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Enquanto Match e Bumble perdem assinantes, aplicativo de sugar dating brasileiro cresce 9,7% na base paga

Mercado de relacionamentos com acordos de benefícios financeiros ganha espaço e revela quanto brasileiros estão dispostos a investir em novas formas de conexão

No Brasil, o crescimento do sugar dating, modelo de relacionamento entre adultos que envolve, de forma transparente, acordos sobre companhia, experiências e benefícios financeiros, segue uma mudança na maneira como parte dos brasileiros encara tempo, afeto, consumo e vida a dois. Dados do MeuPatrocínio mostram que a plataforma reúne atualmente 18 milhões de usuários cadastrados, dos quais 10,8 milhões são ativos e 1,4 milhões geram receita, em assinaturas de planos dentro da plataforma, conforme pesquisa financeira.

Na análise, o aspecto financeiro aparece como um componente relevante da dinâmica de consumo. Para os usuários pesquisados, os gastos mensais com uma Sugar Baby partem de R$ 10 mil, considerando itens como dates, mimos e mesada. O valor não representa uma média, mas um patamar mínimo declarado pelos participantes, que pode aumentar com despesas adicionais, como viagens, experiências e outros benefícios.

Quanto os brasileiros estão dispostos a investir?

Entre os usuários analisados, 43,8% declaram gastar no mínimo R$ 10 mil, enquanto 57,2% revelam viajar para fora do país pelo menos duas vezes ao ano. Entre as experiências, 45,7% afirmam gastar em festas exclusivas, enquanto 25% destaca que acomodações em resorts de luxo são suas favoritas.

“Quando falamos que o investimento em um relacionamento pode partir de R$ 10 mil, não estamos falando simplesmente de um ‘preço para se relacionar’. Estamos falando de uma dinâmica em que dinheiro, tempo, experiências e expectativas são colocados na mesa de maneira muito mais transparente. No sugar dating, a dimensão financeira faz parte da conversa desde o início, o que é diferente em relacionamentos tradicionais”, afirma Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio.

A diferença entre os indicadores da plataforma também ajuda a dimensionar o mercado. Enquanto a base cadastrada representa o total acumulado de pessoas que já criaram uma conta, a métrica de usuários ativos considera aqueles que acessaram e interagiram com a plataforma nos últimos doze meses. Já a base pagante contempla usuários com pagamentos em dia e planos ativos.

Os indicadores mostram crescimento tanto na aquisição quanto na monetização. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o MeuPatrocínio registrou aumento de 42,7% nos novos cadastros e crescimento de 9,7% na base pagante. O desempenho contrasta com a retração observada em grandes plataformas globais de dating, como Match Group e Bumble, que registraram queda em suas bases de assinantes no mesmo período.

Kenneth Corrêa, especialista em tecnologia, IA e mercado, afirma: “Em 2025, por exemplo, os gastos globais em lojas de aplicativos cresceram 21,6% e a receita de aplicativos não relacionados a jogos avançou 33,9%, mesmo com queda nos downloads. Ao mesmo tempo, grandes empresas de dating chegaram a 2026 enfrentando redução de pagantes: o Match Group reportou queda de 6% e o Bumble, de 21,1% em sua base pagante. Por isso, os 42,7% são uma excelente manchete e podem indicar aumento de interesse pelo segmento, maior eficiência de marketing ou normalização cultural do sugar dating”.

Quando o relacionamento vira experiência

A dimensão econômica desse mercado também aparece fora do ambiente digital. Em 27 de agosto de 2026, o MeuPatrocínio realizou, em Balneário Camboriú (SC), a segunda edição da MP Party, evento exclusivo para usuários da plataforma.

Os ingressos masculinos chegaram a R$ 20 mil, na categoria VIP Diamond. Ao todo, o evento reuniu 120 pessoas, sendo 35% vindas de fora de Santa Catarina, e movimentou aproximadamente R$ 308 mil em ingressos.

MP PARTY

O evento proporciona um encontro presencial de um público que também movimenta a economia em torno de experiências, viagens, gastronomia e artigos de luxo. A disposição de pagar valores de cinco dígitos para participar de uma experiência exclusiva reforça uma característica desse mercado: para parte dos usuários, o relacionamento está diretamente conectado a um investimento em experiências e benefícios.

“Esses dados mostram que estamos diante de um público que não olha apenas para o relacionamento como uma conexão afetiva, mas também valoriza experiências, conforto, viagens e qualidade de vida. Quando quase metade dos usuários analisados declara gastos de pelo menos R$ 10 mil e mais da metade viaja para o exterior duas ou mais vezes por ano, existe um padrão de consumo que ajuda a entender quem está desse outro lado da negociação e quais são as expectativas envolvidas nessas relações”, afirma Caio.

Com 11 anos de operação, o MeuPatrocínio acompanha essa transformação por meio de sua própria base de dados. A plataforma tem 18 milhões de usuários cadastrados, mas, para dimensionar o mercado de maneira mais precisa, separa o histórico de cadastros de indicadores de atividade e monetização. São 10,8 milhões de usuários ativos e 1,4 milhões pagantes, números que ajudam a mostrar o alcance da categoria e a existência de uma parcela relevante de usuários que efetivamente movimenta dinheiro dentro desse ecossistema.