
Yuka analisa 10 produtos com apelo saudável e revela o que está por trás da embalagem
Os 10 produtos trazem alegações como “fit”, “zero”, “integral” ou “fonte de fibras”, mas contêm aditivos que despertam preocupação e, em vários casos, excesso de sódio ou açúcar
São Paulo, 28 de setembro de 2026 – Você já escolheu um produto porque ele parecia mais saudável do que outras opções disponíveis na prateleira? Termos como “fit”, “zero”, “integral” e “fonte de fibras” podem influenciar essa percepção, mesmo quando destacam apenas uma característica específica do alimento.
Esse efeito ocorre quando um atributo positivo destacado na embalagem influencia a forma como o consumidor enxerga o produto como um todo, fazendo com que ele pareça mais saudável do que uma análise completa de sua composição pode indicar. Para mostrar como isso acontece na prática, o aplicativo Yuka, que permite escanear códigos de barras de alimentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal para avaliar seu impacto na saúde, identificou 10 produtos disponíveis no mercado brasileiro que utilizam diferentes alegações relacionadas à saúde e ao bem-estar.
Quando “fit” e proteína parecem sinônimos de saudável
Produtos voltados para um estilo de vida associado à prática de atividades físicas costumam destacar proteínas, baixo teor de gordura, saciedade e benefícios relacionados à recuperação muscular. Essas alegações podem ser verdadeiras, mas não necessariamente refletem a composição ou a qualidade geral do produto.
Rap 10 FIT — Nota Yuka: 49/100
A alegação: “FIT” e “Baixo em gordura”.
O que chama atenção: o produto contém mono e diglicerídeos de ácidos graxos e ácido sórbico, além de excesso de sódio. Segundo a avaliação da Yuka, esses aditivos despertam preocupação devido aos possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal e, no caso do ácido sórbico, a possíveis danos ao DNA.
YoPRO + Boost — Nota Yuka: 0/100
A alegação: “23 g de proteína”, “recuperação e fortalecimento muscular”, “saciedade” e “regeneração”.
O que chama atenção: o produto contém carboximetilcelulose sódica, carragena, fosfatos e sucralose, além de excesso de açúcar, com 4,8 g por 100 g, o equivalente a 20% da ingestão diária de açúcar recomendada pela OMS. Entre as preocupações estão possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal e inflamações intestinais, além da ingestão excessiva de fósforo proveniente dos fosfatos.
Nutry Protein Bar — Nota Yuka: 48/100
A alegação: “Proteína” e “9 g de proteína”.
O que chama atenção: o produto contém dióxido de titânio e mono e diglicerídeos de ácidos graxos, além de excesso de açúcar, com 6,8 g por 100 g, o equivalente a 28% da ingestão diária de açúcar recomendada pela OMS. Segundo a Yuka, esses ingredientes são pontos de preocupação devido aos possíveis efeitos sobre a microbiota intestinal e, no caso do dióxido de titânio, à sua classificação como “possivelmente cancerígeno” pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Seu uso em alimentos é proibido na União Europeia desde 2022.
Quando “zero” parece dizer mais do que realmente diz
“Zero” é uma das mensagens mais fortes presentes nas embalagens de alimentos. No entanto, a ausência ou redução de um componente específico não significa necessariamente que o produto como um todo tenha um perfil nutricional positivo.
Heinz Tomato Zero — Nota Yuka: 48/100
A alegação: “Zero” e “Zero açúcar adicionado”.
O que chama atenção: o produto contém sucralose e excesso de sódio. O consumo de adoçantes como a sucralose tem sido estudado por possíveis associações com problemas metabólicos e cardiovasculares.

Batavo Grego Pense ZERO — Nota Yuka: 48/100
A alegação: “70% menos gordura total”, “Sem açúcar adicionado”, “Pense Zero” e “Pensado para sua natureza”.
O que chama atenção: o produto contém aspartame e sorbato de potássio. O aspartame é classificado pela IARC como “possivelmente cancerígeno” (Grupo 2B), enquanto o sorbato de potássio está sendo investigado por possíveis efeitos sobre o DNA e a microbiota intestinal.
Danone Zero Yogurt — Nota Yuka: 7/100
A alegação: diversas alegações de “0%”, incluindo para açúcares adicionados, colesterol, gordura saturada, gordura trans e lactose.
O que chama atenção: o produto contém sucralose e sorbato de potássio. De acordo com o aplicativo Yuka, as principais preocupações estão relacionadas às possíveis associações entre esses aditivos e alterações metabólicas, efeitos sobre a microbiota intestinal e danos ao DNA.
Nestlé Iogurte Batido Zero — Nota Yuka: 9/100
A alegação: “0% lactose”, “0% açúcar adicionado” e “0% gordura total”.
