTÉRIO DA CULTURA
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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366
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Site oficial do evento: www.cinebh.com.br
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