
CURA divulga a programação da última edição na Praça Raul Soares
Festival de arte pública acontece de 19 a 30 de agosto, em Belo Horizonte. Com nove anos de trajetória, a edição fecha o ciclo na praça e se prepara para uma edição especial de dez anos, em 2027.
Com o tema “Descansar Enquanto”, o CURA – Festival de Arte Urbana divulga a programação da edição de 2026, de 19 a 30 de agosto, em Belo Horizonte. É a última passagem do festival pela Praça Raul Soares, que na última década se tornou um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país.
Este ano, a curadoria artística foi feita com a contribuição da curadora convidada Luciara Ribeiro, pesquisadora dedicada às artes africanas, afro-brasileiras e indígenas e à decolonização da história da arte, que assinou a escolha dos artistas ao lado de Janaína Macruz e Priscila Amoni, idealizadoras do CURA.
As empenas do ano ficam no Edifício Pignataro (Avenida Augusto de Lima, 869) e Edifício Florença (Rua Guaranis, 555) e são assinadas por Ailton Krenak e Mônica Nador. As pinturas começam em 19 de agosto e podem ser acompanhadas da praça: ver a obra nascer na fachada faz parte da experiência do festival.
Aos 72 anos, Krenak é filósofo, escritor, ambientalista e uma das principais lideranças dos povos originários no país. Foi o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e é autor de livros como Ideias para adiar o fim do mundo. Sobre o convite, diz: “Estou feliz, super grato pelo convite. É impactante pensar no desenho nessa escala de prédio, que vira paisagem. Tem um chamado para a subjetividade, para a poesia, para o sonho.”
Aos 71 anos, Mônica Nador é uma das artistas centrais da pintura mural feita no Brasil. Fundou, na periferia paulistana, o JAMAC, Jardim Miriam Arte Clube, onde as paredes das casas e das ruas são pintadas com padrões criados junto com os moradores: a autoria da obra deixa de ser só da artista e passa a ser compartilhada com a comunidade.
Pela primeira vez, o festival também conta com uma programação parceira no Sesc Palladium. No dia 20, em que a casa completa 15 anos, o CURA Palladium: Tinta, Corpo e Cidade leva uma nova obra de arte pública, assinada por Binho Barreto, para a fachada do prédio, com curadoria do festival, e uma noite que reúne pintura, dança e a cultura ballroom, ao lado da House of Barracuda. Na categoria Designers Delight, integrantes da cena criam looks inspirados em obras do acervo do CURA.
A partir de 26 de agosto, a programação aberta toma conta da praça. Nos dias 26 e 27, das 11h às 22h, o festival leva pela primeira vez a pintura ao vivo para a Raul Soares: seis artistas pintam em painéis de três por quatro metros montados no gramado, e as obras ficam expostas até o fim do festival. São eles Tina Soul, Effe Godoy, Nica, Dalata, Tot e Fhero. A programação musical se estende pelos dias na praça, com DJs no gramado. De 28 a 30, funciona o Mirante CURA, uma instalação com vista da praça no fim do dia.
No dia 27, a Mesa de Desenho, projeto de criação coletiva que Flávio Duarte conduz na cidade desde 2018, faz um encontro na praça, das 19h às 21h. A participação é aberta e gratuita, sem exigência de experiência ou formação.
O fim de semana traz o festival para o alto e para o chão. Pelo terceiro ano, o highline cruza o vão entre os prédios do hipercentro, com atletas em cabos suspensos. Nos dias 29 e 30, a Rua de Lazer recebe crianças e famílias com jogos e brincadeiras, em parceria com a Prefeitura.
Ao longo da programação, as visitas guiadas ao Edifício JK, em parceria com o Viva JK, sobem ao topo do prédio, de onde se avistam as obras do CURA espalhadas pela cidade, nos dias 27, 28, 29 e 30, às 16h30, com inscrições gratuitas (as senhas serão distribuídas ao público por ordem de chegada, 30 minutos antes do início de cada sessão). Também nesse período, o mapa afetivo da Praça Raul Soares ganha nova edição: em parceria com a Belotur, fica exposto em dez abrigos de ônibus da cidade e é relançado no dia 27, na praça, com mil exemplares distribuídos de graça.
A edição se encerra em 30 de agosto com a Festa Honk, das 14h às 20h.
SERVIÇO
CURA 2026 – Festival de Arte Urbana
19 a 30 de agosto | Praça Raul Soares, Belo Horizonte
Pinturas das empenas a partir de 19/08
Programação parceira no Sesc Palladium 20/08, com pintura do Binho Barreto e programação da House of Barracuda
Live painting nos dias 26 e 27/08
Programação aberta ao público de 26 a 30/08
Programação gratuita, ao ar livre e aberta a todos
@cura.art
SOBRE O CURA
O CURA – Festival de Arte Urbana é um dos principais festivais de arte pública da América Latina. São 11 edições realizadas, oito delas em Belo Horizonte, com mais de 30 empenas de edifícios pintadas. O festival é uma realização do Instituto CURA, que mantém ainda projetos como o CURA Amazônia e o CURA MACRO. Em 2027, o CURA completa dez anos.
Em 2026, o tema da edição “Descansar Enquanto” é um gesto em suspensão e, também, um convite ao movimento. Descansar é verbo de ação. Em uma sociedade atravessada pelo excesso de estímulos, informações e urgências, o festival propõe o descanso não como pausa, mas como posicionamento: um direito ainda não garantido, atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. A reflexão dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da norte-americana Tricia Hersey, para quem o descanso é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão.
Pela primeira vez, o conceito curatorial foi construído coletivamente. O festival criou uma Comissão Criativa formada pela curadora convidada Luciara Ribeiro, da Bahia, e por pessoas que pensam, vivem e pesquisam Belo Horizonte: integrantes de coletivos, pesquisadores, produtores e agentes culturais — Alex Bessas, Filipe Thales, Ed Marte, Brisa Marques, Binho Barreto, Márcia Cruz, Priscila Musa, Vanessa Beco, Daru Tikuna, PDR, Victor Diniz — que se reuniram no início do ano para desenhar a edição. Depois de edições que falaram de comunidade, 2026 é o ano de exercê-la na estrutura.
“Passamos os últimos anos escutando a Raul Soares. Encerrar esse ciclo em coletivo, falando de descanso, é coerente com tudo o que a praça nos ensinou: a cidade também precisa respirar”, afirma Priscila Amoni, uma das idealizadoras do festival, que junto a Janaína Macruz está à frente do Instituto CURA.
Realização: Instituto CURA e Ministério da Cultura (Pronac 2514523 e Pronac 261115) | Produção: AGUA – Agência Urbana de Arte | Patrocínio Ouro: Supermercados BH | Patrocínio Bronze: UniBH, Budweiser e Shell | Apoio: Condomínio JK, Uma Penca, Circuito Liberdade, Belotur e Sesc Palladium | Programação Parceira: Honk BH | Incentivo: Lei Estadual de Incentivo à Cultura (CA 2024.3809.0364) e Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LMIC nº 1564/2024).
Imagens relacionadas
Ailton Krenak Alexandre de Moraes baixar em alta resolução |
Monica Nador Lucas Souza baixar em alta resolução |
Cura / Raul Soares Tamas Bodolay baixar em alta resolução |



