Saúde

O diagnóstico de câncer não precisa encerrar o sonho da maternidade

Congelar óvulos ou embriões antes da quimioterapia ou da radioterapia permite preservar o potencial reprodutivo da mulher. O ponto decisivo é conversar sobre isso logo no diagnóstico.

Receber o diagnóstico de câncer desloca todas as prioridades. Para quem ainda deseja ter filhos, porém, há uma pergunta que precisa ser feita cedo: o tratamento pode afetar minha fertilidade? A quimioterapia, a radioterapia e algumas cirurgias podem comprometer, às vezes de forma definitiva, a função dos ovários e a produção de espermatozoides. Por isso, a conversa sobre preservação da fertilidade deve acontecer antes do início do tratamento oncológico.

Nas mulheres adultas, as técnicas mais consolidadas são o congelamento de óvulos e o congelamento de embriões. Nos homens, o recurso mais indicado é o congelamento de sêmen, simples e rápido. Em situações específicas, como urgência para iniciar o tratamento ou pacientes muito jovens, também pode ser considerado o congelamento de tecido ovariano.

Um cenário que exige atenção

O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos por ano no triênio 2026 – 2028. Embora o risco aumente após os 50 anos, uma parcela das pacientes é diagnosticada ainda em idade reprodutiva, muitas vezes antes de ter realizado o projeto de ter filhos.

Agilidade, sem abrir mão da segurança

“A mulher que recebe o diagnóstico de câncer precisa planejar rapidamente o congelamento de óvulos ou embriões, antes mesmo de iniciar o tratamento da doença. É um momento delicado, de grande fragilidade emocional, mas é preciso agilizar”, afirma a ginecologista e obstetra Dra. Janice Dolabela, da Clínica Origen BH.

A medicina reprodutiva evoluiu justamente para caber nessa urgência:

  • A estimulação pode começar em qualquer fase do ciclo menstrual, sem esperar a menstruação, o que encurta o processo para cerca de duas semanas.
  • Em tumores sensíveis a hormônios, como muitos cânceres de mama, utilizam-se protocolos com letrozol, que mantêm os níveis de estrogênio mais baixos durante a estimulação.
  • Medicamentos que suprimem temporariamente os ovários podem ser associados, em pacientes com câncer de mama, como proteção complementar durante a quimioterapia.
  • A preservação também pode ser discutida depois do tratamento. A diretriz internacional mais recente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomenda retomar o tema no acompanhamento pós-câncer, inclusive para quem não congelou óvulos antes ou congelou em número insuficiente.

Quando o congelamento de óvulos pode ser indicado por motivo médico

  • Tratamentos oncológicos que ameaçam a função ovariana, como quimioterapia, radioterapia pélvica e alguns transplantes de medula.
  • Cirurgias ovarianas que podem reduzir a reserva de óvulos, como a retirada de endometriomas (cistos de endometriose) ou de tumores benignos, como teratomas (cistos dermoides) e outras massas anexiais.

Como funciona

Primeiro, avalia-se a reserva ovariana, isto é, a estimativa de quantos óvulos a mulher ainda tem. Em seguida, os ovários são estimulados com medicações por cerca de 10 a 12 dias e os óvulos são coletados em um procedimento rápido, sob sedação. Eles são então congelados por vitrificação, uma técnica ultrarrápida que evita a formação de cristais de gelo, e armazenados em nitrogênio líquido, onde podem permanecer por anos sem perder qualidade.

O essencial é que a conversa aconteça cedo, de forma integrada entre o oncologista e o especialista em reprodução. Preservar a fertilidade não atrasa de forma relevante o tratamento do câncer quando o encaminhamento é rápido, e garante que o futuro continue com possibilidades.

Clínica Origen BH – Centro de Medicina Reprodutiva

Especializada em Reprodução Humana, a Clínica Origen nasceu com o propósito de reunir atenção médica, tecnologia e acolhimento humano a serviço do bem-estar de seus pacientes. Fundada em Belo Horizonte em 1995 pelos médicos Marcos Sampaio e Selmo Geber (in memoriam, 1965–2021), a clínica mantém alto padrão tecnológico e desenvolve pesquisas científicas reconhecidas. Em 2026, completa 31 anos de história.

A Origen foi pioneira no Brasil em técnicas como o diagnóstico genético pré-implantacional (PGT, antigo PGD), que identifica doenças genéticas no embrião antes da transferência para o útero; a transferência de embriões em estágio de blastocisto, fase mais avançada do desenvolvimento, próxima ao momento natural de implantação; o congelamento de tecido ovariano; o freeze-all, ou FIV em dois tempos, para pacientes com contraindicação à transferência no mesmo ciclo de estimulação; e a transferência de blastocistos sem zona pelúcida, indicada em casos de falha repetida de implantação.