Risco de Incêndio: carregamento de carro elétrico em tomada doméstica deve ser última alternativa, diz engenheiro
Ao recorrer ao improviso, donos de veículos eletrificados podem colocar em risco a bateria, o carro e até mesmo outras estruturas. Brasil registra cerca de um carregador para cada 35 veículos

Você talvez não tenha percebido, mas mais de 200 mil carros 100% elétricos já circulam pelas ruas do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). E quando entram na conta os híbridos convencionais, híbridos flex e híbridos plug-in, a frota de veículos eletrificados ultrapassa 620 mil unidades.
Em apenas nos dois primeiros meses deste ano, o mercado brasileiro comercializou 48.591 veículos eletrificados, volume 90% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram vendidas 25.544 unidades.
Apesar da rápida expansão da frota, a infraestrutura de recarga ainda não acompanha o mesmo ritmo. Segundo a ABVE, o Brasil dispõe de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para cerca de 506 mil veículos plug-in, o que representa algo próximo de 20 veículos por ponto de recarga, um déficit que ainda precisa ser superado. Enquanto isso, soluções improvisadas para a recarga podem colocar em risco não apenas as baterias dos automóveis, mas também as instalações elétricas e os próprios veículos.
“O carregamento de um carro elétrico em uma tomada doméstica deve ser uma última alternativa, e não a solução principal para o dia a dia. Carregadores domésticos podem causar superaquecimento e incêndios, até porque a infraestrutura elétrica residencial nem sempre está preparada para suportar a demanda de energia. Os carros elétricos necessitam de estações próprias, pois trabalham com correntes altas”, alerta o engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, fabricante de tecnologias voltadas às instalações elétricas.

Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, fabricante de tecnologias voltadas às instalações elétricas
Segundo o especialista, uma oscilação de energia pode danificar os sensíveis componentes internos do carregador do veículo elétrico. Flutuações na tensão elétrica podem resultar na falha prematura dos circuitos. Além disso, uma sobrecarga de energia pode ultrapassar o carregador e atingir a bateria e os componentes eletrônicos do automóvel. A bateria, por sua vez, possui alto custo de substituição. Em situações de sobrecarga, sua vida útil pode ser reduzida ou, em casos mais graves, comprometer o funcionamento do veículo.
Bucko ressalta que, para quem realmente não tem outra opção e eventualmente depende de uma tomada residencial, é fundamental garantir que a instalação elétrica esteja protegida por um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS), equipamento que protege tomadas e aparelhos conectados contra picos de energia e descargas atmosféricas.
“O DPS funciona como uma barreira que detecta a sobretensão e a desvia rapidamente, impedindo que a alta tensão chegue aos equipamentos. Os DPS são a última linha de defesa”, explica.
Existem três classes de DPS (Classe 1, 2 e 3), que se diferenciam pelo nível de proteção oferecido. O DPS Classe 1 é geralmente instalado na entrada da rede elétrica e possui a maior capacidade de absorção de surtos. Sua principal função é descarregar o excesso de potencial elétrico para o sistema de aterramento, protegendo os equipamentos conectados à rede.
O dispositivo ajuda a mitigar os efeitos provocados por descargas atmosféricas, oscilações na rede elétrica e picos de energia, desviando o excesso de eletricidade para o terra e permitindo que apenas a tensão adequada chegue aos equipamentos.
A linha de DPS da PSMR é de fácil instalação e normalmente aplicada em quadros de distribuição. “É um valor muito baixo quando comparado ao custo de bens de alto valor, como um carro elétrico”, destaca o especialista.
No ano passado, o país registrou crescimento aproximado de 10% no número de incêndios em relação a 2024, causados por fatores estruturais e operacionais de risco associados às instalações elétricas.
O Anuário da Associação Brasileira de Conscientização para os perigos da Eletricidade (Abracopel), que apresenta um panorama detalhado desses episódios, destaca que eles refletem falhas estruturais, ausência de manutenção e deficiência na aplicação das normas técnicas, resultando em perdas humanas e patrimoniais que poderiam ser evitadas.
SOBRE A PSMR
A PSMR oferece mais de 700 itens técnicos com a agilidade que o dia a dia da obra e da manutenção exige. Seu portfólio inclui disjuntores caixa moldada, contatores, conectores, bornes, transformadores, relés, temporizadores, sinalizadores, botões de comando, tomadas industriais, fontes de alimentação, canaletas, acessórios para painéis e diversos componentes para distribuição, proteção e automação elétrica. A marca atua como parceira em aplicações que exigem desempenho, segurança e confiabilidade. Além disso, conta com uma rede de revendas distribuída por todas as regiões do Brasil, garantindo disponibilidade de produtos e suporte próximo aos profissionais que atuam em campo.
Mais informações: https://www.psmr.com.br/
–
referências
http://abracopel.org/wp-content/uploads/2026/04/Anuario-2026-ebook.pdf



