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Gestação aumenta o desejo: mito ou verdade?

Pesquisa do Sexlog e obstetra revelam o que muda, e o que não muda, no sexo durante a gestação

Para 55% dos usuários do Sexlog, a maior rede social de sexo e swing do Brasil, a gravidez da parceira aumenta a vontade de transar. É o que mostra uma pesquisa da plataforma com 1.390 participantes. Outros 25,5% dizem que o interesse continua o mesmo, e só 1,9% afirmam que o desejo diminui.

O resultado contraria a ideia de que a gestação esfria a vida sexual, um tema ainda cercado de dúvidas: sexo machuca o bebê? Pode provocar aborto? Ajuda a induzir o parto? Na mesma pesquisa, 7,5% sentem vontade, mas se preocupam em machucar o bebê, e 2,7% só ficam à vontade depois de uma orientação médica.

Para separar crença de evidência, a ginecologista e obstetra Dra. Camilla Pinheiro responde aos mitos mais repetidos, e uma mulher e um homem que participaram da pesquisa contam como foi viver o tema na prática.

Verdade: a gravidez pode aumentar o desejo, mas não há regra

Ao imaginar a própria gestação, 36,9% dos participantes acham que se sentiriam mais sensuais, 13,5% esperam que a libido continue igual e 4,9% preveem menos desejo. Para a ginecologista, não há um padrão único.

No primeiro trimestre, náuseas, sono e cansaço podem reduzir o interesse. No segundo, muitas mulheres têm mais disposição e maior irrigação na região genital, o que favorece a excitação. No terceiro, a barriga maior, o desconforto e a ansiedade com o parto podem fazer o desejo cair de novo. “Essas mudanças não são determinadas só pelos hormônios. A percepção do próprio corpo, a qualidade do relacionamento e a ansiedade também influenciam muito”, diz. “Não existe uma frequência sexual considerada ideal durante a gravidez.”

Mito: o sexo pode machucar o bebê ou provocar aborto

Na pesquisa, 4,3% dizem que teriam receio de machucar o bebê e 4,5% se preocupariam com riscos para a gestação. A médica explica que, em uma gravidez sem complicações, o medo não se sustenta.

“O bebê está protegido pelo útero, pelo líquido amniótico e pelas estruturas que mantêm a gestação. A penetração vaginal não alcança o bebê”, afirma a Dra. Camilla. Segundo ela, a maioria dos abortos espontâneos está ligada a alterações no desenvolvimento do embrião, muitas vezes cromossômicas, e não à atividade sexual.

Ana*, uma das participantes da pesquisa, sentiu o efeito desse mito dentro de casa. “Quando engravidei, meu ex-marido não quis ter relações por medo de prejudicar a gravidez, mas minha libido ficou muito em alta e tive que aprender a trabalhar isso”, conta.

Mito: transar no fim da gestação ajuda a induzir o parto

A crença tem uma origem: o sêmen contém prostaglandinas, ligadas ao amadurecimento do colo do útero, e o orgasmo libera ocitocina, que provoca contrações passageiras. “Os estudos disponíveis não demonstraram benefício consistente na antecipação do parto”, explica a médica. Em uma gestação a termo e sem contraindicações, o casal pode manter relações, mas o sexo não deve ser recomendado como método de indução.

Mito: existem posições proibidas

Não há uma posição indicada para todas as gestantes. Em gestações sem complicações, a maioria é segura, desde que não cause dor nem pressione demais a barriga. A posição de lado costuma ser uma boa alternativa, e posições em que a gestante controla a profundidade e o ritmo também ajudam. Na segunda metade da gravidez, ficar muito tempo deitada de costas pode causar tontura ou queda de pressão em algumas mulheres.

“A relação sexual não deve causar dor, e a gestante deve ter liberdade para interrompê-la sempre que sentir desconforto”, resume a Dra. Camilla.

Alison*, que já tem um filho com a parceira, confirma que a adaptação faz parte. “No nosso caso, foi tranquilo fazer sexo na gravidez, mas as posições são muito limitadas. E nunca sentimos vergonha de falar do assunto.”

Verdade: em alguns casos, o sexo deve ser evitado

Só 2,7% dos participantes disseram que buscariam orientação médica antes de manter relações na gravidez. A conversa com o obstetra, no entanto, é o que define as exceções: placenta prévia, sangramento sem causa esclarecida, ruptura da bolsa, trabalho de parto prematuro e algumas alterações do colo do útero podem exigir suspensão ou restrições.

Restrição não significa proibição total. Evitar a penetração é diferente de evitar o orgasmo ou outras práticas, e cada caso pede orientação específica. “A recomendação não deve ser proibir relações sexuais indiscriminadamente, mas identificar situações em que exista risco obstétrico real”, afirma a médica.

Consentimento e conforto em primeiro lugar

Para 81,6% dos participantes, não haveria restrição ao sexo com uma mulher grávida, desde que houvesse consentimento e conforto. É a mesma regra que a ginecologista defende. “A sexualidade faz parte da saúde e da qualidade de vida da mulher, inclusive durante a gestação”, diz a Dra. Camila. “O mais importante é respeitar o desejo, o conforto e os limites da gestante.”

Sobre o Sexlog

O Sexlog é a maior rede social de sexo e swing do Brasil, com mais de 25 milhões de usuários cadastrados. A plataforma reúne pessoas solteiras e casadas interessadas em explorar fantasias, conhecer novas experiências e se conectar com parceiros que compartilham interesses semelhantes.

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