Dia da Consciência Negra – Avaliação indica que alunos negros avançaram mais do que brancos em alfabetização no 2º ano do Ensino Fundamental

Dia da Consciência Negra – Avaliação indica que alunos negros avançaram mais do que brancos em alfabetização no 2º ano do Ensino Fundamental
Entre pretos e pardos, percentual de estudantes que sabem ler passou de 58,9%, em 2023, para 66,7%, em 2024; taxa de alunos brancos cresceu de 71,1% para 78%;
Resultados são de avaliação aplicada em 14 dos 18 estados que integram a PARC (Parceria pela Alfabetização em Regime de Colaboração), programa de alfabetização da Fundação Lemann, Instituto Natura e Associação Bem Comum
20 de novembro de 2025 – A taxa de estudantes pretos e pardos que sabem ler no 2º ano do Ensino Fundamental, considerada a idade certa para a habilidade, cresceu quase oito pontos percentuais entre 2023 e 2024, passando de 58,9% para 66,7%. Entre os alunos brancos, a melhora foi um pouco menor, de 71,7% para 78% de leitores. É o que mostra uma avaliação bianual realizada pelo CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), e implementada nos estados como parte da estratégia da PARC (Parceria pela Alfabetização em Regime de Colaboração), um programa de alfabetização realizado pela Fundação Lemann, Instituto Natura e Associação Bem Comum, que prevê ações voltadas para alcançar a equidade racial em seus eixos de atuação.

Para o comparativo entre os anos, foram considerados os resultados dos 14 estados, divididos entre as cinco regiões do país, que já integravam a PARC em 2023. Hoje, o programa está em 18 unidades federativas, impactando 3,5 milhões de estudantes. É importante destacar que, atualmente, avaliações como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) não divulgam de forma pública os dados com recortes raciais. Publicar esse tipo de informação permite a identificação das desigualdades educacionais entre os alunos brancos e os pretos, pardos e indígenas, essencial para a elaboração de propostas efetivas para a mudança deste cenário.
“Estudos indicam que alunos que não são alfabetizados na idade certa, até o 2º ano do Ensino Fundamental, têm as suas trajetórias escolares prejudicadas, com maiores taxas de reprovação e evasão escolar nos anos seguintes”, afirma Daniela Caldeirinha, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann. “Ainda que os estudantes brancos apresentem taxas maiores de alfabetização, é importante celebrar o avanço maior dos alunos pretos e pardos. As políticas de educação podem aumentar, manter ou diminuir desigualdades e, nesse caso, conseguimos estreitar a lacuna que separa esses estudantes. Isso mostra que, quando as redes olham com intencionalidade para a questão racial e se engajam em ações que promovem equidade, o resultado aparece”, complementa.
Alfabetização com equidade
A PARC atua com os territórios em um trabalho sistêmico voltado para a promoção da alfabetização com equidade étnico-racial, com o objetivo de diminuir a desigualdade. O programa prevê uma atuação transversal em mobilização social com foco nesta temática, a partir de campanhas de engajamento da sociedade e da comunidade escolar, como a realizada em 2024 para a declaração racial nas matrículas.
A abordagem voltada para as relações étnico-raciais também contempla iniciativas divididas em quatro eixos, como:
- Materiais de apoio – Materiais didáticos e guias de acompanhamento escolar são elaborados com olhar para a questão racial. Também são promovidos cantinhos de leitura para os estudantes ofertando literatura com perspectiva afirmativa.
- Planejamento e coordenação – Os planos de ação dos municípios contemplam estratégias específicas para a promoção da equidade. Também foram criados Comitês de Equidade para articulação interna dentro das secretarias municipais de educação.
- Fortalecimento de equipes – As formações de professores e gestores escolares incluem abordagem da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) de forma sistemática, com a disponibilização de guia de práticas antirracistas em sala de aula. Também são realizados Encontros de Equidade Racial em territórios prioritários.
- Incentivos – Os incentivos financeiros e premiações são oferecidos incluindo a premissa da promoção de equidade racial na aprendizagem do território.
PARC e a avaliação de fluência leitora
A avaliação de fluência leitora é uma iniciativa da PARC em todos os estados que fazem parte do programa, como uma ferramenta complementar às avaliações do Saeb e do ICA. O objetivo é verificar o nível de leitura dos estudantes no início de cada ano letivo e ao final dele, de forma a avaliar como se deu o processo de alfabetização durante o período.
Os resultados são divididos em leitores fluentes, leitores iniciantes e pré-leitores, considerando precisão, velocidade e prosódia (entonação). São consideradas leitoras fluentes as crianças que conseguem ler corretamente no mínimo 65 palavras por minuto ou que leem um texto simples e conseguem compreender pelo menos 90% do conteúdo. As leitoras iniciantes são aquelas que leem entre 10 e 60 palavras em um minuto. Já os pré-leitores, divididos em quatro subníveis, são os alunos que não conseguem ler ou leem, no máximo, nove palavras em um minuto, de forma incorreta ou sem entonação.
Sobre a Fundação Lemann
A Fundação Lemann é uma organização filantrópica familiar, independente e apartidária, que desde 2002 fortalece a educação pública e apoia o desenvolvimento de lideranças diversas e representativas. Juntos, somamos forças com organizações, especialistas e Centros de Pesquisa, investimos em iniciativas inovadoras e produzimos conhecimento aplicado para impulsionar mudanças sistêmicas. Até 2031, nossas ações estão focadas na alfabetização na idade certa, na recomposição das aprendizagens com equidade racial e na conexão de lideranças comprometidas com a transformação do Brasil.
Para saber mais sobre a Fundação Lemann acesse o site e Relatório Anual 2024.
Sobre a Associação Bem Comum
A Associação Bem Comum, fundada em 2018, é uma organização da sociedade civil que tem o objetivo de contribuir para elaborar e/ou executar políticas públicas em áreas que promovam a alfabetização de crianças na idade certa. É formada por experientes profissionais da gestão pública com atuação na rede de escolas municipais e na gestão da educação em diversos estados. Para mais informações: https://abemcomum.org
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com inúmeros parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.


