
Cachaça registra maior avanço em número de estabelecimentos dos últimos oito anos e reforça potencial de crescimento do setor
Brasil alcançou 1.538 estabelecimentos registrados em 2025; maior crescimento da série histórica iniciada em 2018; exportações também avançam e chegam a 76 países
O setor da Cachaça registrou, em 2025, o maior crescimento dos últimos anos no número de estabelecimentos elaboradores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Ao todo, o Brasil passou a contar com 1.538 estabelecimentos, alta de 21,5% em relação a 2024. Trata-se do maior crescimento, tanto em termos absolutos quanto percentuais, desde o início da série histórica. No período de 2018 a 2025, o número de estabelecimentos cresceu 61,7%, passando de 951 para 1.538.
O resultado faz parte do Anuário da Cachaça 2026 (ano de referência: 2025), levantamento oficial de dados do setor, desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em parceria com o Instituto Brasileira da Cachaça (IBRAC), entidade representativa do setor.
O crescimento também foi observado no número de produtos registrados, que alcançou 8.379, aumento de 16% em relação ao ano anterior. Já o número de marcas vinculadas aos registros chegou a 11.131, crescimento de 16,8%, demonstrando o dinamismo e a diversificação do setor.
Outro destaque do levantamento é a expansão territorial da atividade. Atualmente, 844 municípios brasileiros possuem pelo menos um estabelecimento elaborador de Cachaça registrado, um aumento de 14,8% em comparação com 2024. O dado evidencia o fortalecimento da cadeia produtiva em diferentes regiões do país e sua contribuição para o desenvolvimento econômico local, especialmente em municípios do interior.
Crescimento em todas as regiões
Minas Gerais permanece como o estado com maior número de estabelecimentos registrados, com 564 unidades, seguido por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106). O Sudeste concentra 62,5% dos estabelecimentos do país, mas todas as regiões registraram crescimento em 2025. O maior avanço percentual foi observado na Região Sul, que expandiu 51,4% em relação ao ano anterior.
Salinas (MG) é a cidade com maior número de estabelecimentos registrados como elaboradores de Cachaça, com 27. O levantamento também mostra que 11 municípios possuem 10 ou mais estabelecimentos registrados, dois a mais que 2024. As novidades na lista são Brasília e São Paulo, ambas com 10 estabelecimentos cada.
Nos registros de produtos, Minas Gerais é o estado com maior número de Cachaças registradas, com 2.922 produtos, o equivalente a 34,9% do total nacional. Já o Rio Grande do Norte apresenta a maior média, com 10,8 produtos registrados por estabelecimento. São 162 Cachaças registradas em 15 estabelecimentos.
Em relação às marcas vinculadas aos registros de produtos, os dois estados voltam a se destacar. MG lidera em número absoluto, com 4.043 marcas, média de 7,2 por estabelecimento. Já RN apresenta a maior média de marcas por estabelecimento registrado: 13,6 marcas por estabelecimento, de um total de 204 marcas. Vale destacar que um mesmo registro de Cachaça pode contemplar mais de uma marca comercial.
Exportação e produção
O desempenho internacional da Cachaça também apresentou resultados positivos em relação ao ano anterior. Em 2025, as exportações alcançaram 7,96 milhões de litros, crescimento de 19,4% sobre 2024. Em valor, as vendas externas somaram US$ 17,07 milhões, alta de 17,4%, com embarques para 76 países, igualando o maior número de destinos já registrado na série histórica, desde 2011.
Os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado em valor, respondendo por cerca de 24% das exportações, enquanto o Paraguai liderou em volume exportado.
Potencial ainda maior
Embora os indicadores demonstrem uma trajetória consistente de expansão, o setor avalia que os resultados ainda estão abaixo do potencial da Cachaça brasileira.
“Os dados demonstram a expansão e a resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil e formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. Ao mesmo tempo, evidenciam que ainda estamos distantes do verdadeiro potencial da Cachaça, especialmente no mercado internacional. Apesar dos avanços registrados, a exportação de Cachaça, por exemplo, continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados. Há ainda muito por fazer para superar os desafios de sua inserção internacional”, destaca Vicente Bastos, presidente do IBRAC.
“Para ampliar essa presença, é fundamental superar desafios estruturais, entre eles a elevada carga tributária incidente sobre a Cachaça e a falta de isonomia tributária no segmento de bebidas alcoólicas, fatores que comprometem a competitividade do setor. Esses resultados reforçam a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar as ações de promoção, valorização e proteção da Cachaça, em parceria com instituições públicas e privadas, para que esse patrimônio genuinamente brasileiro ocupe o espaço que merece no Brasil e no mundo”, completa Bastos.
Apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o Anuário registra que o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, redução de 15,77% em relação ao ano anterior.



