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Grupo de Ameaça Persistente Avançada baseado em IA direciona ataques contra organizações no Brasil

Segundo relatório da NSFOCUS, o grupo Water Makara utiliza o malware Astaroth para distribuição via phishing

A Inteligência Artificial já superou os métodos de ataque tradicionais em diversas métricas, incluindo velocidade e taxas de sucesso de phishing. É o que comprova o “2025 APT Group Research Annual Report”, lançado recentemente pela NSFOCUS em parceria com o Instituto de Tecnologia Avançada do Ciberespaço, da Universidade de Guangzhou, na China.

Descoberto em outubro de 2024, o grupo Water Makara, direcionou seus ataques principalmente a instituições financeiras do Brasil, com o objetivo de roubar dados. Ao longo do ano passado, foram monitorados 86 indicadores de ameaças à infraestrutura de rede dos alvos. Em todos, foram observadas três características principais: altíssima eficiência operacional, superfícies de ataque expandidas e ofensivas mais rápidas.

Outro destaque do estudo é que os conflitos geopolíticos e as transformações tecnológicas tornaram-se profundamente interligados, e os avanços incrementais na IA remodelaram o cenário da cibersegurança, tanto ofensiva quanto defensiva. Impulsionadas pela tecnologia, as Ameaças Persistentes Avançadas (APTs) agora exibem maior capacidade de ocultação e poder destrutivo, tornando-se uma importante fonte de risco que ameaça à soberania nacional e aos interesses de desenvolvimento.

A IA impulsionou significativamente a capacidade de ataque furtivo e adaptativo, por meio de reconhecimento automatizado, geração dinâmica de comandos e deepfake. “É possível prever que a profunda integração da tecnologia e das operações APT continuará evoluindo, por meio de ataques totalmente autônomos orquestrados por agentes de IA, inaugurando uma nova era de confrontos cibernéticos”, afirma Raphael Dias, arquiteto de soluções da NSFOCUS para América Latina.

De acordo com o Centro de Inteligência de Ameaças da NSFOCUS, o número total de grupos de APTs globais chegou a 662, um aumento de 6,77% em relação a 2024. Em termos de níveis de atividade, 38 grupos continuamente ativos foram monitorados ao longo de 2025, com abril marcando o pico de atividade (18 grupos ativos simultaneamente), sendo que janeiro e fevereiro registraram a maior frequência de ataques. Dez grupos — incluindo Cleaver, TA505 e Lazarus — foram as entidades mais ativas do ano, com um total cumulativo de 10.753 hosts IP atacados ao longo do ano.

Evolução Técnica

O relatório traz ainda uma análise estatística das técnicas de ataque utilizadas por grupos APT. Em 2025, os métodos de ataque apresentaram uma característica dupla: “técnicas tradicionais mantendo-se estáveis, enquanto a IA proporciona um grande poder de atuação”.

  • Ataques tradicionais: O roubo de informações direcionado e encoberto empatou em primeiro lugar com 24%, enquanto o cross-site scripting (XSS) remoto baseado na web ficou com 13%. As três categorias juntas representam 61% dos ataques, com a lógica principal sendo uma abordagem de penetração combinada de “coleta de informações e execução de script”.
  • A tecnologia de IA remodelou fundamentalmente a cadeia de ataques: grupos APT patrocinados por países têm utilizado amplamente a tecnologia como arma, com um aumento de 89% em relação ao ano anterior. E-mails de phishing gerados por IA alcançaram uma taxa de cliques de até 54%, superando a taxa de 12% dos e-mails tradicionais. Os ataques estão evoluindo rapidamente de operações automatizadas em massa para ataques inteligentes e direcionados com precisão.

Link para download do relatório: Relatório Anual de Pesquisa do APT Group 2025 – NSFOCUS

Raphael Dias,  arquiteto de soluções da NSFOCUS para América Latina

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