Cena de Três Graças expõe controle sobre bens e reforça importância da autonomia financeira feminina
Novela da Globo destaca violência patrimonial sofrida pela personagem Zenilda
O termo violência patrimonial ganha destaque após citação de Lorena, interpretada por Alanis Guillen, filha de Zenilda, vivida por Andréia Horta, na novela Três Graças, da Rede Globo. Na cena, a jovem reage ao ver a mãe descobrir a traição do marido, que mesmo diante da crise, afirma que não sai de casa porque o imóvel está no nome dele, assim como todos os bens do casal, sugerindo que Zenilda é quem deveria deixar a residência.
A fala traz à tona uma forma de abuso que muitas vezes não é reconhecida de imediato, a violência patrimonial ocorre quando há controle, retenção ou uso indevido de bens, dinheiro e documentos da mulher. A Lei Maria da Penha inclui a prática como uma forma de violência doméstica, mas o problema não se resume à posse formal de um imóvel, envolve impedir o acesso ao salário, administrar sozinho todos os recursos da família, esconder documentos, vender patrimônio sem consentimento ou criar dívidas em nome da parceira.
Na situação exibida na novela, o argumento de que a casa “está no nome dele” revela uma tentativa de usar o patrimônio como instrumento de poder, só que mesmo que o imóvel esteja registrado em nome de apenas um dos cônjuges, o regime de bens do casamento pode garantir direitos à outra parte. Muitas mulheres desconhecem essa informação e acabam acreditando que não têm alternativa.
Para a planejadora e educadora financeira Adriana Ricci, informação é uma forma poderosa e eficaz de proteção. “Quando a mulher entende como funciona o regime de bens, acompanha as finanças da casa e sabe quais são seus direitos, ela não fica refém de ameaças. Educação financeira traz clareza e fortalece a tomada de decisão”, afirma.
Ainda de acordo com a especialista, a dependência financeira amplia o medo e dificulta reações diante de situações abusivas. “É fundamental que a mulher saiba quanto entra e quanto sai, tenha acesso às contas bancárias e participe das decisões sobre compra de imóveis, financiamentos e investimentos. Organização financeira é, antes de tudo, uma forma de defesa”, aponta Adriana Ricci.
O debate provocado pela novela amplia a discussão para além da ficção. Violência patrimonial não se limita à destruição de objetos ou retenção de cartões, ela também se caracteriza quando o patrimônio é usado para intimidar e impor condições.
“Outro caso bastante comum é quando apenas um dos parceiros administra as contas da casa, a mulher trabalha, mas o salário é depositado em uma conta conjunta controlada pelo companheiro, que decide sozinho como o dinheiro vai ser usado. Se ela não tem acesso aos extratos, não sabe quanto tem guardado nem quais dívidas existem, fica vulnerável. Em uma eventual separação, pode descobrir financiamentos feitos em seu nome ou perceber que não tem reserva nenhuma para recomeçar, então, de novo, informação e participação nas decisões financeiras reduzem esse risco”, finaliza Adriana, que tem mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro.
Sobre a especialista: Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008 e atua em São José dos Campos, SP.
Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.
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