Culinária

Dia do Sorvete: uma bola pode ter mais de 30 g de açúcar; veja como incluir a sobremesa na rotina

Nutróloga explica como incluir a sobremesa na rotina de forma equilibrada, tipos mais saudáveis e por que o contexto da alimentação importa mais do que um alimento isolado

Tem dias em que o almoço termina e a pergunta é quase automática: “E o sorvete?”. Para quem não abre mão da sobremesa, a boa notícia é que não é preciso eliminar o doce da rotina para manter uma alimentação equilibrada. Mas isso também não significa que todos os sorvetes tenham a mesma composição ou que quantidade e frequência não importem.

Uma bola grande de sorvete, equivalente a cerca de 100 gramas, pode ter aproximadamente 170 a 220 calorias, segundo Sandra Fonseca, nutróloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. A quantidade de açúcar e gordura também varia conforme a composição do produto.

Nos sorvetes considerados de melhor qualidade, uma porção de 100 gramas pode ter cerca de 220 calorias, 15 gramas de açúcar e 5 gramas de gordura animal. Já produtos de menor qualidade podem chegar a aproximadamente 170 calorias, 36 gramas de açúcar e 15 gramas de gordura hidrogenada.

A diferença pode parecer contraditória, já que o sorvete com menos calorias pode apresentar mais açúcar e gordura. Isso acontece porque alguns produtos são mais aerados, aumentando o volume da porção, além de apresentarem maior quantidade de açúcares e gorduras adicionadas.

“Não é interessante escolher um sorvete apenas pelas calorias. Alguns produtos de melhor qualidade podem ter mais calorias, mas também levam ingredientes como leite e creme de leite, que fornecem proteínas e gorduras naturais. É importante olhar a composição do alimento e não apenas um número isolado”, explica Sandra.

Quanto isso representa na alimentação do dia?

Para efeito de rotulagem de alimentos, a referência geral utilizada pela Anvisa considera uma ingestão diária de 2.000 calorias para adultos. A necessidade energética individual, no entanto, varia de acordo com idade, sexo, estatura, composição corporal, nível de atividade física e condições de saúde, como diabetes e alterações nos níveis de colesterol.

Dentro dessa referência, uma bola de 100 gramas com 220 calorias representaria cerca de 11% das 2.000 calorias de referência para o dia. Já uma porção de 170 calorias corresponderia a aproximadamente 8,5%.

Isso ajuda a mostrar por que a quantidade consumida importa. Uma bola de sorvete não precisa ser encarada como um alimento proibido, mas também não deve ser analisada de forma isolada. Coberturas, caldas, chocolates, biscoitos e outros acompanhamentos podem aumentar ainda mais o consumo de açúcar, gordura e calorias da sobremesa.

O sorvete é “não saudável”?

A resposta depende do produto, da quantidade e do contexto da alimentação. Alimentos com maior quantidade de açúcar e gordura podem fazer parte da rotina, mas seu consumo frequente e em grandes quantidades pode dificultar uma alimentação equilibrada.

“Não existe necessidade de transformar um alimento em vilão. O que faz diferença para a saúde é o padrão alimentar como um todo. É possível consumir sorvete e outros alimentos que dão prazer, desde que isso aconteça com equilíbrio”, afirma a nutróloga.

Por isso, para quem gosta de terminar a refeição com uma sobremesa, o momento do consumo não é, isoladamente, o principal problema. Mais importante é observar o que foi consumido ao longo do dia, o tamanho da porção e a frequência com que o sorvete aparece na rotina.

Como escolher melhor?

A variedade de sorvetes disponíveis atualmente pode dificultar a escolha. Existem produtos tradicionais, versões com menos açúcar, sem lactose e com diferentes combinações de ingredientes. Para Sandra, mais importante do que procurar uma versão que se apresente como “fit” ou “saudável” é observar a composição.

“Um produto com uma alegação específica na embalagem não significa automaticamente que seja a melhor opção. Vale olhar a lista de ingredientes e a tabela nutricional. Também é importante considerar o tipo de gordura e a quantidade de açúcar presentes no produto”, orienta.

Outra estratégia é prestar atenção ao tamanho da porção. Uma bola de sorvete consumida ocasionalmente é diferente de transformar a sobremesa em um hábito diário e acrescentar diversos complementos.

O segredo está no equilíbrio

A alimentação saudável não precisa significar uma rotina sem sobremesa. Para quem gosta de sorvete, o objetivo não precisa ser eliminá-lo, mas encontrar uma frequência e uma quantidade que façam sentido dentro da alimentação como um todo.

“A relação com a comida também envolve prazer. Comer um sorvete porque gosta, saboreá-lo e seguir normalmente com a alimentação é muito diferente de transformar a sobremesa em um excesso frequente. Saúde também é conseguir encontrar equilíbrio”, finaliza Sandra.

Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.

As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.

A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.

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