Tecnologia escalável e com custos adaptáveis permite que pequenos municípios ampliem combate à dengue
Programa viabiliza uso de drones e análise territorial em cidades de diferentes portes, incluindo municípios com menor estrutura operacional
As ocorrências de casos de dengue no país tem levado gestores públicos a buscar alternativas para ampliar o controle do vetor, inclusive em municípios com menor capacidade operacional. Nesse cenário, o uso de tecnologia passa a integrar estratégias de vigilância, com ferramentas que permitem mapear áreas de risco, orientar equipes de campo e organizar ações de prevenção e tratamento.
Pequenos municípios também podem contar com esse tipo de tecnologia. O programa Techdengue foi estruturado para atender cidades de diferentes portes, com um modelo que considera limitações operacionais e orçamentárias, permitindo a adoção de soluções baseadas em dados sem a necessidade de grandes estruturas.
“A tecnologia permite que municípios com equipes reduzidas tenham acesso a informações mais precisas sobre o território, o que contribui para a tomada de decisão”, afirma o idealizador do Techdengue, Cláudio Ribeiro.
A proposta é ampliar o acesso a recursos como drones, sistemas de georreferenciamento e análise territorial, utilizados para identificar criadouros do mosquito Aedes aegypti. A partir dessas informações, as prefeituras conseguem planejar intervenções com base em evidências e acompanhar a evolução das áreas monitoradas.
Tecnologia aplicada ao território
O Techdengue utiliza drones para sobrevoar áreas urbanas e periurbanas, gerando imagens que permitem identificar possíveis focos de água parada em locais de difícil acesso. Essas informações são integradas a plataformas digitais, que organizam os dados e indicam pontos prioritários para atuação das equipes de campo.
Com base nesse mapeamento, os gestores direcionam agentes de saúde para locais com mais probabilidade de infestação, reduzindo deslocamentos e organizando o trabalho de campo. Os drones também são utilizados para a aplicação de larvicida em locais de difícil acesso, por meio de equipamentos com dispenser, o que permite tratar até 26 pontos de reprodução em um único voo de aproximadamente 30 minutos, com uma precisão superior a 95% na aplicação de larvicidas. Além disso, o programa permite acompanhar a evolução das áreas monitoradas, criando um histórico que orienta novas ações.
Outro ponto do programa é a análise territorial, que considera fatores como densidade populacional, características urbanas e histórico de casos registrados. A partir desses dados, é possível estabelecer rotinas de monitoramento e intervenção alinhadas à realidade local.
Modelo escalável e com custos adaptáveis
O programa foi desenvolvido como uma solução escalável, o que permite sua implementação em diferentes contextos. Municípios podem iniciar com uma cobertura mais restrita e ampliar o uso da tecnologia conforme a demanda e a disponibilidade de recursos.
Os custos também são adaptáveis, com variações conforme o porte da cidade, a extensão das áreas monitoradas e a frequência das operações. Esse formato possibilita que pequenas cidades adotem o modelo sem comprometer seus orçamentos, ajustando o nível de investimento de acordo com suas condições.
“Conseguimos estruturar um modelo no qual o município contrata de acordo com sua realidade, tanto em escala quanto em investimento, sem perder a capacidade de monitoramento”, diz Cláudio Ribeiro.
Experiências em municípios de menor porte indicam a viabilidade da aplicação. Nessas localidades, o uso de drones e análise de dados tem contribuído para a identificação de focos que não eram detectados em vistorias tradicionais, além de apoiar a organização das equipes de campo.
Um dos exemplos é Leme do Prado, em Minas Gerais, que com cerca de 4.300 habitantes, recebeu um mapeamento aéreo com drones, cobrindo 64 hectares do município. Como resultado das ações orientadas por dados e da atuação rápida das equipes em campo, houve uma redução expressiva de 98,6% nos casos prováveis de dengue em 2025. O número caiu de 703 registros em 2024 para apenas 10 no ano seguinte. Além disso, destaca-se que não houve registro de casos na área mapeada por drones, evidenciando a efetividade da estratégia na prevenção e controle da doença.
Já em Oliveira, em Minas Gerais, que com cerca de 40.500 habitantes, recebeu o mapeamento aéreo com drones cobrindo 379,5 hectares, o equivalente a 40,3% da área urbana do município. Como resultado das ações direcionadas, aliando tecnologia e resposta rápida, o Techdengue contribuiu para uma redução de 96,5% nos casos prováveis de dengue em 2025. O número caiu de 1.391 registros em 2024 para apenas 53 no ano seguinte, com o coeficiente de incidência despencando de 3.430,2 para 130,7.
Sobre o Techdengue
O Techdengue é um programa voltado para a saúde pública que utiliza drones e análise de dados geográficos para conter a proliferação Aedes aegypti. Com a aplicação de inteligência artificial e o uso de algoritmos sofisticados, são geradas informações precisas sobre as áreas de risco, permitindo ações rápidas e eficientes para o controle do mosquito e a prevenção de surtos de doenças transmitidas pelo vetor.




