
Nova cooperação internacional do CARDIO4Cities levará experiência brasileira em saúde cardiovascular à América Latina e a Portugal
Iniciativa reúne Agência Brasileira de Cooperação (ABC), PNUD, Fundação Novartis e BP para compartilhar aprendizados e soluções desenvolvidas no contexto do SUS
A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Fundação Novartis e a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo formalizaram, na quarta-feira (7), em Brasília (DF), uma nova iniciativa de cooperação internacional para compartilhar experiências e soluções brasileiras em saúde cardiovascular desenvolvidas por meio do CARDIO4Cities, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).
O lançamento ocorreu durante o seminário “Desafios, oportunidades e prioridades das políticas públicas de saúde no contexto da Agenda 2030”, realizado no Palácio Itamaraty. A iniciativa integra o projeto “Promoção de Políticas Públicas de Saúde por meio da Cooperação Sul-Sul” e reforça o papel do Brasil como um Living Lab (laboratório vivo) do CARDIO4Cities, onde a experiência de implementação local gera aprendizados que podem apoiar o cuidado cardiovascular em outros contextos.
A iniciativa busca ampliar o compartilhamento internacional de conhecimentos e aprendizados construídos no SUS, com perspectiva de alcançar outros países da América Latina, do Caribe e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
A cooperação brasileira parte de uma abordagem baseada na horizontalidade, na resposta às demandas dos próprios países parceiros, na ausência de condicionalidades e no fortalecimento das capacidades locais.

“A experiência desenvolvida no Brasil demonstra que uma solução concebida e implementada em determinado território pode gerar conhecimento, evidências e capacidades institucionais para ultrapassar suas fronteiras de origem. Mais importante ainda, demonstra que esse conhecimento pode ser compartilhado internacionalmente, adaptado a diferentes realidades e colocado a serviço de outros países que enfrentam desafios semelhantes”, afirma Ruy Pereira, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
O encontro destacou quatro prioridades para orientar as políticas públicas de saúde até 2030: atenção primária no centro do cuidado; soluções construídas a partir dos próprios sistemas de saúde; uso de dados para a tomada de decisão; e equidade, com atenção às desigualdades de acesso e aos diferentes perfis e territórios da população.
Na avaliação do PNUD, a cooperação internacional é fundamental para transformar experiências desenvolvidas localmente em capacidades que possam ser incorporadas pelos sistemas de saúde e contribuir para o avanço das metas globais.
“Estamos em um momento decisivo para acelerar o cumprimento da Agenda 2030, especialmente no enfrentamento das doenças crônicas. A cooperação entre governos, organismos internacionais e parceiros técnicos permite transformar experiências bem-sucedidas em políticas públicas com resultados concretos. O CARDIO4Cities mostra como o conhecimento desenvolvido no Brasil pode contribuir para fortalecer capacidades locais e avançar em direção a sistemas de saúde mais inclusivos e resilientes”, afirma Claudio Providas, chefe do PNUD no Brasil.
Durante o evento, hipertensão e diabetes, importantes fatores de risco cardiovascular, foram lembradas como desafios de saúde pública ao redor do mundo. Nesse contexto, a BP, ao lado de parceiros, compartilhou resultados e aprendizados de sua experiência no CARDIO4Cities, iniciativa idealizada pela Fundação Novartis que chegou ao Brasil em 2018, em São Paulo, a partir de uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). O projeto começou em territórios da zona leste da capital paulista e foi desenvolvido a partir da construção conjunta com gestores, profissionais de saúde e usuários, com soluções adaptadas às diferentes realidades do SUS.
Perto de completar uma década, o CARDIO4Cities está presente em 50 municípios e mais de 1.200 unidades de Atenção Primária à Saúde, com potencial de impactar mais de 15 milhões de pessoas. A iniciativa alcança diferentes realidades brasileiras, de São Paulo a municípios do interior da Paraíba, da região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, a Santarém, no Pará.
A experiência acumulada também envolve mais de 80 soluções cocriadas e testadas em parceria com municípios, contemplando diferentes frentes, como gestão das unidades de saúde, cuidado integrado com foco no paciente, busca ativa e planos de autocuidado construídos de acordo com as necessidades de cada território. Para a Fundação Novartis, a experiência brasileira demonstra a importância de combinar inovação e colaboração com a capacidade dos sistemas públicos de incorporar e sustentar as soluções desenvolvidas.
“O desafio da saúde cardiovascular não está apenas em identificar soluções eficazes, mas em garantir que elas sejam implementadas de forma sustentável e alcancem quem mais precisa. A experiência brasileira do CARDIO4Cities demonstra que é possível transformar evidências científicas em resultados concretos quando inovação, dados, gestão pública e colaboração caminham juntos. Para a Fundação Novartis, que idealizou a iniciativa, as experiências de internacionalização em desenvolvimento, como em Bogotá e Lisboa, representam oportunidades importantes na construção de uma rede internacional de aprendizado e cooperação. Queremos fortalecer a capacidade dos governos e dos sistemas de saúde de incorporar soluções que possam ser adaptadas, ampliadas e sustentadas ao longo do tempo, contribuindo para reduzir desigualdades e melhorar a saúde cardiovascular das populações”, afirma Binta Beard, Presidente da Fundação Novartis nos Estados Unidos.
A participação da BP na iniciativa está relacionada ao papel estratégico da instituição na gestão do CARDIO4Cities, com atuação na implementação de ferramentas de estratificação de risco cardiovascular, protocolos clínicos baseados em evidências, planos de autocuidado, painéis interativos de indicadores e capacitação de profissionais.
A experiência técnica da BP contribui para que os aprendizados da implementação sejam adaptados às prioridades, ao sistema de saúde e à cultura de cada território interessado. No Brasil, o projeto atua no rastreamento, na estratificação de risco cardiovascular, na busca ativa de pessoas que abandonaram o tratamento, na promoção da adesão ao tratamento e no autocuidado, além do uso de dados para apoiar a gestão e melhorar o acesso à saúde.
“O CARDIO4Cities se tornou um Living Lab no Brasil porque foi construído e aprimorado em situações reais, a partir dos desafios e das necessidades de cada território. Esse percurso nos mostrou que não existe um modelo pronto a ser transferido: é preciso cocriar, implementar, monitorar e aprimorar as soluções, sempre considerando a realidade local e buscando sustentabilidade e escala. Hoje, com o conhecimento acumulado no Brasil e as oportunidades de coperação e internacionalização do CARDIO4Cities, liderada pela Fundação Novartis, queremos colocar a capacidade técnica desenvolvida pela BP na implementação da iniciativa no SUS a serviço da cooperação com outros países. Nosso objetivo é apoiar governos e parceiros na adaptação de soluções às suas realidades, fortalecendo as capacidades institucionais e a continuidade das ações, para melhorar as condições de vida e não deixar ninguém para trás”, afirma Juliana Opípari, gerente-executiva de Relações Governamentais, Responsabilidade Social e Sustentabilidade da BP.
Assinatura
Na tarde de quarta-feira (7), a formalização da iniciativa de cooperação internacional entre as instituições participantes marcou um novo passo na agenda de intercâmbio de conhecimentos e soluções em saúde. A parceria cria oportunidades para ampliar o compartilhamento da experiência brasileira com outros países, respeitando as prioridades locais e os diferentes estágios de desenvolvimento das iniciativas de internacionalização do CARDIO4Cities.
O projeto contribui para o avanço dos objetivos da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente do ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e do ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), e reforça a importância da colaboração entre governos, instituições de saúde, organismos internacionais, fundações, academia e sociedade civil para o enfrentamento das doenças cardiovasculares.




