Polícia

PCMG indicia homem por crimes contra companheira (feminicídio tentado) e filha (ameaça e perseguição) em Betim

Por ASCOM-PCMG 20/05/2026  17h27

Divulgação/PCMG

Feminicídio tentado, incêndio, ameaça e perseguição foram os crimes pelos quais a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou um homem, de 58 anos, no inquérito concluído nessa segunda-feira (18/5). O investigado encontra-se preso preventivamente desde o início de maio, suspeito de praticar os crimes contra a companheira e a filha do casal, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em Betim, que também solicitou à Justiça medida protetiva para a vítima, de 56 anos, após denúncia de que o companheiro teria incendiado a casa dela  e tentado matá-la, em abril deste ano. Ele também teria ameaçado e perseguido a mulher e a filha, de 38 anos.

No procedimento, com 85 páginas, a delegada Patrícia Godoy, responsável pela investigação, representou pela prisão preventiva do suspeito, e o mandado foi cumprido pela Polícia Militar em Betim.

Tentativa de feminicídio

Conforme apurado, o homem tentou matar a mulher no dia 9 de abril. “O investigado agrediu violentamente a companheira com socos, tapas e um pedaço de madeira, causando diversas lesões nela. Depois colocou álcool no corpo da vítima, cortou a mangueira do gás e ateou fogo na residência. Ela conseguiu fugir, e ainda assim ele teria efetuado disparos de arma de fogo na direção da mulher”, informou Godoy.

De acordo com a delegada, depois de a vítima fugir, o suspeito continuou incendiando móveis e cômodos da casa, provocando danos significativos ao imóvel.

Perseguição e ameaças

Após o incêndio, o homem passou a perseguir e ameaçar os familiares, especialmente a filha. “Ele ia em locais frequentados pela família, fazia contatos insistentes com ameaças, chegando a mencionar a intenção de praticar uma chacina, circunstância que gerou intenso temor entre as vítimas”, considerou a delegada.

Segundo Godoy, o investigado teria ido inesperadamente à Deam quando a vítima de 36 anos prestou depoimento. “Ele chegou minutos após a filha sem apresentar justificativa plausível para estar na delegacia, reforçando o contexto de perseguição e intimidação identificado no curso das investigações”, declarou a delegada, ao mencionar um dos motivos do pedido de prisão.

Declarações

As vítimas foram ouvidas, assim como o suspeito e testemunhas. Os crimes teriam sido motivados por ciúmes da companheira e uso de drogas pelo suspeito.

A mulher relatou as agressões sofridas, que lhe causaram lesões nas mãos, nas pernas e na costela, e contou o que o homem fez para incendiar a casa com ela no imóvel, afirmando que só conseguiu fugir depois que o companheiro abriu a porta ao sentir os efeitos da fumaça. A vítima disse que o suspeito efetuou cinco disparos contra ela.

A filha informou que o investigado passou a perseguir sistematicamente a mãe e os familiares demonstrando comportamento agressivo, obsessivo e intimidador, ao revelar que ele é usuário de droga, possuía arma de fogo e teria adquirido significativa quantidade de munições ameaçando matar a família. A vítima disse que ele a responsabilizava por auxiliar a mãe a se ocultar.

Em depoimento, o investigado negou os fatos. Disse que estava com a arma de fogo danificada, que caiu no chão e foi consumida pelo incêndio. Contudo, voltou a proferir ameaças contra a família, especialmente a filha, demonstrando indignação em relação às vítimas.

Com a investigação finalizada, o procedimento foi remetido à Justiça.

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