Paixão pelo futebol e envolvimento com o Mundial facilitam o endividamento causado pela publicidade massiva das bets
Apostas esportivas ganharam força com o torneio em evidência e o risco do impulso e da perda de controle cresceu
O Mundial de Futebol mexe com a rotina do brasileiro. A camisa sai do armário, o grupo da família comenta a escalação, o bar prepara o telão e muita gente organiza o dia em torno dos jogos. Junto com a paixão pela bola, cresce também a presença das bets nos comerciais, transmissões, redes sociais, na mídia, nas camisas de clubes e campanhas com jogadores, ex-atletas, narradores e influenciadores.
A aposta esportiva chega como parte da conversa, mas nem tudo parece claro e o que era entretenimento pode virar um problema de toda a família. “A paixão pelo futebol aproxima as pessoas, mas a aposta mexe com dinheiro. Quando as duas coisas se misturam sem limite, o torcedor pode tomar uma decisão financeira no impulso, como quem grita pênalti antes do juiz apitar”, afirma a educadora financeira Adriana Ricci.
Ainda de acordo com a especialista, neste período de Mundial de Futebol, emoção e publicidade caminham juntas. O torcedor acompanha escalações, estatísticas, odds e chamadas para apostar em quem faz gol, no placar ou no número de escanteios. O risco está em tratar a aposta como uma extensão natural do jogo. “A publicidade das bets vende a sensação de participar da partida, de entender do jogo e de fazer parte daquilo. Esse estímulo reduz a percepção de risco, principalmente quando o torcedor está envolvido emocionalmente”, pontua Adriana.
Na prática, o ciclo pode começar com um valor baixo “só para dar graça”, depois vem a tentativa de recuperar o que foi perdido na rodada anterior e, aos poucos, a atenção sai do futebol e vai para o aplicativo. A alegria pelo gol só acontece dependendo do palpite feito minutos antes.
A orientação da especialista é separar a torcida do orçamento. “A aposta não pode disputar espaço com comida, aluguel, escola, remédio ou transporte. Se a pessoa precisa ganhar para fechar o mês, ela não está se divertindo, está tentando resolver um problema financeiro por um caminho perigoso”, alerta Adriana, que tem 25 anos de experiência na área.
A presença de rostos conhecidos nas campanhas também pesa bastante. Jogadores, comunicadores e influenciadores criam a sensação de confiança porque o torcedor já tem vínculo com essas figuras, o anúncio parece próximo, familiar e seguro, mas a decisão continua sendo financeira.
Sinais de atenção incluem esconder apostas, aumentar valores para recuperar perdas, usar cartão de crédito, pedir dinheiro emprestado ou ficar irritado quando não consegue apostar. Nesses casos, a recomendação é interromper a prática, conversar com alguém de confiança e buscar apoio especializado antes de perder o controle de vez. “Futebol combina com emoção, mas orçamento, jamais. A dica é, antes de apostar, pensar se aceitaria perder aquele valor em qualquer outra situação, não somente quando o entretenimento do jogo está envolvido. Se a resposta for não, o melhor palpite é fechar o aplicativo e se concentrar somente na partida”, finaliza Adriana Ricci.
Sobre a especialista: Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008.
Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.
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