Economia

Cesta de Natal: produtos típicos ficaram 3,5% mais caros, aponta levantamento do setor supermercadista

Cesta com dez itens natalinos foi calculada em R$ 351,80; alta dos alimentos e custos de distribuição entram no planejamento das ações corporativas de fim de ano

A definição dos presentes de Natal para funcionários envolve uma conta que vai além do valor de cada item: empresas precisam estimar o orçamento total, negociar com fornecedores e organizar a distribuição antes do aumento da demanda típico de dezembro. Para quem pretende oferecer cestas natalinas, acompanhar os preços dos produtos sazonais é uma das etapas desse planejamento.

Um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) calculou em R$ 351,80 o preço de uma cesta composta por dez produtos típicos das festas de fim de ano em 2025, alta de 3,5% em relação ao ano anterior. A seleção reunia aves natalinas, azeite, caixa de bombons, espumante, lombo, panetone, pernil, peru e tender, entre outros itens.

O estudo também identificou diferenças entre categorias. As proteínas típicas das festas registraram reajuste projetado de 5,8%, enquanto os produtos tradicionais de Natal, como panetones, chocotones, biscoitos especiais e chocolates, apresentaram variação média de 7,4%. Os dados mostram que os itens sazonais podem ter comportamento de preços diferente do observado na alimentação cotidiana.

Inflação dos alimentos mantém o orçamento no radar

Os preços dos alimentos continuaram exigindo atenção em 2026. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alimentação no domicílio subiu 0,96% em setembro, após três meses consecutivos de queda. Entre os aumentos do mês, o tomate avançou 37,76%, a batata-inglesa, 24,07%, e a cebola, 10,14%.

O resultado não significa que as cestas natalinas tenham encarecido nas mesmas proporções: o índice mede os preços de alimentos consumidos pelas famílias, e não os preços de kits corporativos. Ainda assim, ajuda a contextualizar o ambiente de custos em que as empresas organizam suas compras de fim de ano.

O que entra na conta das empresas

Na compra de cestas para equipes, o custo final depende da composição dos kits, do volume contratado, das condições negociadas com o fornecedor e da logística necessária para a entrega. Uma cesta com produtos de maior valor agregado, por exemplo, não pode ser comparada diretamente com um conjunto mais básico de alimentos.

O planejamento também precisa considerar o número de funcionários contemplados, os endereços de entrega e o prazo disponível para a operação. Em empresas com equipes distribuídas por diferentes cidades, essas variáveis podem alterar o orçamento e exigir uma organização antecipada.

Outra decisão é definir o formato da ação: cesta física, a oferta de um cartão para premiação de funcionários benefício em valor ou outra forma de reconhecimento. A comparação entre alternativas deve considerar o custo total da iniciativa e o objetivo da empresa, sem presumir que uma modalidade seja sempre mais econômica ou mais adequada do que outra.

Para Marcelo Lopes, CEO da Eva Benefícios, empresa que atua com soluções de premiação corporativa, a decisão deve levar em conta tanto o planejamento financeiro quanto as necessidades dos funcionários.

“A decisão não deve considerar apenas o valor de cada cesta. É importante colocar na conta os custos de montagem e entrega, as condições de concessão do benefício e o que faz mais sentido para os funcionários”, afirma.

Com a proximidade de dezembro, a análise de preços, a negociação com fornecedores e a definição da logística ajudam as empresas a dimensionar a iniciativa antes de fechar os pedidos. A referência da ABRAS oferece uma base concreta sobre o custo de uma seleção de produtos natalinos, enquanto os indicadores do IBGE ajudam a acompanhar a evolução mais recente dos preços dos alimentos.