Levantamento da ImpulsoGov mostra a cobertura vacinal contra o sarampo em municípios brasileiros
Dados do primeiro semestre de 2026 revelam índices abaixo dos 95% recomendados pelo Programa Nacional de Imunizações
São Paulo, agosto de 2026 — Um levantamento realizado pela ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos que, em parceria com governos, fortalece o sistema público de saúde no Brasil por meio de soluções inovadoras, identificou municípios com cobertura vacinal contra o sarampo abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os dados, referentes ao primeiro semestre de 2026, mostram baixos índices de vacinação para a primeira dose da tríplice viral, vacina que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em cidades de diferentes regiões do país.
Segundo o levantamento, com base em dados do Ministério da Saúde, o menor índice entre todos os municípios brasileiros foi registrado em Serra Azul (SP), onde a cobertura da primeira dose chegou a 7% da população-alvo. Foram registradas três aplicações, enquanto a estimativa indicava que pelo menos 45 crianças deveriam ter sido vacinadas. Na sequência aparecem Capela de Santana (RS) e Portão (RS), ambos com 10% de cobertura.
Os dados abrangem o período de janeiro a junho de 2026 e ainda podem sofrer alterações devido ao atraso no registro e no envio das informações. Por se tratarem de dados administrativos, estão sujeitos a limitações relacionadas ao registro, à transmissão e à integração das informações entre os diferentes sistemas utilizados pelos municípios e pelo Ministério da Saúde.
Por isso, segundo a organização, os resultados devem ser interpretados como um sinal de alerta e não necessariamente como uma representação exata da situação vacinal de cada município. Alguns municípios também aparecem com zero dose lançada no período (subregistro) e por isso foram mantidos fora dos rankings.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, o pior resultado foi registrado em Ribeirão Preto (SP), com 37% de cobertura na primeira dose. A cidade registrou 1.377 doses aplicadas, diante de uma meta de 3.711 crianças. Sertãozinho (SP), com 46%, e Simões Filho (BA), com 53%, aparecem na sequência.
“O dado é uma ferramenta para orientar a gestão. Quando um município identifica que uma parcela importante das crianças pode estar fora do esquema vacinal, ele consegue investigar onde estão essas crianças e pensar em estratégias para chegar até elas. A tecnologia pode ajudar justamente nessa ponte entre a informação disponível no sistema de saúde e a ação das equipes no território”, afirma Juliana Ramalho, gerente de Saúde Pública e Relações Governamentais da ImpulsoGovConsiderando todas as cidades do Brasil, o levantamento identificou as menores coberturas vacinais para a primeira dose, entre elas:
Top 10 cidades com menor cobertura vacinal de sarampo no Brasil:
- Serra Azul (SP) — 7%
- Capela de Santana (RS) — 10%
- Portão (RS) — 10%
- Artur Nogueira (SP) — 12%
- Balneário Barra do Sul (SC) — 14%
- Central do Maranhão (MA) — 17%
- Amparo do Serra (MG) — 18%
- Campestre da Serra (RS) — 20%
- Santa Tereza de Goiás (GO) — 22%
- André da Rocha (RS) — 22%
Top 10 cidades com mais de 100 mil habitantes com menor cobertura vacinal de sarampo no Brasil:
- Ribeirão Preto (SP) — 37%
- Sertãozinho (SP) — 46%
- Simões Filho (BA) — 53%
- Santo André (SP) — 54%
- Belford Roxo (RJ) — 58%
- Trindade (GO) — 62%
- Breves (PA) — 63%
- Santarém (PA) — 67%
- São José de Ribamar (MA) — 68%
- Itaituba (PA) — 69%
Os percentuais de cobertura consideram a população-alvo de cada município, e não a população total da cidade. Para a primeira dose, essa população é composta por crianças de 12 meses; para a segunda, por crianças de 15 meses. Os registros são contabilizados de acordo com o município de residência da criança, mesmo quando a vacinação é realizada em outra cidade.
O levantamento também chama atenção para a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, recomendada aos 15 meses de idade. Nesse caso, os índices são ainda menores entre os municípios com pior desempenho.
Em Capela de Santana (RS), por exemplo, a cobertura cai de 10% na primeira dose para apenas 1% na segunda. Em Serra Azul (SP), Coronel José Dias (PI) e Santa Cruz do Arari (PA) a cobertura da segunda dose é de 4%.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, Ribeirão Preto também aparece na última posição na segunda dose, com 31% de cobertura, seguida por Franca (SP), com 38%, Breves (PA) e Belford Roxo (RJ), ambos com 39%. Além da tríplice viral, a segunda dose contra o sarampo também pode ser aplicada via tetraviral, a depender do esquema vacinal.
Para Juliana Ramalho, os dados reforçam a importância de acompanhar as crianças ao longo de todo o calendário de vacinação. “O primeiro ano de vida concentra uma série de consultas e vacinas, mas depois dos 12 meses a frequência das crianças nos serviços de saúde tende a diminuir. Isso pode fazer com que algumas famílias adiem ou esqueçam doses importantes. O desafio é garantir que a criança continue sendo acompanhada e complete todo o esquema vacinal”, comenta.
É nesse contexto que atua o Portal Impulso, plataforma digital da ONG ImpulsoGov que utiliza dados da saúde pública para apoiar equipes do SUS na identificação de pessoas que precisam de acompanhamento e cuidados preventivos. Na área de vacinação infantil, a ferramenta organiza informações para ajudar os municípios a identificar crianças com vacinas em atraso, priorizar os casos e realizar a busca ativa, apoiando as equipes na localização das crianças e na orientação às famílias para a atualização da caderneta de vacinação.
O alerta ganha relevância diante da necessidade de manter altas coberturas vacinais para evitar a circulação do sarampo. O Brasil recuperou, em 2024, o certificado de eliminação da circulação endêmica da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde, mas casos importados e episódios de transmissão reforçam a importância de manter a população protegida. Segundo o Ministério da Saúde, neste ano já foram registrados 24 casos de sarampo no país, enquanto, em 2025, foram confirmados 38 casos.
Sobre a ImpulsoGov
A ImpulsoGov é uma organização sem fins lucrativos que, em parceria com governos, fortalece o sistema público de saúde no Brasil com soluções inovadoras. Por meio de ferramentas baseadas em dados e tecnologia, ajuda os profissionais de saúde a prestar cuidados preventivos e eficazes, garantindo diagnósticos precoces e intervenções rápidas. A ONG já atendeu diretamente mais de 420 municípios onde vivem 22 milhões de pessoas. As soluções e serviços são utilizados por profissionais do SUS, contribuindo para uma saúde pública mais eficiente, inclusiva e acessível para todos. Saiba mais em: http://www.impulsogov.org/




