
PESQUISA – Brasileiros valorizam a remuneração na hora de escolher ou permanecer em um emprego e temem impacto da IA no mercado de trabalho
Geração Z é a que mais manifesta interesse em ocupar cargos de liderança
Pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec para o Estadão mostra que, apesar das transformações do mercado de trabalho e do avanço da inteligência artificial, os brasileiros continuam valorizando fatores tradicionais de inserção profissional. A remuneração aparece como o principal critério para escolher ou permanecer em um emprego, a carteira assinada é vista como mais atrativa que o trabalho autônomo quando ambos oferecem ganhos semelhantes e a ampla maioria demonstra preocupação com o impacto da IA sobre ocupações e profissões. Foram ouvidas 2.000 pessoas no total e a margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
Maioria vê risco da inteligência artificial para ocupações e profissões
A preocupação com o avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho é ampla. Oito em cada dez brasileiros (82%) acreditam que as pessoas deveriam se preocupar muito ou um pouco com o risco de a tecnologia substituir ocupações e profissões, enquanto 17% consideram que as pessoas deveriam se preocupar pouco ou não deveriam se preocupar.
Pergunta: Na sua opinião, o quanto as pessoas deveriam se preocupar com o risco de a inteligência artificial substituir ocupações e profissões? (Estimulada – %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Remuneração lidera os fatores mais importantes na escolha ou permanência no trabalho
Quando pensam nos fatores mais importantes para escolher ou permanecer em um trabalho, os brasileiros apontam principalmente a “remuneração”, incluindo salário e benefícios (32%). Em seguida aparecem “estabilidade e segurança no trabalho” (18%) e “possibilidades de crescimento profissional” (16%). Em outro patamar, figuram “equilíbrio entre trabalho e vida pessoal” e “reconhecimento e valorização”, cada um com 7% das menções, seguidos por “ambiente de trabalho e relação com colegas”, citado por 5% dos entrevistados, e “flexibilidade de horário”, com 4% das menções. Os resultados são semelhantes entre os segmentos sociodemográficos analisados.
Pergunta: Pensando nas pessoas em geral, qual destes fatores, na sua opinião, é o mais importante na hora de escolher ou permanecer em um trabalho? (Estimulada – %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Preferência por vínculo CLT supera trabalho autônomo
A pesquisa também investigou qual modalidade de trabalho é hoje mais atrativa para a população brasileira considerando uma remuneração equivalente entre elas. Para 39% dos entrevistados, o trabalho com carteira assinada (CLT) é o formato mais atraente. Outros 27% apontam o trabalho autônomo ou por conta própria, enquanto 33% consideram as duas modalidades igualmente atrativas. A parcela que não soube responder corresponde a 2%.
A preferência pela CLT é mais expressiva entre os que integrantes da geração Baby Boomers (62 anos ou mais), grupo em que alcança 59%, e entre pessoas com ensino fundamental (49%). Já a atratividade do trabalho autônomo ou por conta própria é mais mencionada pelos jovens da Geração Z (35%). A avaliação de que os dois formatos são igualmente atrativos apresenta poucas variações entre os diferentes segmentos analisados.
Pergunta: Considerando uma remuneração semelhante, na sua opinião, qual modalidade de trabalho tende a ser mais atraente para os brasileiros atualmente? (Estimulada – %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Interesse em cargos de liderança não é unanimidade entre os brasileiros
A pesquisa mostra que não há consenso entre os brasileiros sobre ocupar cargos de liderança e gestão. Somados, 46% afirmam que teriam muito ou algum interesse em assumir esse tipo de posição, enquanto 52% declaram pouco ou nenhum interesse.
As diferenças geracionais são evidentes. Entre os integrantes da Geração Z, 60% manifestam muito ou algum interesse em ocupar cargos de liderança, percentual que cai para 48% entre Millennials, para 38% entre pessoas da Geração X e atinge 29% entre os Baby Boomers. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 61% afirmam ter pouco ou nenhum interesse em assumir postos de liderança, proporção semelhante à observada entre aqueles das classes D e E (58%).
Pergunta: Caso tivesse oportunidade, quanto interesse teria em ocupar um cargo de liderança ou gestão? (Estimulada – %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Diploma universitário é visto como diferencial para conseguir emprego
A ampla maioria dos brasileiros considera que a formação universitária tem influência nas chances de obtenção de um emprego, sendo que 63% dizem que influencia muito e 20% que influencia um pouco. Por outro lado, 8% dos entrevistados declaram que a formação superior influencia pouco, mesmo percentual daqueles que consideram que ela não influencia. Os que não sabem ou não respondem somam 2%. A percepção é homogênea entre os segmentos sociodemográficos.
Pergunta: Na sua opinião, o quanto um diploma universitário influencia as chances de uma pessoa conseguir emprego hoje em dia? (Estimulada – %)

Os percentuais apresentados podem não totalizar 100% devido a arredondamentos estatísticos.
Para Márcia Cavallari, Diretora Geral da Ipsos-Ipec, “os resultados mostram que, mesmo diante das transformações trazidas pela inteligência artificial, os brasileiros seguem valorizando fatores tradicionais do mercado de trabalho, como remuneração, qualificação e segurança profissional. Ao mesmo tempo, a elevada preocupação com a substituição de ocupações pela tecnologia indica que a população acompanha com atenção as mudanças que podem redefinir o futuro no mercado de trabalho.”
Sobre a pesquisa
Pesquisa quantitativa realizada a partir de entrevistas pessoais e domiciliares, com o objetivo de conhecer a opinião da população acerca de trabalho, emprego e inteligência artificial. O levantamento aconteceu entre os dias 6 e 10 de agosto de 2026, quando foram entrevistadas 2000 pessoas, em 130 municípios brasileiros.
A amostra é proporcional e representativa dos brasileiros com 16 anos ou mais, elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis: sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.






