
Nos 80 anos de Hector Babenco, retrospectiva no Cine Humberto Mauro revisita a trajetória do diretor
Entre “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, “O Beijo da Mulher Aranha” e “Carandiru”, mostra celebra o cineasta reunindo filmes feitos por ele e obras sobre seu legado
“Retrospectiva Hector Babenco”
Datas: De 9 de outubro a 18 de outubro
Horários: Variáveis
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificações Indicativas: Variáveis
Entrada gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante dos ingressos será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.
Cruzando trajetórias marginalizadas, cenários de extrema tensão e múltiplas linguagens do cinema, Hector Babenco (1946-2016) construiu uma filmografia que ocupa um lugar particular na história do cinema brasileiro. Esse percurso será revisitado entre os dias 9 e 18 de outubro, no Cine Humberto Mauro, com a mostra “Retrospectiva Hector Babenco”, que reúne 12 títulos, entre longas dirigidos pelo cineasta e produções dedicadas à sua vida e memória, feitos entre 1975 e 2019. Fazem parte da curadoria filmes como “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), “O Beijo da Mulher Aranha” (1985) e “Carandiru” (2003). Além de celebrar a carreira do realizador, a mostra marca ainda os 80 anos que Babenco completaria neste ano. A entrada no Cine Humberto Mauro é gratuita; metade dos ingressos estará disponível, de forma on-line, a partir do meio-dia de cada sessão, na plataforma Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento, 1 hora antes das exibições.
Mais do que reunir títulos reconhecidos de sua carreira, a retrospectiva propõe acompanhar a construção de um olhar autoral. Com uma obra composta por histórias reais, adaptações literárias e diferentes gêneros cinematográficos, Babenco aprofundou-se em personagens inseridos em contextos de conflito, vulnerabilidade e situações-limite. Em cenários diversos, seu cinema explora as relações humanas, os afetos e as contradições que permeiam essas experiências, revelando uma sensibilidade singular na maneira de enxergar o mundo. A mostra exibida no Cine Humberto Mauro é realizada em parceria com a HB Filmes, produtora fundada pelo cineasta na década de 70, atualmente dirigida por sua filha Myra Babenco.
Nascido em Mar del Plata, na Argentina, em 1946, Hector Eduardo Babenco foi carregador de malas, lavador de pratos, fotógrafo lambe-lambe, vendedor de túmulos e figurante anônimo em produções italianas e espanholas. Por volta dos 17 anos, deixou a terra natal e veio para o Brasil, sendo considerado desertor do exército argentino. Pouco depois, seguiu para a Europa, onde passou um período antes de retornar ao país. Estabeleceu-se definitivamente no Brasil e, mais tarde, naturalizou-se brasileiro, com a intenção de viver do cinema.
A programação reúne 10 longas dirigidos pelo cineasta, entre eles “O Rei da Noite” (1975) sua estreia na ficção, e “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), que se tornou seu primeiro grande sucesso de público, com cerca de cinco milhões de espectadores. A narrativa acompanha o criminoso Lúcio Flávio Vilar e aborda a violência institucional e as relações entre crime, poder e Estado.
A seleção também passa por alguns dos títulos mais conhecidos de sua carreira, como “Pixote, a Lei do Mais Fraco” – que será exibido em sessão comentada por Raphael Lages, no dia 13 de outubro –, “O Beijo da Mulher Aranha” – pelo qual foi indicado ao Oscar de Melhor Direção em 1986 – e “Carandiru”. Em diferentes contextos, essas obras se aproximam de temas como abandono, encarceramento, relações de poder, afeto e sobrevivência, acompanhando personagens que atravessam diferentes espaços da sociedade brasileira. A retrospectiva contempla ainda sua atuação no circuito internacional, com “Ironweed” (1987), produção norte-americana estrelada por Jack Nicholson e Meryl Streep, e “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), ambientado na Amazônia e coproduzido pelos Estados Unidos.
Retomando o país natal do diretor, a mostra exibe “O Passado” (2007), adaptação do romance homônimo do escritor argentino Alan Pauls. A Argentina também é cenário de “Coração Iluminado” (1998), inspirado nas memórias de juventude e adolescência de Babenco. Ainda de caráter autobiográfico, integra a programação “Meu Amigo Hindu” (2015), seu último filme. Com Willem Dafoe como protagonista, a narrativa acompanha um cineasta que enfrenta um câncer linfático, experiência vivida por Babenco ao longo de anos. A obra aborda questões ligadas à doença, à morte e à própria experiência de fazer cinema.
A retrospectiva conta ainda com o curta “Conversa com Ele” (2018) e o documentário “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019), dirigidos por Bárbara Paz, atriz e cineasta que foi companheira de Babenco em seus últimos anos. Os dois títulos ampliam a perspectiva sobre o diretor para além de sua filmografia, incorporando elementos de sua história e de sua relação com o próprio cinema.
Mais do que revisitar uma trajetória, a retrospectiva propõe um novo encontro com o cinema de Hector Babenco, permitindo que seus filmes sejam vistos à luz do presente e por diferentes gerações de espectadores. Ao percorrer personagens, histórias e contextos que marcaram sua filmografia, a mostra evidencia a permanência de uma obra que atravessou fronteiras e décadas sem perder sua capacidade de provocar reflexão. Mesmo após o falecimento do diretor, seu olhar continua inscrito no cinema brasileiro e latino-americano, não apenas como registro de seu tempo, mas como parte de uma filmografia que segue aberta a novas leituras.
A mostra “Retrospectiva Hector Babenco” é realizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

