Economia

US$ 5,4 trilhões: Como a IA passou a influenciar a guerra no Oriente Médio

US$ 5,4 trilhões: Como a IA passou a influenciar a guerra no Oriente Médio

Com chips, contratos de defesa e análise de dados em tempo real no centro dos conflitos, professor da UFG explica como a inteligência artificial passou a influenciar decisões estratégicas em regiões de tensão militar

       O avanço da inteligência artificial passou a ocupar uma posição central na disputa militar e econômica em 2026, impulsionado pela valorização acelerada de empresas ligadas a chips, processamento de dados, defesa, nuvem e segurança digital. Grandes grupos expostos à IA ganharam cerca de US$ 5,4 trilhões em valor de mercado, mais da metade concentrada em companhias de semicondutores. No Oriente Médio, esse movimento ocorre em meio ao uso crescente de drones, sistemas de interceptação, satélites, radares, sensores e plataformas capazes de analisar grandes volumes de informação ao mesmo tempo. A disputa envolve também a velocidade para identificar ameaças, mapear deslocamentos, interpretar sinais e antecipar movimentos do adversário. Empresas como Palantir, Google, SpaceX e OpenAI se aproximaram de projetos ligados à defesa, evidenciando como a fronteira entre tecnologia civil e aplicação militar ficou mais estreita. Esse cenário ajuda a explicar por que a IA se tornou uma das principais forças por trás da nova corrida armamentista digital, especialmente em regiões de conflito permanente, onde informação, precisão e tempo de resposta podem alterar o rumo de uma operação. 

       A intensificação do uso de drones, satélites, radares e sistemas de interceptação no Oriente Médio ajudou a deslocar a discussão militar para um ponto mais sensível, a capacidade de transformar dados em resposta operacional antes que o cenário mude. Em conflitos marcados por ataques rápidos, múltiplas frentes de tensão e grande volume de informações circulando ao mesmo tempo, a inteligência artificial passou a ser usada para organizar imagens, sinais, comunicações abertas e dados de sensores, reduzindo o tempo entre a identificação de uma ameaça e a decisão estratégica. Para Celso Camilo, professor de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, o ponto central não é a substituição da estratégia humana, mas o aumento da velocidade de análise. “A IA consegue cruzar grandes volumes de dados vindos de satélites, drones, radares e sistemas de comunicação para identificar padrões, simular cenários, predizer ações, analisar movimentações suspeitas e possíveis riscos com muito mais rapidez”, afirma. 

       Na prática, a IA influencia a guerra em 4 etapas centrais: vigilância, escolha de alvos, defesa e guerra informacional. Na vigilância, sistemas analisam imagens de satélite, vídeos de drones, radares e sensores para identificar movimentações suspeitas, bases, veículos, lançadores e rotas de deslocamento. Na escolha de alvos, a tecnologia cruza padrões de comportamento, localização, histórico de movimentação e sinais digitais para indicar onde pode haver risco militar, reduzindo o intervalo entre a coleta do dado e a ação. Na defesa, ajuda sistemas de interceptação a reconhecer trajetórias de drones, mísseis e foguetes, calculando velocidade, direção e probabilidade de impacto. Na guerra informacional, monitora redes sociais, vídeos, mensagens e campanhas digitais para identificar narrativas coordenadas, propaganda, desinformação e mobilização de grupos. 

       Para Celso Camilo, professor de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, essa influência está menos na ideia de “robôs decidindo guerras” e mais na capacidade de acelerar cada fase do conflito. “A IA influencia a guerra porque melhora a capacidade de enxergar, priorizar,  filtrar e reagir. Ela permite transformar milhões de dados em alertas operacionais, recomendações de rota, identificação de ameaças e apoio à defesa em tempo muito menor”, afirma. “O problema é que, quanto mais rápido o sistema decide ou recomenda, maior precisa ser o controle humano sobre o que será feito com aquela informação”, completa.

       A tendência observada nos conflitos do Oriente Médio em 2026 aponta para uma guerra cada vez mais dependente de sistemas de análise, automação e resposta rápida, na qual a inteligência artificial passa a cumprir funções específicas dentro da operação militar. Enquanto drones, satélites, radares e sensores ampliam a coleta de informações, a IA organiza esse volume de dados e ajuda comandos militares a identificar ameaças, calcular riscos e definir prioridades em menos tempo. Para Celso Camilo, professor de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, essa transformação não está na substituição do comando humano, mas na reorganização do processo de decisão. “A IA influencia a guerra porque torna a leitura do conflito mais rápida e mais integrada. Ela conecta dados que antes chegavam separados e transforma essas informações em alertas, mapas de risco e recomendações operacionais”, afirma. Segundo ele, essa capacidade tende a ganhar espaço enquanto os conflitos envolverem drones, ataques coordenados, defesa aérea e disputa por informação em tempo real. “A tecnologia melhora a capacidade de reação, mas também exige controle. Infelizmente, ainda falamos na atualidade de conflitos extensos e de grande impacto. Em um momento que se discute a ética em sistemas de IA, o humano ainda tem comportamentos antiéticos e, com isso, contamina a máquina de suas preferências e desvios. 


Sobre Celso Camilo

https://ww2.inf.ufg.br/~celso

Celso Camilo é Mestre e Doutor em Inteligência Artificial e professor associado da Universidade Federal de Goiás (UFG). Com trajetória acadêmica e internacional consolidada, foi professor visitante na Carnegie Mellon University (EUA) entre 2015 e 2016, no Indian Institute of Technology Gandhinagar (Índia) em 2022 e na Mohamed bin Zayed University of Artificial Intelligence (MBZUAI) em 2026, nos Emirados Árabes Unidos, além de representar o Brasil em fóruns globais de inovação e tecnologia.

Atua como pesquisador, consultor e palestrante, com destaque para a apresentação realizada na NASA (JPL, em Los Angeles), e coordena o desenvolvimento da GAIA, a primeira inteligência artificial aberta especializada em português. Sua atuação também se estende ao setor privado, onde contribui como conselheiro em empresas de diferentes segmentos, como transporte, educação, mercado imobiliário e venture capital, conectando tecnologia e estratégia de negócios.

No setor público, acumulou experiência em posições estratégicas, tendo sido Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia de Goiânia e Subsecretário de Tecnologia da Informação do Estado de Goiás, com foco na implementação de políticas e projetos voltados à inovação, digitalização e desenvolvimento econômico.

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