
INÉDITO: 6 de cada 10 pessoas têm pressão arterial acima da recomendada em Minas Gerais, mostra estudo inédito com 49 mil medições em farmácias do estado
- Homens representam apenas 42,8% dos participantes do estudo, mas concentram os piores resultados nas medições analisadas.
- Projeto “Juntos pelo Melhor Controle” une Biolab Farma, Drogaria Araújo, Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC) e Omron Healthcare.
Pesquisa inédita analisou 49.068 medições de pressão arterial feitas ao longo de 2025 em farmácias da Rede Araújo, em Minas Gerais.¹ O resultado preocupa: 60,5% das pessoas atendidas apresentaram níveis acima do limite considerado saudável pela nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 (≥130/80 mmHg)².
O estudo faz parte do projeto “Juntos pelo Melhor Controle”, iniciativa da Biolab Farma, Drogaria Araújo, Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC) e Omron Healthcare, que busca alertar para os riscos da hipertensão em Minas Gerais, estado que ocupa o segundo lugar em prevalência da doença no país e o terceiro em mortalidade por doenças cardiovasculares³. Em atividade desde janeiro de 2025, o projeto combina capacitação de farmacêuticos, orientação aos pacientes e equipamentos automatizados de medição.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e responderam por 382.507 óbitos em um único ano⁴ – cerca de dez vezes o total de mortes no trânsito, que somaram 34.881 no mesmo período de referência⁵.
Com chancela da World Heart Federation, os resultados serão apresentados com exclusividade no Congresso Mundial de Cardiologia, no dia 9 de outubro, no Rio de Janeiro.
Eles medem menos a pressão arterial e têm piores resultados nas medições
O estudo mediu a pressão de homens e mulheres. Os homens são minoria (42,8% do total) contra 57,2% de mulheres. A idade média dos dois grupos é praticamente a mesma: 54,5 anos. Mesmo em menor número, os homens registram pressão mais alta e maior proporção de casos alterados nos critérios analisados.
Mais revelador é o comportamento dessa diferença: quanto mais rigoroso o parâmetro maior a distância entre homens e mulheres. Retirando o efeito da idade, o risco de apresentar pressão alterada foi 50% maior entre eles no critério de 140 por 90 mmHg, 57% maior no de 135 por 85 mmHg e 68% maior no de 130 por 80 mmHg. Para os realizadores do projeto Juntos pelo Melhor Controle, o padrão indica que a hipertensão não reconhecida – aquela que ainda não foi detectada pelas pessoas e, dessa forma, ainda chegou ao consultório médico – se concentra na população masculina, que historicamente procura menos os serviços de saúde e costuma receber o diagnóstico mais tarde.
“Esses dados confirmam, em escala real e fora do consultório, que os homens procuram menos os serviços de saúde e chegam ao diagnóstico mais tarde – muitas vezes só depois de um evento cardiovascular. A farmácia, por estar perto de casa e não exigir agendamento, se mostra um ponto de triagem eficaz para alcançar esse público, desde que seguindo protocolos específicos”, afirma Dr. Audes Feitosa, ex-presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), e um dos coordenadores do estudo.
O mesmo exame pode dar três resultados diferentes
O estudo comparou os 49.068 exames realizados sob três parâmetros diferentes de diagnóstico. O resultado muda de forma expressiva entre eles:
- Pelo critério clássico de consultório, que considera hipertensão a partir de 140 por 90 mmHg, 31,1% das pessoas apresentaram pressão alterada.
- Pelo parâmetro de 135 por 85 mmHg, usado quando a medição acontece fora do consultório, o índice sobe para 45%.
- E pelo patamar de 130 por 80 mmHg, adotado pela nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, a proporção chega a 60,5% (6 em cada 10 pessoas).
Essa variação é o ponto central do trabalho. Hoje, os valores usados para interpretar medições feitas na farmácia são emprestados de outros contextos – a medida caseira e o monitoramento ambulatorial de 24 horas. Porém, não existem estudos que validem esses mesmos números para o balcão da drogaria.
Na prática, o mesmo braço aferido, no mesmo dia, pode receber três interpretações distintas.
Os pesquisadores enfatizam que o ambiente de farmácia tem parâmetros próprios, definidos a partir do acompanhamento de desfechos clínicos reais, e alertam que a escolha do critério tem impacto direto sobre políticas públicas de rastreamento da hipertensão.
Protocolo único e validado
E a confiabilidade de medir a pressão arterial em farmácia? O estudo foi desenhado para responder a esse desafio. Todas as aferições foram feitas por farmacêuticos treinados, com monitor Omron validado (modelo HEM-7349T, com tecnologia TruRead), que registra três medidas consecutivas em intervalos de 60 segundos e calcula automaticamente a média das duas últimas.
O procedimento descarta a primeira medição, normalmente a mais alta, e reduz a variação causada pela ansiedade do momento – a mesma lógica adotada nos protocolos de consultório.
“Não se tratam de medidas isoladas, mas de 49.068 exames obtidos sob protocolo uniforme, o que permite comparar os resultados com segurança estatística e sustenta a conclusão de que a farmácia pode funcionar como porta de entrada para a detecção precoce da hipertensão”, explica a Cardiologista Dra. Egle Costa Oppi, Gerente Executiva Médica da Biolab & Co.
A partir da relevância do levantamento, a próximo passo é levar o mesmo protocolo a farmácias de outros estados.
REFERÊNCIAS
1. Feitosa AM, Brandão AA, Maia KAP, Passaglia LG, Bezerra R, Sebba Barroso W, Oppi EC, Passos LM, Serra NV, Nadruz Jr W. Prevalence of Hypertension in Community Pharmacies According to Different Blood Pressure Thresholds: A Large Real-World Analysis of 49.068 Measurements. Dados inéditos, 2025. Apoio: SMC, Biolab e Drogaria Araújo.
2. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624 (Quadro 3.4: MRPA e MAPA de 24 horas ≥130/80 mmHg). Disponível em: abccardiol.org
3. Juntos pelo Melhor Controle – Hipertensão Controlada. Material institucional Biolab, Araujo, Omron e Sociedade Mineira de Cardiologia, 2025.
4. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Estatística Cardiovascular – Brasil 2023. Arq Bras Cardiol., com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Disponível em: scielo.br/j/abc
5. Observatório Nacional de Segurança Viária. Dados consolidados de óbitos no trânsito brasileiro, a partir do SIM/Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: onsv.github.io

