Cultura

Teatro em Movimento recebe Jonas Bloch com o espetáculo“Delírio”, em Congonhas

Montagem que faz homenagem à poesia de Manoel de Barros será apresentado no sábado, 10 de outubro, no Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta. “Delírio” une teatro, poesia e artes visuais em uma experiência sensível inspirada na obra de um dos maiores poetas brasileiros

O Festival Teatro em Movimento, que tem curadoria e coordenação geral de Tatyana Rubim, chega a Congonhas, no sábado, dia 10 de outubro, às 20h, com o espetáculo Delírio, monólogo com o ator Jonas Bloch. A montagem, que integra a programação que celebra os 25 anos do Teatro em Movimento, é inspirada na obra do poeta Manoel de Barros. A apresentação acontece no Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta e convida o público a mergulhar em um universo onde poesia, memória, natureza e imaginação se encontram.

A apresentação do Teatro em Movimento em Congonhas conta com patrocínio da CSN, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e apoio da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas.

“Delírio” transforma a poesia do escritor em experiência cênica e conduz a plateia por uma jornada marcada pela delicadeza, pela imaginação e pela beleza encontrada nas pequenas coisas da vida. Em “Delírio”, poesia e teatro caminham juntos para revelar o universo singular criado por Manoel de Barros. As lembranças da infância, os cenários do Pantanal, a natureza, o humor e a forma inovadora com que o poeta reinventava as palavras ganham vida na interpretação de Jonas Bloch, em uma encenação que valoriza tanto a força do texto quanto a expressividade das imagens.

“Levar Delírio para Congonhas tem um significado especial. A cidade carrega uma história profundamente ligada à arte e ao patrimônio, com o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e as esculturas dos profetas de Aleijadinho, um dos mais importantes conjuntos do barroco brasileiro. Receber um espetáculo inspirado na poesia de Manoel de Barros, conduzido pela sensibilidade de Jonas Bloch e que também dialoga com as artes visuais, cria um encontro muito bonito entre diferentes expressões artísticas. Celebrar os 25 anos do Teatro em Movimento em uma cidade com essa força cultural torna a apresentação ainda mais única”, afirma a idealizadora e curadora do Teatro em Movimento, Tatyana Rubim.

A criação de Delírio nasceu da profunda admiração de Jonas Bloch pela literatura de Manoel de Barros. Ao entrar em contato com seus textos, o ator encontrou uma escrita marcada pela humanidade, pelo humor e por uma capacidade única de transformar elementos aparentemente comuns em poesia. A partir dessa descoberta, selecionou alguns dos textos mais representativos do autor e construiu um delicado monólogo, que se tornou também uma declaração de amor à literatura brasileira. Mais do que declamar poemas, o espetáculo convida o público a experimentar a maneira como Manoel de Barros enxergava o mundo. Ao longo da apresentação, o espectador é conduzido por um percurso sensível, em que o cotidiano se torna extraordinário, a simplicidade revela profundidade e a imaginação rompe os limites entre realidade e fantasia. O resultado é uma montagem que emociona, provoca reflexão e reafirma a atualidade da obra do escritor.

Conhecer a poesia de Manoel de Barros é, para Jonas Bloch, descobrir uma nova maneira de perceber a vida. “Sofisticado e ao mesmo tempo popular, ele nos revela os encantos da Natureza, visões do Pantanal e nos transporta às suas reminiscências numa linguagem elaborada, fascinante, inovadora, cheia de humor”, diz o Bloch.

Poética do cenário

Essa relação entre ator e poeta ultrapassa a interpretação. Em Delírio, Jonas Bloch participou também da criação do cenário. Inspirado na obra do artista Arthur Bispo do Rosário, desenvolveu painéis compostos por objetos, desenhos e diferentes texturas, construindo uma cenografia que dialoga diretamente com a linguagem poética de Manoel de Barros. O cenário não funciona apenas como elemento visual, mas integra a narrativa, estabelecendo uma relação permanente entre palavra, imagem e memória.

A opção por criar pessoalmente a cenografia traduz o envolvimento do ator com o espetáculo. Com mais de seis décadas dedicadas ao teatro, Jonas Bloch apresenta um trabalho que sintetiza sua maturidade artística e sua paixão pela profissão. Em cena, literatura, artes visuais e interpretação se encontram para construir uma experiência que desperta emoção e convida o público a desacelerar o olhar diante da vida.

O próprio ator resume a essência da montagem como “uma profunda correlação entre sua fala poética com as imagens visuais, um convite a visitar o sentido mais simples e encantador da vida”.

Um poeta que reinventou a linguagem

Reconhecido como um dos maiores escritores brasileiros, Manoel de Barros construiu uma obra singular, marcada pela invenção da linguagem e pela valorização da natureza, da infância e das pequenas descobertas do cotidiano. Sua produção literária recebeu importantes premiações, entre elas o Jabuti, e conquistou admiradores dentro e fora do Brasil.

O escritor espanhol Jorge La Rossa, tradutor de sua obra, definiu a poesia de Manoel de Barros como “a obra de Barros é inexplicável como o milagre, como qualquer obra de arte quando genuína. É um poeta por necessidade, por dom”. Ao reunir parte desse universo poético em um espetáculo teatral, Delírio propõe ao público um encontro entre literatura e cena, oferecendo uma experiência que ultrapassa a narrativa tradicional e convida à contemplação, à escuta e à imaginação.

Serviço

“Delírio” com Jonas Bloch, em Congonhas

Data:10 de outubro, sábado, às 20h

Local: Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta – R. Alípio Barbosa – Congonhas

Ingressos: Vendas pelo Sympla

Valores: R$ 50,00 – inteira / R$ 25,00 – meia-entrada

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Teatro Em Movimento

O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo, praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então, contabiliza 280 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 402 mil pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa, produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim.