Canabidiol pode reduzir crises em epilepsias refratárias, mas uso deve ser criterioso, explica médico
Evidência científica é mais sólida em síndromes raras como Dravet, Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa complexa
Brasil, março de 2026 – O canabidiol (CBD) tem demonstrado eficácia na redução da frequência de crises em alguns tipos de epilepsia de difícil controle. Segundo o médico clínico-geral Dr. Adam de Lima Alborta, o tratamento deve ser utilizado de forma criteriosa e geralmente como terapia complementar aos antiepilépticos tradicionais.
O interesse médico e científico pelo uso do canabidiol no tratamento da epilepsia cresceu nos últimos anos, impulsionado por estudos clínicos que demonstram redução da frequência de crises em pacientes com epilepsia refratária. De acordo com Alborta, o composto atua ao modular mecanismos ligados à atividade elétrica do cérebro. “Sabemos que o CBD modula alvos envolvidos na excitabilidade neuronal e no fluxo de cálcio nas células nervosas. Em termos práticos, isso pode ajudar a reduzir a hiperatividade elétrica que envolve as crises epilépticas”, explica.
Apesar do avanço das pesquisas, a evidência científica mais consistente está concentrada em três síndromes raras: síndrome de Dravet, síndrome de Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa complexa (TSC). Formulações farmacêuticas padronizadas de canabidiol para essas condições já foram aprovadas por agências regulatórias internacionais como a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Segundo o médico, é importante destacar que o canabidiol não costuma ser a primeira linha de tratamento. “Na prática clínica, o canabidiol costuma ser considerado para pacientes com epilepsia farmacorresistente, especialmente quando as crises persistem apesar do uso adequado de antiepilépticos convencionais. O que os estudos mostram é benefício principalmente quando o CBD é adicionado ao tratamento já existente”, ressalta.
Um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA Neurology também reforçou esses achados. O estudo avaliou 199 crianças com síndrome de Dravet que receberam canabidiol em doses de 10 ou 20 mg/kg por dia como terapia adjuvante. A frequência das crises convulsivas caiu cerca de 48,7% no grupo que recebeu 10 mg/kg/dia e 45,7% no grupo que recebeu 20 mg/kg/dia, enquanto no grupo placebo a redução média foi de 26,9%. “Em termos simples, quando o canabidiol é adicionado ao tratamento habitual, muitos pacientes conseguem reduzir significativamente o número de crises”, detalha Alborta.
Na prática clínica, a melhora observada vai além da contagem de episódios convulsivos. O médico relata um caso acompanhado em consultório que ilustra esse cenário. Uma criança de 8 anos apresentava crises convulsivas frequentes mesmo em uso regular de valproato de sódio, anticonvulsivante amplamente utilizado. As crises eram desencadeadas por estímulos sensoriais intensos, estresse emocional e episódios infecciosos comuns da infância. Após avaliação clínica, exclusão de contraindicações e alinhamento de expectativas com a família, o canabidiol foi introduzido como terapia adjuvante.
“Nas primeiras semanas observamos uma redução gradual na frequência das crises. Em cerca de dois meses, a criança passou de múltiplos episódios semanais para crises esporádicas”, relata o médico. Segundo ele, também houve diminuição da intensidade das crises e recuperação mais rápida após os episódios. “A família relatou menor número de atendimentos de emergência, melhora no padrão de sono, maior tolerância a estímulos sensoriais e retorno mais consistente às atividades escolares”, complementa o especialista.
Alborta ressalta, no entanto, que esses resultados não representam cura da doença. “É importante frisar que a criança permaneceu em uso do anticonvulsivante de base. O que observamos foi melhor controle das crises dentro de um contexto de epilepsia de difícil manejo”, destaca. De acordo com o médico, os ganhos de qualidade de vida costumam acompanhar a redução das crises, mas podem variar entre os pacientes.
O tratamento também exige atenção à segurança e ao acompanhamento médico. Os efeitos adversos mais comuns incluem sonolência, redução do apetite, diarreia, vômitos, fadiga e febre, além de possíveis alterações nas enzimas hepáticas. “Assim como qualquer outra substância, esse medicamento exige monitorização ao longo do tratamento. Também existem interações medicamentosas relevantes, especialmente com clobazam e valproato”, destaca.
Outro ponto frequentemente discutido na prática clínica é a diferença entre formulações farmacêuticas padronizadas e produtos vendidos de forma informal. “Um mito comum é acreditar que qualquer óleo de CBD comprado na internet terá o mesmo efeito terapêutico. Não é assim. Produtos não aprovados não passaram pela mesma avaliação rigorosa de segurança, eficácia e qualidade”, explica o médico. Ele lembra ainda que estudos publicados na literatura científica já identificaram problemas de rotulagem em extratos de CBD vendidos online.
No Brasil, o acesso ao tratamento ocorre mediante prescrição médica. Pacientes podem adquirir produtos de cannabis autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em farmácias ou por meio de importação autorizada. Dados da agência indicam que, em 2024, havia 34 produtos de cannabis com autorização sanitária no país e mais de 95 mil pacientes em acompanhamento. Para o futuro, Dr. Adam Alborta acredita que a pesquisa científica deve avançar em três frentes principais. “Precisamos entender melhor quais pacientes realmente respondem ao tratamento, avançar no desenvolvimento de novas formulações e consolidar uma regulamentação mais estável que garanta acesso seguro e viável para quem tem potencial de benefício”, conclui.
Para mais informações sobre o trabalho do Dr. Adam de Lima Alborta, acesse o site www.dradamalborta.com.br ou o perfil oficial no Instagram: @cbdsaudeonline.




