
Seu filho tira 7 no boletim e passa de ano. E se a média estiver escondendo uma dificuldade?
Um desempenho considerado satisfatório pode mascarar lacunas que só se revelam quando a exigência aumenta, no ensino médio
No boletim, a média 7 se repete bimestre após bimestre. Não é uma nota alta o suficiente para comemorar, nem baixa o bastante para acender um alerta. A maioria das famílias segue em frente, convencida de que o filho está indo bem. Mas nem sempre está.
Por trás de um desempenho considerado confortável pode se esconder uma dificuldade que só se revela anos depois, quando já é mais difícil corrigir. Existe um tipo de aluno que raramente chama atenção: não é o que vai mal, é o que vai “mais ou menos”. Ele entrega os trabalhos, acompanha a turma, tira sempre em torno de 7 e atravessa o ensino fundamental sem levantar suspeita. E é justamente por não chamar atenção que a dificuldade pode se acumular, despercebida, por anos, até se revelar na etapa mais exigente: o ensino médio.
Sublinhar o livro inteiro, reler a matéria várias vezes, encher o caderno de resumos, são hábitos que pais e alunos associam ao estudante dedicado. O problema é que os métodos que a maioria considera eficientes são justamente os que menos funcionam.
Uma pesquisa publicada em dezembro de 2025 na revista Cognitive Research: Principles and Implications aponta que essas estratégias passivas, como reler e grifar, estão entre as menos eficazes para fixar o conteúdo, e que muitos estudantes as superestimam, evitando métodos comprovadamente melhores justamente porque exigem mais esforço, tempo e concentração.
Ou seja, o jovem pode passar horas debruçado sobre o material, sentir que está aprendendo e, ainda assim, reter muito pouco.
Foi observando esse tipo de armadilha que Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, chama atenção para o fato de que a nota, isoladamente, nem sempre revela o que está acontecendo no processo de aprendizagem.
“Na prática, muitos alunos que mantêm notas em torno de 7 durante todo o ensino fundamental passam despercebidos. Eles não apresentam baixo rendimento, mas também não desenvolvem uma base sólida de aprendizado. É justamente nesse grupo que costumamos encontrar dificuldades que aparecem quando o nível de cobrança aumenta”, afirma.
Para o especialista, o problema não está na nota em si, mas no que ela representa. “Se o aluno tira 7 sem esforço, pode estar deixando de desenvolver hábitos importantes de estudo. Se tira 7 estudando muito, talvez esteja utilizando métodos pouco eficientes. Nos dois casos, o ensino médio costuma revelar essas fragilidades, porque exige mais autonomia, organização e domínio dos conteúdos”.
No ensino médio, as matérias ficam mais complexas e as defasagens dos anos anteriores se somam. Quem não tem um bom método para estudar sente a diferença logo.
Para Cornetta, olhar apenas para a nota pode levar famílias e escolas a ignorarem sinais importantes.
“A nota mostra o resultado de uma avaliação. O aprendizado é o que sustenta o desempenho ao longo de toda a vida escolar. Identificar dificuldades cedo e corrigir a forma de estudar faz muito mais diferença do que simplesmente acompanhar a média no boletim”, conclui.
Sobre a Kaizen
Fundada em 2020, a Kaizen é uma startup de educação com foco em mentorias personalizadas para estudantes do Ensino Fundamental ao Superior. Combinando orientação acadêmica, personalização de estudos e tecnologia, a empresa já atendeu milhares de alunos em diversas regiões do país, promovendo autonomia, estrutura e desempenho.