O que chama atenção: o produto contém fosfato tricálcico, sorbato de potássio e sucralose. Os fosfatos são considerados um ponto de preocupação devido ao possível impacto da ingestão excessiva de fósforo na saúde dos rins, dos ossos e do sistema cardiovascular.
Quando ingredientes associados à saúde ganham destaque
Outra forma de criar uma percepção positiva é destacar ingredientes e nutrientes associados a uma alimentação equilibrada, como cereais integrais, fibras e cálcio.
Nesfit — Nota Yuka: 21/100
A alegação: “36% de cereais integrais” e “com pedaços de avelã”.
O que chama atenção: o produto contém fosfato monocálcico, caramelo IV e TBHQ, além de excesso de açúcar, com 22 g por 100 g. Isso representa quase 90% da ingestão diária de açúcar recomendada pela OMS em apenas 100 g de biscoitos. Entre as preocupações estão a ingestão de fósforo proveniente dos fosfatos, possíveis efeitos prejudiciais do TBHQ sobre o sistema imunológico e a presença potencial de contaminantes preocupantes no caramelo IV.
Belvita Cacau e Cereais — Nota Yuka: 27/100
A alegação: “Fonte de cálcio e fibras”, “66% de 4 cereais integrais” e “Zero gordura trans”.
O que chama atenção: o produto contém fosfato monocálcico. Segundo a avaliação da Yuka, o ingrediente é um ponto de preocupação por contribuir para a ingestão de fósforo, especialmente em casos de consumo elevado.
Equilibri Panetini Presunto Defumado — Nota Yuka: 18/100
A alegação: “Baixo em gordura saturada”, “Assado”, “Sem gordura trans” e “Zero colesterol”.
O que chama atenção: o produto contém diversos aditivos, incluindo glutamato monossódico (MSG), além de excesso de sódio, com 510 mg por 100 g, o equivalente a um quarto da ingestão diária de sódio recomendada pela OMS. A Yuka destaca o alto teor de sódio e o possível risco de aumento de doenças cardíacas associado ao MSG.
Como olhar além da embalagem
Uma alegação presente na embalagem não é necessariamente falsa. O problema surge quando uma única mensagem no rótulo influencia a percepção sobre todo o produto e faz com que outros aspectos de sua composição passem despercebidos.
Pesquisas mostram que as alegações presentes nas embalagens de alimentos podem influenciar significativamente o comportamento dos consumidores. Esse fenômeno é conhecido como “efeito halo de saúde” (health halo effect), quando informações positivas na parte frontal da embalagem, como alegações nutricionais, levam os consumidores a perceber um produto como mais saudável do que ele realmente é.
Um estudo brasileiro publicado em 2022 mostrou que alegações nutricionais reduziram em 32% a probabilidade de os consumidores identificarem corretamente o excesso de nutrientes críticos, como açúcar, gordura saturada ou sódio.
Para evitar esse efeito, os consumidores devem olhar além das alegações de saúde presentes nas embalagens. No Brasil, a rotulagem nutricional frontal ajuda a identificar produtos com alto teor de açúcares adicionados, sódio ou gordura saturada. Consultar a lista de ingredientes também oferece informações adicionais, enquanto ferramentas como a Yuka podem ajudar os consumidores a compreender melhor a composição dos produtos e fazer escolhas mais informadas.
Quanto mais informados os consumidores estiverem, maior será sua capacidade de tomar decisões e de pressionar as marcas por formulações mais transparentes. Ferramentas digitais, como a Yuka, podem reforçar esse movimento.
“Quando criamos a Yuka, uma das coisas que chamou nossa atenção foi justamente a forma como as embalagens podem influenciar a percepção dos consumidores. Uma única palavra ou alegação em destaque na embalagem pode levar as pessoas a associar o produto inteiro a uma escolha saudável, sem necessariamente conhecer sua composição completa. A Yuka também foi criada para ajudar os consumidores a olhar além dessas mensagens e entender melhor o que realmente está presente nos produtos que compram”, afirma Julie Chapon, cofundadora da Yuka.
A recomendação não é ignorar as embalagens, mas analisá-las de forma mais crítica. É a composição completa, e não uma única palavra em destaque, que mostra o que realmente está dentro da embalagem.
Sobre a Yuka
Fundada em 2017, a Yuka é um projeto totalmente independente e orientado a gerar impacto. O aplicativo permite que os usuários escaneiem os códigos de barras de alimentos e produtos cosméticos para avaliar seu impacto na saúde, com o objetivo de ampliar a transparência sobre a composição dos produtos e ajudar os consumidores a tomar decisões melhores para sua saúde.
Atualmente, o aplicativo conta com mais de 90 milhões de usuários em todo o mundo e está disponível em 17 países. Saiba mais em https://yuka.io/pt/.
Contato de imprensa: yuka@sherlockcomms.com
Imagens para imprensa: https://yuka.d.pr/f/75EAoS
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