O que está fazendo jovens deixarem empregos formais para ganhar dinheiro na internet?
Pesquisa mostra que preferência por trabalho autônomo cresce entre brasileiros de 16 a 29 anos quando eles projetam os próximos cinco anos; creators contam como a internet mudou suas relações com renda e carreira


Ter um emprego com carteira assinada continua sendo o desejo de parte dos jovens brasileiros, mas não necessariamente aparece como o destino profissional para toda a vida. Uma pesquisa recente mostra que, quando pensam nos próximos cinco anos, cresce entre eles a preferência por trabalhar de forma autônoma e a internet passou a abrir uma das possibilidades para quem busca construir a própria fonte de renda.
Levantamento realizado pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1.816 brasileiros de 16 a 29 anos em 2026. Entre os entrevistados, 30% disseram que atualmente gostariam de ter um emprego com carteira assinada. Quando projetam os próximos cinco anos, porém, esse percentual cai para 16%. No mesmo cenário, a preferência por trabalhar por conta própria sobe de 28% para 42%.
Os motivos não estão necessariamente ligados apenas ao dinheiro. O salário é o principal fator apontado pelos jovens na escolha de um trabalho, mas 62% afirmam que aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar em um ambiente considerado mais saudável, com menos pressão e estresse.
É nesse cenário que aparecem histórias de jovens que passaram a transformar a própria presença na internet em fonte de renda. Alguns mantêm outras atividades; outros deixaram empregos formais depois que a produção de conteúdo começou a gerar resultados capazes de substituir parte ou toda a renda anterior.
Do estoque de uma multinacional aos R$ 100 mil
Um deles é Erick Souza, de 23 anos, do ABC Paulista. Antes de trabalhar com produção de conteúdo, ele passou cerca de dois anos como estoquista de uma multinacional, com jornada de oito horas por dia, de segunda a sábado.
Hoje, estudante de Nutrição, ele divide a rotina entre a faculdade, os treinos e a produção de conteúdo. Em 24 dias após começar a monetizar sua audiência na Privacy, Erick alcançou R$ 100 mil em faturamento.
A entrada na plataforma aconteceu depois que o crescimento de sua audiência nas redes sociais fez com que seguidores sugerissem que ele ampliasse a produção de conteúdo. O que começou como uma nova possibilidade de renda passou a ocupar um espaço maior em sua rotina profissional.
O dinheiro já permitiu a compra do primeiro carro e agora o estudante tem uma nova meta: a casa própria.
Para Erick, a mudança não está apenas no resultado financeiro, mas também na forma de organizar o cotidiano.
“O que mais valorizo é a liberdade para organizar meu tempo. Você deixa de viver apenas para trabalhar e passa a construir uma rotina em que o trabalho se adapta melhor à sua vida”, afirma.
De R$ 700 por mês à possibilidade de trabalhar de qualquer lugar
A mudança de rotina também aparece na história de Mirelly Gomes, que começou a trabalhar aos 16 anos em um escritório de advocacia. Na época, recebia R$ 700 por mês.
Depois, passou por outros empregos e chegou a receber cerca de R$ 1.200 mensais. A rotina era marcada pelos horários fixos e pelas obrigações de um trabalho convencional.
Hoje, Mirelly concilia a produção de conteúdo com uma rotina mais flexível. Segundo ela, a atividade também permitiu conhecer outros países, entre eles Dubai, Catar, Portugal e Marrocos.
“Hoje em dia eu tenho minha liberdade. Eu acordo a hora que eu quero, durmo a hora que eu quero, trabalho da onde eu quero, posso viajar, posso estar em qualquer lugar do mundo”, conta.
O caso dela representa outro aspecto da mudança: para alguns jovens, a busca por uma nova forma de trabalhar está relacionada não apenas à renda, mas à possibilidade de ter maior controle sobre horários e localização.
Mais de R$ 6 mil em 40 minutos
Já Alana Oliveira teve uma experiência diferente. Cerca de 40 minutos depois de abrir sua conta na Privacy, ela afirma ter alcançado mais de R$ 6 mil em faturamento.
O resultado fez com que a produção de conteúdo ganhasse espaço entre suas atividades e levou a creator a compartilhar nas redes sociais parte do que aprendeu desde o início.
Para ela, uma das dificuldades enfrentadas por quem decide começar é lidar com a opinião de outras pessoas.
“Vai sem dó. Na hora de pagar suas contas ninguém vai pagar pra você”, afirma.
FOTOS: DIVULGAÇÃO/PRIVACY


