
Maratona Agostiniana de Redação reúne 1,2 mil estudantes e reforça preparação para o Enem
Em sua quinta edição, iniciativa da Rede Lius Agostinianos aplica correção nos moldes do exame nacional, oferece acompanhamento individualizado e transforma textos finalistas em livro
Argumentação, repertório sociocultural, capacidade de propor soluções e desenvolvimento de uma escrita autoral estão entre as habilidades trabalhadas ao longo do ano pela Rede Lius Agostinianos com os estudantes e que ganham uma espécie de “teste de campo” na Maratona Agostiniana de Redação.
A iniciativa chega à quinta edição em 2026 com 1.286 inscritos. A participação é voluntária e envolve alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, das unidades do Colégio Santo Agostinho (Belo Horizonte – bairros Santo Agostinho e Gutierrez, Contagem, Nova Lima e Divinópolis) e Escola Profissionalizante Santo Agostinho, EPSA, no Barreiro.
A Maratona é considerada uma olimpíada do conhecimento institucional e é vinculada ao Mês Agostiniano. Neste ano, o tema “Vida em comunidade” serviu de ponto de partida para a elaboração das propostas. A prova foi realizada em junho, simultaneamente nas unidades, e o mês de julho foi dedicado à correção. O processo ocorre em três etapas, com textos avaliados por até três corretores antes da seleção dos finalistas pelos professores.
Redação como preparação para o Enem
Nas 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, a Maratona assume relação direta com o Enem. Os estudantes produzem uma redação no formato exigido pelo exame nacional e a correção segue os mesmos parâmetros utilizados na prova.
A construção da proposta também leva em consideração temas com potencial de diálogo com o Enem. A partir do eixo do Mês Agostiniano, a equipe pedagógica busca desenvolver uma questão social que permita avaliar as competências exigidas pelo exame. Segundo o analista de área do conhecimento e organizador da Maratona, Jean Otoni, “o objetivo maior é a elaboração de textos em um grau de excelência que possa permitir que eles acessem outros espaços, como a vaga na universidade”.
A escola também acompanha o desempenho posterior dos estudantes premiados. De acordo com o organizador, os alunos que ocupam as primeiras colocações costumam alcançar mais de 900 pontos na redação do Enem.
Preparação individualizada
A Maratona faz parte de uma estratégia mais ampla de preparação para a escrita. Na 3ª série do Ensino Médio, os estudantes têm até 12 atendimentos individuais com professores ao longo do ano letivo. Os encontros funcionam como momentos de mentoria, nos quais cada aluno pode discutir suas redações, dificuldades e características próprias da escrita. Além dos encontros programados, há atendimento por livre demanda. As unidades contam ainda com espaços destinados a esse acompanhamento individual em redação.
A proposta, de acordo com Jean, é desenvolver a escrita de forma personalizada, respeitando a autoria e a individualidade de cada estudante. O trabalho é complementado por ações específicas em cada série. Na 2ª série, por exemplo, os alunos desenvolvem, durante dois meses, propostas de políticas públicas para o Brasil, com foco na competência 5 do Enem, que avalia a capacidade de apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido na redação. Os textos são produzidos, corrigidos, devolvidos aos estudantes e reescritos antes de uma roda de debate. Na unidade Contagem, por exemplo, a média alcançada nessa competência do Enem chegou a 191 pontos de um total de 200.
Já os estudantes da 3ª série participam da elaboração de uma cartilha de repertórios estratégicos, organizada em oito eixos temáticos e composta por referências de filmes, músicas e livros. O objetivo é ampliar o repertório sociocultural e evitar o chamado “repertório de bolso”, formado por referências genéricas.
Escrita para além do vestibular
Apesar da forte conexão com o Enem nas séries finais, a Maratona também busca mostrar que escrever não é apenas uma habilidade destinada aos vestibulares. Para os estudantes mais novos, são trabalhados outros gêneros textuais. Alunos do 6º, 7º e 8º anos, por exemplo, produzem contos de aventura, estimulando uma escrita mais literária. Na 1ª série do Ensino Médio, a proposta contempla gêneros como o artigo de opinião, também relacionados a processos seletivos seriados.
Ao final da competição, 65 redações finalistas são publicadas em um livro impresso e em um e-book, cada formato com ISBN próprio – código que funciona como o RG de um livro.
A participação e a premiação na Maratona também passam a constar no histórico escolar dos alunos, o que pode contribuir em processos seletivos que valorizam atividades extracurriculares. O Colégio geralmente encaminha redações traduzidas para processos de ingresso de estudantes em universidades estrangeiras.
Premiação incentiva leitura
A quinta edição terá duas cerimônias de premiação. Em 18 de agosto, o evento será realizado em Divinópolis. No dia 20, serão reunidos estudantes das unidades de Belo Horizonte e Região Metropolitana.
Ao todo, serão entregues 34 Kindles, escolhidos como forma de incentivar a leitura. Os 65 finalistas também recebem a publicação com os textos selecionados e um display de reconhecimento. A premiação ocorre tanto em âmbito institucional quanto por unidade, permitindo reconhecer e valorizar desempenhos dentro das diferentes realidades da Rede.
“Nosso desafio é formar estudantes éticos, críticos, criativos e preparados para um futuro que será cada vez mais complexo. A educação do futuro exigirá conhecimento, capacidade de adaptação e domínio de novas ferramentas, mas continuará exigindo escuta, sensibilidade, convivência, espiritualidade e sentido”, completa Jean.

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